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Cruzeiro faz o impossível, vira o jogo da história e conquista a América nos pênaltis

01/11/2026 • 07:37 • Por João Vieira

A conquista representa um marco para o futebol feminino do Cruzeiro, que chegou à Libertadores pela primeira vez e encerrou sua participação com o troféu mais importante do continente

Foto: Divulgação/CONMEBOL

Após sair perdendo por 3 a 0, equipe mineira busca empate por 4 a 4 contra o Corinthians e conquista título inédito da Libertadores Feminina em decisão emocionante no Equador

A Libertadores Feminina ganhou uma nova rainha, e ela veste azul! Em uma final que parecia decidida antes mesmo da metade do segundo tempo, o Cruzeiro protagonizou uma das reações mais impressionantes da história da competição e conquistou, pela primeira vez, o título continental. Na noite deste sábado, 31, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, as Cabulosas superaram o Corinthians por 5 a 4 nos pênaltis, depois de um eletrizante empate por 4 a 4 no tempo regulamentar. O feito ganhou contornos ainda mais extraordinários porque as mineiras chegaram a estar perdendo por 3 a 0 diante das Brabas, maiores vencedoras do torneio, com seis conquistas. Mesmo após sofrerem o quarto gol quando ensaiavam uma recuperação, as cruzeirenses mantiveram a intensidade ofensiva e arrancaram o empate nos acréscimos, levando a decisão para as penalidades. A conquista encerrou a sequência de três títulos consecutivos do Corinthians e colocou o Cruzeiro na galeria dos campeões sul-americanos logo em sua primeira participação no torneio.

O Corinthians começou a partida demonstrando a força ofensiva que marcou sua campanha na competição e abriu o placar antes dos quatro minutos, quando Gi Fernandes cruzou pela direita e Gabi Zanotti cabeceou para o fundo da rede. Aos 42 minutos, uma falha na saída de bola do Cruzeiro permitiu que Vic Albuquerque recuperasse a posse e servisse Zanotti, que ampliou a vantagem paulista. Logo aos quatro minutos da etapa final, Vic Albuquerque recebeu dentro da área e marcou o terceiro, deixando o Timão muito próximo do heptacampeonato. Entretanto, a reação mineira começou apenas três minutos depois, quando Byanca Brasil aproveitou uma falha da goleira Lelê para diminuir. Aos 12 minutos, Vitória Calhau converteu um pênalti sofrido por Marília e recolocou o Cruzeiro na disputa. O Corinthians voltou a abrir dois gols de vantagem aos 22 minutos, com Vic Albuquerque aproveitando uma assistência de Gi Fernandes, mas a equipe celeste respondeu com Ketlin, após cobrança de escanteio de Byanca Brasil. Quando o título paulista parecia novamente encaminhado, Letícia Ferreira apareceu nos acréscimos e, com uma cabeçada certeira após cruzamento pela esquerda, marcou o quarto gol cruzeirense, transformando uma derrota praticamente consumada em uma decisão dramática.

Da reação à glória continental

A disputa por pênaltis prolongou o suspense e colocou à prova a resistência emocional das duas equipes. Byanca Brasil e Letícia Ferreira converteram as primeiras cobranças do Cruzeiro, enquanto Vic Albuquerque e Duda Sampaio mantiveram o Corinthians em igualdade. Na terceira série, Pri Back desperdiçou sua tentativa, mas Jaqueline também não conseguiu marcar para as paulistas. Michelle Romero e Vitória Calhau acertaram as cobranças seguintes das mineiras, acompanhadas por Belén Aquino e Thaís Ferreira pelo lado corintiano, levando a disputa para as alternadas. A tensão aumentou quando Lorena Bedoya errou para o Cruzeiro, oferecendo ao Corinthians a oportunidade de encerrar a decisão, mas Robledo também desperdiçou. Na sequência, Milena Ferreira colocou as Cabulosas novamente à frente, deixando a responsabilidade com Gi Fernandes. A cobrança foi defendida pela goleira Camila, que se tornou protagonista do lance decisivo e garantiu a vitória por 5 a 4. O desfecho premiou a persistência de uma equipe que resistiu a sucessivas desvantagens e encontrou forças para superar uma adversária acostumada a dominar o futebol feminino sul-americano.

A conquista representa um marco para o futebol feminino do Cruzeiro, que chegou à Libertadores pela primeira vez e encerrou sua participação com o troféu mais importante do continente. Comandadas por Jonas Urias, as Cabulosas construíram uma campanha de seis vitórias e um empate, superando adversárias como LDU Quito, Bolívar, Olimpia e Libertad antes de enfrentar o Corinthians na decisão. Além da glória esportiva, o clube mineiro garantiu uma premiação de US$ 2 milhões, aproximadamente R$ 10 milhões, enquanto as paulistas receberam US$ 600 mil pelo vice-campeonato. O resultado também reforçou a hegemonia brasileira na Libertadores Feminina, com clubes do país conquistando 15 das 18 edições realizadas desde a criação do torneio, em 2009. Apesar da derrota, o Corinthians permanece como o maior campeão da história, com seis títulos, seguido por São José, com três, e Santos e Ferroviária, com dois cada. Palmeiras e Cruzeiro completam a relação de vencedores brasileiros. Para as mineiras, entretanto, a noite em Quito ficará marcada por algo que ultrapassa números e estatísticas: a capacidade de transformar uma desvantagem de três gols em uma conquista histórica, demonstrando que, no futebol, nem mesmo uma final aparentemente resolvida está decidida antes do último apito.

João Vieira