Projeto MulheRio do Samba estreia nesta sexta-feira, no Glorioso Cultural, com oito musicistas e participações especiais de Dorina, Bia Aparecida e Lu Carvalho
O samba sempre teve mulheres que fizeram história, mas agora são elas que assumem o comando da roda, dos instrumentos e da batucada. Com talento, personalidade e muito ritmo, o projeto MulheRio do Samba estreia nesta sexta-feira, 30, às 20h00, no Glorioso Cultural, no Catete, reunindo oito instrumentistas e cantoras que compartilham a paixão por uma das mais autênticas expressões da cultura brasileira. A primeira edição contará com as participações especiais de Dorina, Bia Aparecida e Lu Carvalho, três artistas que chegam para enriquecer uma noite dedicada à força e à diversidade feminina na música. Idealizado por Clarisse Grova, o projeto nasce com a proposta de valorizar mulheres que não apenas interpretam o samba, mas também dominam seus instrumentos, elaboram arranjos e conduzem a pulsação das tradicionais rodas cariocas. O encontro promete transformar o espaço cultural em um ambiente de celebração, no qual diferentes gerações e trajetórias musicais se encontram para preservar a essência do gênero e apresentar novas possibilidades de interpretação. Com apresentações previstas mensalmente, sempre às sextas-feiras, o MulheRio do Samba pretende conquistar seu espaço na programação cultural da cidade, mostrando que a presença feminina vai muito além dos vocais e ocupa um lugar fundamental na construção, na renovação e na continuidade do samba brasileiro.
A formação reúne Clarisse Grova, responsável pela voz, tamborim, ganzá e violão; Dayse do Banjo, que canta e toca cavaquinho e banjo; Amanda Anibale, na voz, cavaquinho e violão; Márcia Guedes, na voz e violão; Cidinha Zanon, na voz e surdo; Bianca Calcagni, na voz, tantã e pandeiro; Mari Araújo, na voz e percussão; e Manu da Cuíca, que assume cuíca, pandeiro e surdo. São oito artistas com experiências e identidades próprias, unidas pelo compromisso de construir uma roda musical em que as mulheres ocupem todos os espaços de criação e execução. A diversidade de instrumentos e estilos permite explorar diferentes sonoridades, preservando a espontaneidade e a interação que caracterizam as rodas de samba. O repertório percorre a riqueza da música brasileira, valorizando grandes compositores e compositoras, obras de diferentes épocas e vertentes que ajudaram a consolidar o gênero como patrimônio cultural do país. A proposta é equilibrar tradição e personalidade artística, respeitando as raízes do samba sem abrir mão de novas interpretações e arranjos. Além da apresentação do grupo, cada edição abrirá espaço para convidados especiais, incluindo sambistas, cantores, compositores e instrumentistas, criando encontros musicais diferentes e ampliando o diálogo entre artistas. Na estreia, a presença de Dorina, Bia Aparecida e Lu Carvalho reforça essa proposta de intercâmbio, reunindo vozes femininas que contribuem para manter viva a tradição das rodas cariocas.
Na roda, quem manda são elas
Mais do que uma apresentação musical, o MulheRio do Samba surge como um espaço de convivência, valorização artística e reconhecimento do protagonismo feminino em um universo historicamente associado a grandes nomes masculinos. Ao longo das décadas, mulheres tiveram participação decisiva na formação e na evolução do samba, seja como compositoras, intérpretes, instrumentistas ou responsáveis pela preservação de tradições culturais. Muitas dessas trajetórias, entretanto, nem sempre receberam a mesma visibilidade concedida aos homens, especialmente no campo instrumental e na condução das rodas. O novo projeto procura contribuir para ampliar esse reconhecimento, colocando em evidência artistas que conhecem profundamente a linguagem do samba e participam ativamente de sua construção musical. A roda também aposta na proximidade com o público, característica essencial dos encontros tradicionais, nos quais a interação entre músicos e espectadores transforma cada apresentação em uma experiência coletiva. Entre versos, refrões, improvisos e batucadas, a proposta é criar uma atmosfera acolhedora e participativa, capaz de reunir diferentes gerações em torno da música. A coordenação musical é compartilhada por Clarisse Grova, Dayse do Banjo e Manu da Cuíca, enquanto a coordenação artística fica sob responsabilidade de Elfi Kürten Fenske. A produção executiva é assinada por Paulo Cesar Figueiredo, da Orum Produções Artísticas, com apoio cultural do Coletivo Sindicato do Samba e de Camilo Árabe. A união dessas profissionais e parceiros reforça o caráter coletivo da iniciativa, que pretende transformar cada encontro em uma celebração da diversidade e da criatividade feminina.
A estreia acontece no Glorioso Cultural, localizado na Rua do Catete, 97, na Zona Sul do Rio de Janeiro, espaço que receberá o público a partir das 18h, duas horas antes do início da roda de samba, marcado para as 20h00. Os ingressos antecipados estão disponíveis pela plataforma Sympla, e outras informações podem ser acompanhadas pelos perfis @mulheriodosamba e @gloriosocultural nas redes sociais. Com periodicidade mensal, o projeto pretende estabelecer um ponto de encontro para admiradores do samba e para quem deseja conhecer de perto o trabalho de instrumentistas e cantoras que ajudam a manter o gênero em constante movimento. A expectativa é que as futuras edições ampliem a participação de convidados, promovam novas combinações musicais e fortaleçam a presença das mulheres nos palcos e nas rodas da cidade. Ao reunir oito artistas com diferentes experiências, o MulheRio do Samba demonstra que a tradição carioca permanece viva justamente por sua capacidade de acolher novas vozes, interpretações e gerações. Entre o som do cavaquinho, a marcação do surdo, o balanço do pandeiro e a cadência da cuíca, o projeto promete mostrar que o samba não apenas tem voz feminina, mas também tem mulheres que dão o ritmo, comandam a roda e fazem a história continuar. Afinal, quando elas entram na roda, o samba ganha ainda mais força, diversidade e emoção.