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Esquerda em xeque, Espanha em chamas e direita avança rumo ao poder

24/10/2026 • 20:23 • Por Leo Pinheiro

Neste sábado, 24, uma manifestação antissistema transformou o centro da capital catalã em um cenário de caos, com lojas saqueadas, barricadas incendiadas, confrontos policiais e aproximadamente 100 pessoas detidas

Foto: Wilson Tovar/Unsplash

Barcelona registra 100 detenções, saques e incêndios em meio à crise política do governo socialista do Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, que enfrenta o avanço da direita e eleições antecipadas em 29 de novembro

A Espanha vive dias de tensão política, e Barcelona acaba de acrescentar fogo, destruição e violência a um cenário já marcado pela incerteza sobre o futuro do governo de esquerda do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Neste sábado, 24, uma manifestação antissistema transformou o centro da capital catalã em um cenário de caos, com lojas saqueadas, barricadas incendiadas, confrontos policiais e aproximadamente 100 pessoas detidas. Os tumultos ocorreram a pouco mais de um mês das eleições gerais antecipadas, convocadas para 29 de novembro de 2026, em meio ao desgaste da coalizão progressista que governa o país. Embora não haja confirmação de que a mobilização tenha sido organizada especificamente contra Sánchez, os episódios de violência acontecem em um momento de crescente polarização política e insatisfação social na Espanha.

A manifestação reuniu centenas de jovens na região da Praça da Catalunha, após convocações divulgadas pelas redes sociais sob o lema de protesto contra o sistema. Muitos participantes estavam vestidos de preto e utilizavam capuzes para esconder o rosto. A concentração rapidamente deu lugar a cenas de vandalismo, com vitrines destruídas, mercadorias roubadas, motocicletas derrubadas e contêineres incendiados. Segundo o balanço das autoridades, 14 estabelecimentos comerciais foram vandalizados ou saqueados e mais de 30 focos de incêndio foram registrados. A polícia regional catalã, conhecida como Mossos d'Esquadra, precisou mobilizar agentes de choque para conter os confrontos, enquanto comerciantes fechavam as portas e turistas buscavam proteção. Aproximadamente um quarto dos detidos era formado por menores de idade, ampliando a preocupação com a participação de adolescentes nos episódios de violência.

Esquerda sob pressão, direita em ascensão

Os acontecimentos de Barcelona coincidem com um dos momentos mais delicados da trajetória política de Pedro Sánchez, que lidera uma coalizão de esquerda formada pelo PSOE e forças progressistas. Após sucessivas dificuldades para construir maiorias parlamentares e derrotas em votações importantes, especialmente relacionadas às medidas de habitação, o primeiro-ministro anunciou a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro de 2026. A decisão representa uma tentativa de renovar seu mandato e conquistar uma base parlamentar mais ampla para sustentar as reformas defendidas pelo governo. Entretanto, o cenário eleitoral apresenta obstáculos significativos: o Partido Popular (PP), de centro-direita, e o Vox, de extrema-direita, aparecem fortalecidos nas pesquisas de intenção de voto, alimentando a possibilidade de uma mudança no comando político da Espanha. A crise habitacional, as dificuldades de negociação no Congresso e o desgaste da administração socialista estão entre os principais temas da disputa eleitoral.

A violência em Barcelona também provocou reações de autoridades e lideranças políticas. O prefeito da cidade, Jaume Collboni, condenou os atos de vandalismo e advertiu que os responsáveis enfrentarão consequências legais. O presidente do governo regional da Catalunha, Salvador Illa, também repudiou os confrontos. Já o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, aproveitou os acontecimentos para defender a necessidade de uma mudança política na Espanha. As autoridades catalãs, entretanto, ressaltaram que os tumultos não estavam vinculados diretamente às manifestações pacíficas por moradia realizadas na cidade. Com as eleições se aproximando, Sánchez enfrenta o desafio de recuperar a confiança dos eleitores e conter o avanço da oposição de direita, enquanto o país se prepara para uma disputa que poderá determinar a continuidade ou o encerramento de um dos governos de esquerda mais importantes da Europa.

Leo Pinheiro