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Esporte

Coração tricolor para de bater e futebol se despede de Émerson Leal aos 46 anos

27/10/2026 • 19:42 • Por João Vieira

Émerson Leal morreu aos 46 anos, em decorrência de complicações provocadas por um infarto sofrido durante uma partida de futebol com amigos

Foto: Divulgação/Grêmio FBPA

Campeão da Copa do Brasil de 2001 pelo Grêmio, ex-volante morreu após sofrer um infarto durante partida com amigos; jogador já havia enfrentado problemas cardíacos na carreira

O futebol perdeu um de seus antigos guerreiros do meio-campo, e o Grêmio viu partir um jogador que ajudou a escrever capítulos importantes de sua história. Émerson Leal, ex-volante do clube gaúcho, morreu nesta terça-feira, 27, aos 46 anos, em decorrência de complicações provocadas por um infarto sofrido durante uma partida de futebol com amigos. O ex-atleta estava internado havia uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Camilo, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde nasceu. A notícia provocou tristeza entre familiares, amigos, ex-companheiros de equipe e torcedores que acompanharam sua passagem pelo Tricolor no início dos anos 2000. Revelado nas categorias de base gremistas, Émerson integrou o elenco campeão da Copa do Brasil de 2001, uma das conquistas mais marcantes daquele período. Sua morte precoce também trouxe à memória os problemas cardíacos que já haviam interrompido sua trajetória profissional mais de duas décadas antes. Mesmo depois de deixar os gramados, o ex-jogador manteve a ligação com o esporte, participando de partidas recreativas que faziam parte de sua rotina.

O episódio que levou à internação aconteceu na última terça-feira, 20, quando Émerson disputava uma partida amadora e passou mal após aproximadamente 20 minutos de jogo. Um médico que estava no local iniciou imediatamente os procedimentos de reanimação, realizando massagens cardíacas enquanto aguardava a chegada da ambulância. O ex-volante foi encaminhado ao hospital em estado grave e permaneceu sob cuidados intensivos até a confirmação de sua morte. Segundo relatos de pessoas próximas, Émerson já havia apresentado sinais de mal-estar no sábado anterior, 17, durante outra partida de futebol. Na ocasião, sentiu dores no peito e precisou permanecer deitado no vestiário por cerca de 15 minutos, acreditando que os sintomas estivessem relacionados a uma alteração na pressão arterial. O histórico de problemas cardíacos tornava sua situação especialmente delicada. Em 2004, quando ainda defendia o Grêmio, exames médicos identificaram alterações que obrigaram o jogador a interromper temporariamente a carreira. O afastamento durou aproximadamente três anos, até que ele recebeu autorização médica para retornar ao futebol profissional, em 2007.

Uma carreira interrompida pelo coração

A trajetória de Émerson da Silva Leal começou nas categorias de base do Grêmio, em 1999, antes de sua promoção ao elenco principal, em 2001. Naquele ano, sob o comando do técnico Tite, o volante participou do grupo que conquistou o Campeonato Gaúcho e a Copa do Brasil, consolidando uma geração que marcou época no clube. Na temporada seguinte, também esteve presente nas campanhas que levaram o Tricolor às semifinais da Copa Libertadores da América e do Campeonato Brasileiro. Conhecido pela dedicação em campo e pela disposição na marcação, Émerson participou de 113 partidas oficiais pelo Grêmio e marcou cinco gols, conforme os números divulgados pelo próprio clube. Sua passagem pelo time gaúcho incluiu momentos de conquistas e dificuldades, até que os problemas cardíacos detectados em 2004 alteraram o rumo de sua carreira. Depois de um período afastado, voltou a jogar pelo Juventude e também defendeu equipes como Sport, Novo Hamburgo, Madureira, América-RN, Ulbra Canoas e Aimoré. Embora não tenha alcançado o mesmo protagonismo de sua passagem pelo Grêmio, manteve sua ligação com o futebol até encerrar a trajetória profissional.

O Grêmio lamentou oficialmente a morte do ex-jogador e prestou solidariedade à família e aos amigos, recordando sua participação nas conquistas de 2001 e nas campanhas importantes da temporada seguinte. A notícia também mobilizou antigos companheiros de equipe, que destacaram suas qualidades pessoais e o espírito coletivo demonstrado durante os anos em que vestiu a camisa tricolor. O ex-atacante Christian, que atuou ao lado de Émerson no clube, lamentou a perda e o descreveu como um profissional dedicado ao grupo e um grande amigo. Émerson deixa dois filhos e uma história marcada pela superação de dificuldades de saúde para continuar fazendo aquilo de que gostava: jogar futebol. Sua morte reacende a importância da atenção aos sintomas cardíacos, especialmente dores no peito e episódios de mal-estar durante atividades físicas, que exigem avaliação médica imediata. Para os torcedores gremistas, permanece a lembrança de um volante que participou de uma geração vencedora e ajudou a construir momentos importantes da história do clube. Aos 46 anos, Émerson Leal deixa os gramados definitivamente, mas seu nome permanece associado às conquistas e à memória do futebol gaúcho.

João Vieira