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Economia

Economia pisa no freio e inflação acelera no novo governo Lula

07/11/2026 • 14:20 • Por Leo Pinheiro

Poucos dias depois da reeleição do Presidente Lula, as principais instituições financeiras do país rebaixaram suas projeções de crescimento

Imagem: Arte: Lagoa Comunicação

Bradesco e XP reduzem projeções de crescimento para 2027 e alertam para inflação elevada, incertezas fiscais e risco de estagnação econômica

O Brasil caminha para 2027 com uma combinação preocupante: crescimento econômico próximo de zero, inflação persistente e incertezas sobre os rumos da política fiscal. Poucos dias depois da reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, duas das principais instituições financeiras do país, Bradesco e XP, revisaram significativamente suas projeções e passaram a desenhar um cenário de atividade praticamente estagnada no próximo ano. As novas estimativas, divulgadas nesta sexta-feira, 6, refletem a deterioração das expectativas econômicas, a preocupação com o equilíbrio das contas públicas e a falta de definições sobre a equipe que conduzirá a política econômica no quarto mandato do petista. O quadro amplia as dúvidas do mercado sobre a capacidade do governo de controlar as despesas, preservar o poder de compra da população, e criar condições para a retomada dos investimentos. O cenário também sugere que os desafios econômicos do próximo mandato poderão ser mais complexos do que os enfrentados nos últimos anos.

O Bradesco reduziu sua previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 de 1% para apenas 0,4%, enquanto elevou a estimativa de inflação de 4,1% para 5,3%. Para 2026, o banco também cortou a expectativa de crescimento de 1,7% para 1,5% e aumentou a projeção inflacionária de 4,9% para 5,5%. A XP apresentou avaliação semelhante, reduzindo sua estimativa de crescimento econômico no próximo ano de 1% para 0,3% e elevando a inflação esperada de 4,4% para 5,5%. A instituição também passou a projetar expansão de 1,5% para o PIB de 2026, contra 1,7% anteriormente. Os números apontam para uma economia com dificuldades de avançar, enquanto os preços continuam pressionando o orçamento das famílias e os custos das empresas. Na prática, um crescimento tão reduzido limita a geração de empregos, enfraquece o consumo e diminui a capacidade de expansão da arrecadação tributária, tornando ainda mais difícil o ajuste das contas públicas.

Crescimento em xeque

Entre os principais fatores apontados pelas instituições estão o enfraquecimento da confiança, o elevado endividamento de famílias e empresas, a desaceleração do crédito, a desvalorização do real, e os impactos da implementação da reforma tributária. Também pesam nas projeções os riscos associados à redução da jornada de trabalho, à manutenção dos preços internacionais do petróleo em patamares elevados e às despesas públicas já comprometidas ou anunciadas durante a campanha eleitoral. O Bradesco destacou a necessidade de reforçar o arcabouço fiscal para estabilizar as expectativas, enquanto a XP apontou condições financeiras mais restritivas e menor impulso fiscal como obstáculos adicionais à recuperação econômica. A combinação desses fatores aumenta o risco de o país enfrentar inflação elevada mesmo com a atividade produtiva enfraquecida. Nesse ambiente, a manutenção de juros elevados por um período prolongado pode representar mais um obstáculo para o setor produtivo, encarecendo financiamentos, adiando projetos empresariais, e dificultando a recuperação do consumo.

O pessimismo não se restringe às duas instituições. Na semana anterior, o Itaú já havia reduzido sua previsão de crescimento para 2027 de 1,2% para 0,5%, elevando simultaneamente a estimativa de inflação de 4,6% para 6,1%. As revisões reforçam as dúvidas sobre a condução econômica do próximo mandato de Lula, especialmente porque o Presidente e sua equipe ainda não apresentaram definições claras sobre a futura política fiscal e as medidas destinadas a conter o avanço das despesas públicas. A possibilidade de manutenção ou ampliação de programas governamentais, sem uma contrapartida consistente de controle dos gastos, também alimenta preocupações sobre a sustentabilidade das contas federais. Embora as projeções possam mudar conforme as decisões do governo e a evolução do cenário internacional, o alerta das instituições financeiras é significativo: sem medidas capazes de recuperar a confiança, controlar os gastos e estimular os investimentos, o Brasil poderá iniciar 2027 com crescimento insuficiente, inflação resistente, e dificuldades crescentes para equilibrar suas contas. O desafio será transformar promessas de estabilidade em resultados concretos, evitando que a economia permaneça presa a um ciclo de baixo crescimento, crédito caro e perda de poder aquisitivo.

Leo Pinheiro