Empresas públicas federais registraram déficit primário recorde no mês; saldo negativo acumulado em 2026 já alcança R$ 8,5 bilhões, segundo o Banco Central
O dinheiro público parece escorrer por um ralo cada vez maior. As empresas estatais federais fecharam setembro de 2026 com um déficit primário de R$ 2 bilhões, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Banco Central, em dezembro de 2001. O desempenho amplia a preocupação com as contas das companhias controladas pela União e reforça o debate sobre a gestão financeira dessas empresas durante o governo Lula.
O resultado representa uma deterioração significativa em relação a setembro de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 751 milhões. Além disso, as estatais federais registraram resultados negativos em setembro nos últimos cinco anos consecutivos. O cenário fica ainda mais preocupante quando observado o acumulado de janeiro a setembro deste ano, que chegou a R$ 8,5 bilhões, superando os R$ 6,3 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025 e estabelecendo um novo recorde histórico.
Correios pesam na balança
Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário está a crise financeira dos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, último resultado disponível, e passa por um processo de reestruturação para tentar recuperar o equilíbrio financeiro. A empresa também obteve autorização do Tesouro Nacional para contratar um empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia da União, medida que evidencia a dimensão dos desafios enfrentados pela companhia.
O Banco Central esclarece que o déficit primário, isoladamente, não permite avaliar a saúde financeira das empresas, já que os dados não distinguem despesas correntes de investimentos. Integrantes do governo também defendem que é necessário considerar os resultados operacionais e a capacidade de geração de receitas das companhias. O levantamento exclui Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras públicas, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Quando incluídas as estatais estaduais e municipais, o déficit total do grupo chegou a R$ 3,4 bilhões somente em setembro.