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Peña cai, Lula sorri e Paraguai vira a página

07/11/2026 • 13:27 • Por Felipe Masid

Em menos de 48 horas, Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai, teve o impeachment aprovado pelo Congresso e acabou colocado em prisão domiciliar

Foto: Reprodução/Instagram

Após renúncia, impeachment e prisão do ex-Presidente paraguaio, Lula felicita Pedro Alliana, seu sucessor, depois de atritos diplomáticos com o antigo governo

Em menos de 48 horas, Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai, teve o impeachment aprovado pelo Congresso e acabou colocado em prisão domiciliar, em meio a um escândalo bancário que provocou uma grave crise política e institucional no país. A queda do, agora, ex-Presidente ocorre meses depois de episódios de tensão diplomática com o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em meados de 2026, declarações do petista sobre a Guerra do Paraguai provocaram indignação e protestos entre políticos e cidadãos paraguaios, levando o governo Peña a convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos. Na ocasião, autoridades paraguaias informaram que os dois Presidentes conversaram por telefone para contornar a crise. Agora, com a saída de Peña, que pertence ao Partido Colorado, sigla de orientação conservadora e de direita que domina a política do Paraguai há décadas, Lula dá o troco no campo diplomático, fazendo questão de felicitar Pedro Alliana, o novo Presidente paraguaio.

A turbulência política paraguaia foi desencadeada por um escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira digital que atendia aproximadamente três milhões de clientes e administrava cerca de R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo depósitos previdenciários. Peña, que anteriormente manteve participação na holding controladora do banco, passou a ser investigado por suspeitas de tráfico de influência, conflitos de interesse e favorecimento de interesses privados. Após anunciar sua renúncia, o então Presidente teve o impeachment aprovado pelo Senado e foi submetido a medidas restritivas determinadas pelas autoridades judiciais. O ex-Chefe de Estado nega as acusações e prestou depoimento neste sábado, 7, enquanto manifestações populares cobravam esclarecimentos sobre a crise financeira.

Cumprimentos em meio à crise

Ainda durante a repercussão da queda de Peña, Lula manifestou publicamente sua disposição de cooperar com o novo governo paraguaio. Em mensagem divulgada nas redes sociais, o Presidente brasileiro felicitou Pedro Alliana, desejou sucesso em sua gestão e defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral. Também demonstrou interesse em receber o novo chefe de Estado em Brasília para discutir assuntos de interesse comum. Alliana respondeu ao petista agradecendo os cumprimentos e afirmando que ambos iniciariam uma "relação frutífera" em benefício das populações dos dois países. A rápida troca de cordialidades contrastou com os episódios de tensão diplomática registrados durante a administração anterior.

A mudança no comando do Paraguai ocorre em um momento delicado para a estabilidade institucional e econômica do país. Integrante do Partido Colorado, Peña mantinha proximidade política com o Presidente norte-americano Donald Trump, embora também preservasse canais de diálogo com o governo brasileiro. Agora, Alliana assume a responsabilidade de enfrentar os desdobramentos do escândalo bancário, recuperar a confiança da população e conduzir o país até o encerramento do mandato presidencial. Para Lula, a sucessão representa uma oportunidade de reorganizar a interlocução com Assunção, especialmente após os atritos diplomáticos de 2026. Enquanto os dois governos trocam mensagens de cordialidade, o destino judicial de Peña permanece indefinido e a população paraguaia aguarda respostas sobre os prejuízos provocados pela crise.

Felipe Masid