Atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Presidente reúne apoiadores na orla carioca na véspera da decisão presidencial e aposta em mobilização de última hora para conquistar votos
Na tentativa de virar a maré eleitoral, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu mergulhar em águas tradicionalmente favoráveis ao bolsonarismo. Neste sábado, 24, véspera do segundo turno das eleições presidenciais, o petista desembarcou na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para participar de uma caminhada com apoiadores e tentar ampliar sua força eleitoral no estado que representa a base política de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL). A escolha do cenário não foi por acaso. O Rio de Janeiro foi um dos estados em que Lula enfrentou forte resistência no primeiro turno, enquanto Flávio conquistou expressiva vantagem. Em todo o país, o senador terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos que colocou o Presidente diante do desafio de reverter o resultado nas urnas.
A concentração começou nas primeiras horas da manhã, nas proximidades do Posto 5 da Avenida Atlântica, onde militantes petistas ocuparam calçadas ao longo de pelo menos cinco quarteirões. Sob sol forte, organizadores distribuíram água aos participantes, enquanto bandeiras, camisetas vermelhas e palavras de ordem davam o tom da mobilização. Lula percorreu parte da orla em um veículo aberto, acompanhado da Primeira-Dama Janja, do vice-Presidente Geraldo Alckmin, do ex-prefeito Eduardo Paes e da deputada federal Benedita da Silva, entre outras lideranças políticas. Durante o ato, o Presidente voltou a atacar Flávio Bolsonaro e demonstrou confiança na própria reeleição. A caminhada também representou uma tentativa de disputar simbolicamente um dos principais palcos das manifestações bolsonaristas, em uma cidade onde a direita conquistou resultados expressivos nas últimas eleições.
Corrida contra as urnas
A passagem por Copacabana ocorreu em um momento decisivo para a campanha petista. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 53,01% dos votos no Rio de Janeiro, enquanto Lula conquistou 39,41%, evidenciando a dificuldade do Presidente em ampliar sua presença eleitoral no estado. A diferença também ajuda a explicar a escolha de Copacabana para uma das últimas demonstrações públicas de força do PT antes da votação. Apesar do discurso otimista, Lula enfrenta o desafio de conquistar eleitores que não apoiaram sua candidatura na primeira etapa da eleição, além de mobilizar os próprios simpatizantes para comparecer às urnas. Durante a caminhada, o Presidente destacou o chamado Exército do Lula, iniciativa de mobilização digital impulsionada pelo deputado André Janones, e afirmou acreditar que o movimento poderá alcançar 13 milhões de participantes até domingo.
Depois da passagem pelo Rio, Lula seguiu para São Paulo, onde programou o encerramento de sua campanha com uma caminhada na Avenida Paulista, acompanhado de ministros, ex-ministros e dirigentes partidários. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro também intensificou sua agenda eleitoral, participando de uma motociata em Belo Horizonte, ao lado de aliados como Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas, antes de seguir para uma carreata na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A movimentação dos dois candidatos nos maiores colégios eleitorais do país evidencia a importância dos últimos compromissos de campanha. Para Lula, a caminhada em Copacabana foi uma oportunidade de demonstrar capacidade de mobilização em território adversário. Para Flávio, o desafio é transformar a vantagem conquistada no primeiro turno em vitória definitiva. Neste domingo, 25, caberá aos eleitores decidir se a maré política continuará favorável ao bolsonarismo ou se Lula conseguirá uma virada na reta final.