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Papo de Líderes

A experiência só é vantagem quando continuamos dispostos a aprender

02/11/2026 • 07:02 • Por Felício Ferraz

Durante muitos anos acreditamos que a carreira seguia uma lógica relativamente previsível.

  1. Primeiro aprendíamos.
  2. Depois aplicávamos aquilo que havíamos aprendido.

Com o tempo acumulávamos experiência e essa experiência nos tornava progressivamente mais valiosos.

Mas, o mundo mudou.

Hoje, experiência continua sendo um ativo extraordinário, mas existe uma condição: ela precisa permanecer conectada à curiosidade. Caso contrário, aquilo que durante anos foi nossa maior vantagem pode lentamente se transformar em nossa maior limitação.

Tenho refletido bastante sobre isso nesta fase da minha vida profissional.

Depois de quase três décadas no mundo corporativo, experiências em dezenas de mercados, posições de liderança, salas de conselho, e inúmeras situações de negócios, seria fácil acreditar que existe pouco a aprender.

Acontece exatamente o contrário. Quanto mais aprendo, mais percebo a dimensão daquilo que ainda não sei.

Nos últimos anos precisei estudar temas que praticamente não existiam quando comecei minha carreira. Inteligência Artificial, novos modelos de trabalho, economia digital, transformação das relações profissionais, novas gerações entrando nas organizações e até novas maneiras de construir empresas.

Isso me fez perceber uma diferença fundamental: existe uma enorme distância entre ter trinta anos de experiência e repetir trinta vezes o mesmo ano de experiência.

  • A primeira situação produz sabedoria.
  • A segunda produz acomodação.

Provavelmente esse seja um dos grandes desafios dos profissionais mais seniores.

Nossa experiência cria atalhos mentais extremamente úteis. Olhamos para uma situação e rapidamente reconhecemos padrões que um profissional mais jovem vai levar muito tempo para perceber. E, isso é muito valioso.

Mas, o outro lado da moeda é que esse mesmo mecanismo pode nos enganar. Podemos começar a dizer:

  • "Já vi isso antes".
  • "Isso não vai funcionar".
  • "Sempre fizemos dessa maneira".

E, sem perceber, deixamos de analisar aquilo que mudou. É justamente aí que as gerações podem oferecer umas às outras algo extraordinário.

Profissionais experientes possuem repertório, contexto e capacidade de julgamento e profissionais mais jovens frequentemente trazem novas ferramentas, novas perguntas e menor apego à forma como as coisas sempre foram feitas.

Quando esses dois mundos competem, ambos perdem mas, quando esses dois mundo colaboram um com o outro, algo muito poderoso acontece.

Tenho aprendido muito com pessoas décadas mais jovens do que eu e, espero que elas também aprendam alguma coisa comigo.

E essa é a beleza desta fase da carreira: perceber que podemos ser simultaneamente professores e alunos.  Vejo isso na prática em minhas mentorias com jovens profissionais em ascensão.  Costumo usar a analogia do Guia 4 Rodas e o Waze.  Não esqueça da época que usávamos um mapa de papel para viajar (pode ser util em algum momenmto que a bateria do celular acabar).  Mas, também não resista a utilizar as novas tecnologias, ela pode nos facilitar muito e tem o famoso “recalculando rota” que é fundamental para o nosso momento de vida acelerada e mundo B.A.N.I. que vivemos.

A longevidade profissional não será garantida por aquilo que sabemos hoje, será determinada pela velocidade com que continuamos aprendendo amanhã.

Porque experiência continua sendo uma vantagem extraordinária, desde que ela nunca seja utilizada como desculpa para deixar de ser curioso.

Felício Ferraz

Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco - no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus.