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Bateria fraca não é fim de linha para carros elétricos

25/10/2026 • 06:42 • Por Redação NTD

Com avaliações técnicas especializadas, é possível identificar problemas específicos, realizar reparos e prolongar a utilização da bateria

Foto: Divulgação/Kumpan Electric

Perda de capacidade ao longo dos anos não significa necessidade de substituição completa; diagnóstico especializado pode identificar reparos, prolongar a vida útil e reduzir custos para os proprietários

Nem toda bateria que perde o fôlego precisa ser aposentada. No universo dos carros elétricos, a passagem do tempo pode diminuir a autonomia dos veículos, mas isso está longe de significar que o coração do automóvel deixou de funcionar. Assim como acontece com celulares e outros equipamentos eletrônicos, as baterias automotivas sofrem desgaste natural após sucessivos ciclos de carga e descarga. A boa notícia para os motoristas é que essa perda gradual de capacidade não exige, necessariamente, a substituição de todo o conjunto, considerado um dos componentes mais caros de um veículo elétrico. Com avaliações técnicas especializadas, é possível identificar problemas específicos, realizar reparos e prolongar a utilização da bateria, evitando despesas desnecessárias e reduzindo o descarte prematuro de materiais.

O crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos no Brasil também aumenta a importância de desenvolver uma estrutura adequada para manutenção, reaproveitamento e reciclagem desses componentes. Segundo Carlos Roma, diretor técnico da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as baterias são projetadas para funcionar durante muitos anos e suportar milhares de ciclos de carregamento. Para determinar suas condições reais, especialistas utilizam sistemas de gerenciamento eletrônico, conhecidos como BMS, que monitoram temperatura, tensão e níveis de carga. Outro indicador fundamental é o chamado SOH, sigla em inglês para estado de saúde da bateria, capaz de apontar sua capacidade atual em relação à original. Dependendo dos resultados, o problema pode ser solucionado com intervenções em módulos ou componentes específicos, sem a necessidade de trocar todo o equipamento.

Uma nova carga de possibilidades

Mesmo quando uma bateria deixa de apresentar desempenho suficiente para movimentar um automóvel, sua trajetória pode estar longe do fim. Dependendo das condições técnicas e de segurança, o equipamento pode ganhar uma segunda vida em sistemas estacionários de armazenamento de energia, especialmente aqueles associados à geração solar e eólica. Nessas aplicações, características como peso e tamanho deixam de ser tão determinantes quanto no uso automotivo. A possibilidade de reaproveitamento depende, entretanto, do estado das células, da composição química e da viabilidade econômica da operação. Entre as tecnologias utilizadas atualmente estão as baterias de níquel, manganês e cobalto (NMC) e as de lítio-ferro-fosfato (LFP), que apresentam características distintas e exigem procedimentos específicos de manutenção e reciclagem.

Quando o reaproveitamento deixa de ser possível, entra em cena a reciclagem especializada, etapa fundamental para reduzir os impactos ambientais da eletrificação automotiva. Por meio de processos industriais que utilizam altas temperaturas ou tratamentos químicos, é possível recuperar materiais como níquel, cobre, alumínio e outros componentes que podem retornar à cadeia produtiva. Além de diminuir a necessidade de extração de novos recursos minerais, essa atividade abre oportunidades para empresas, oficinas especializadas e centros de pesquisa. O desafio brasileiro será acompanhar a expansão dos veículos eletrificados com investimentos em capacitação profissional, infraestrutura e segurança no tratamento das baterias. Para os consumidores, a principal mensagem é que perder autonomia não significa perder a bateria inteira: antes de considerar uma substituição completa, um diagnóstico especializado pode revelar alternativas mais econômicas e sustentáveis.