Paulão 7 Cordas e Agenor de Oliveira comandam roda de samba no Catete, celebrando o legado de grandes mestres da música brasileira no Mês da Consciência Negra
Na terra onde o samba nasceu para ser cantado, celebrado e compartilhado, a tradição não pede licença para entrar na roda. Ela chega acompanhada de violão, cavaquinho, pandeiro e muita história para contar. No próximo dia 9 de novembro, o Glorioso Cultural, no Catete, Zona Sul do Rio, recebe mais uma edição do projeto Samba Livre, Leve e Solto, a partir das 20h00. Sob a direção musical de Paulão 7 Cordas, violonista conhecido por acompanhar Zeca Pagodinho, e com os vocais de Agenor de Oliveira, o encontro promete transformar a segunda-feira em uma celebração da cultura popular brasileira, reverenciando a ancestralidade negra e os compositores que ajudaram a construir a identidade do samba.
Realizado quinzenalmente, o projeto reúne músicos experientes e um público que não se contenta apenas em ouvir, mas também participa, canta e ajuda a manter viva a tradição das rodas cariocas. Nesta edição, o repertório presta homenagem a Nelson Sargento, Wilson Moreira, Candeia e Nei Lopes, nomes fundamentais da música brasileira e da valorização da cultura afro-brasileira. Parceiro de composição de Nelson Sargento, Agenor de Oliveira destaca a espontaneidade como uma das principais características do encontro. “É tradição viva, emoção sem ensaio”, resume o cantor. A proposta também abre espaço para improvisações, pedidos da plateia e interpretações que resgatam preciosidades pouco executadas do cancioneiro popular.
O samba não deixa a história desafinar
Além das homenagens, a apresentação percorre clássicos do samba de raiz e do choro, revisitando obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Monarco e Silas de Oliveira. Ao lado de Paulão e Agenor, a formação reúne Léo Pereira, no cavaquinho e voz; Ramón Araújo, no violão de sete cordas; Tiago Souza, no bandolim; e Bidu Campeche e Valdir Ribeiro, na percussão. A combinação de instrumentos e gerações reforça a proposta de preservar a essência do gênero sem transformá-lo em peça de museu. “O samba de raiz precisa respirar e se renovar a cada encontro”, afirma Paulão, que promete buscar raridades no repertório dos mestres e experimentar novos arranjos durante as apresentações.
A roda acontece no Glorioso Cultural, localizado na Rua do Catete, 97, com abertura da casa às 18h00 e início da música às 20h00. Os ingressos custam R$ 50 na bilheteria e também estão disponíveis pela plataforma Sympla. Com produção executiva de Paulo Cesar Figueiredo, da Orum Produções Artísticas, e coordenação artística de Elfi Kürten Fenske, o projeto conta com apoio cultural do Coletivo Sindicato do Samba e de Camilo Árabe. Mais do que uma programação musical, o Samba Livre, Leve e Solto reafirma, em pleno Mês da Consciência Negra, que preservar a memória do samba é também reconhecer a contribuição decisiva da população negra para a cultura nacional. Afinal, quando a história encontra o batuque, a tradição não fica parada no tempo: continua sambando.