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Política

Exército de Paes marcha sozinho na batalha pelo segundo turno no Rio

07/11/2026 • 06:54 • Por Leo Pinheiro

O “Exército do Dudu” conseguiu reunir mais de 1/4 de milhão de inscritos, porém não consegue engajar fora das redes

Foto: Reprodução/Instagram

Movimento digital reúne 263 mil seguidores, mas enfrenta distanciamento do PT, pouca mobilização nas ruas e ausência do marqueteiro responsável pelas últimas campanhas do ex-prefeito

Na política, nem sempre quem faz mais barulho consegue reunir mais aliados. É nesse paradoxo que Eduardo Paes (PSD) se encontra na tentativa de transformar a mobilização virtual de seus apoiadores em uma ofensiva capaz de reabrir a disputa pelo Governo do Rio de Janeiro. Batizado de “Exército do Dudu”, o movimento reúne mais de 263 mil seguidores e conseguiu colocar uma hashtag entre os assuntos mais comentados do X em pouco mais de uma hora. Apesar da repercussão nas redes sociais, a iniciativa enfrenta dificuldades para conquistar apoio político expressivo e ampliar sua presença nas ruas, especialmente diante do distanciamento de antigos aliados, como integrantes do PT.

Na última quarta-feira, 4, o grupo lançou a campanha #49NÃOé50, uma referência direta aos percentuais da disputa entre Paes e Douglas Ruas (PL). A mobilização questiona o resultado que declarou Ruas vencedor no primeiro turno, após a retirada dos 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos) da contagem dos votos válidos, em razão de sua inelegibilidade reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a recontagem, Ruas passou a registrar 50,88% dos votos válidos, enquanto Paes ficou com 44,16%. O PSD contestou o resultado e levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin. A expectativa dos apoiadores é que uma eventual mudança no entendimento jurídico possa levar à realização de um segundo turno.

Poucos aliados na linha de frente

Mesmo com o alcance conquistado na internet, a campanha enfrenta dificuldades para romper a bolha digital e conquistar adesões de peso no cenário político fluminense. O PT, tanto em âmbito nacional quanto estadual, mantém distância da mobilização e não demonstra disposição para assumir protagonismo na contestação do resultado eleitoral. As manifestações de lideranças petistas nas redes sociais têm se concentrado principalmente na comemoração da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. Uma das poucas vozes a demonstrar maior proximidade com a iniciativa é o prefeito de Maricá, Washington Quaquá. Outro obstáculo está na estrutura de comunicação: Marcello Faulhaber, responsável pelo marketing das três últimas campanhas de Paes, retornou ao exterior, onde mora, e não participa da produção dos novos vídeos. A estratégia digital acabou ficando concentrada em assessores e jovens parlamentares do PSD, entre eles Joyce Trindade e Renan Ferreirinha.

Fora das telas, a mobilização também ainda não apresentou a mesma dimensão da campanha virtual. As atividades presenciais têm alcance limitado e incluem distribuição de adesivos em locais como a Praça Varnhagen, na Tijuca, além de uma ação realizada na Glória. Enquanto os apoiadores de Paes tentam ampliar a pressão popular e jurídica, Douglas Ruas passou a acompanhar mais atentamente os desdobramentos no STF e chegou a se reunir com o ministro Cristiano Zanin. Paralelamente, o PT mantém articulações voltadas à ocupação de espaços na futura Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), sem tratar a possibilidade de um segundo turno como um cenário concreto. O resultado é uma disputa que, além dos argumentos jurídicos, expõe dificuldades de articulação política para Paes: seu exército tem números expressivos na internet, mas ainda precisa encontrar reforços nos partidos e nas ruas para transformar a mobilização digital em força política efetiva.

Leo Pinheiro