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Clima de cuidado faz da temperatura do ambiente uma questão de saúde e bem-estar dos pets

24/10/2026 • 03:40 • Por Elaine Ribeiro

O que parece apenas um dia quente ou uma noite fria para os humanos pode representar um risco sério à saúde dos animais

Foto: Rafael Ishkhanyan/Unsplash

Calor excessivo e frio intenso podem provocar doenças graves e até a morte de cães e gatos; especialistas alertam que garantir um ambiente adequado é responsabilidade dos tutores e ajuda a prevenir maus-tratos

Se o clima esquenta demais, os pets podem entrar numa fria. E, quando a temperatura despenca, o perigo também aumenta. Embora sejam tratados como membros da família, cães e gatos nem sempre recebem a mesma atenção quando o assunto é conforto térmico. O que parece apenas um dia quente ou uma noite fria para os humanos pode representar um risco sério à saúde dos animais, especialmente daqueles que permanecem em quintais, varandas, áreas externas ou ambientes pouco ventilados. O calor excessivo pode provocar desidratação, hipertermia, falência de órgãos e até a morte, enquanto a exposição prolongada ao frio intenso aumenta o risco de hipotermia. Filhotes, animais idosos, de pequeno porte e aqueles com problemas de saúde estão entre os mais vulneráveis. Por isso, verificar regularmente a temperatura dos locais onde os pets vivem é uma medida simples que pode evitar sofrimento e salvar vidas.

Nos dias de calor, os tutores devem garantir ambientes frescos, ventilados, protegidos da exposição direta ao sol e com água limpa disponível permanentemente. Pisos excessivamente quentes, casinhas sem ventilação e espaços fechados podem se transformar em verdadeiras armadilhas térmicas. Deixar um animal dentro de um veículo estacionado, mesmo por poucos minutos, representa um perigo extremo, já que a temperatura interna pode subir rapidamente. Durante o inverno, os cuidados precisam ser adaptados: abrigos secos, protegidos da chuva e do vento, além de locais confortáveis para descanso, ajudam a preservar a saúde dos animais. Também é fundamental observar sinais de alerta, como respiração excessivamente ofegante, salivação intensa, fraqueza, tremores, apatia e dificuldade para respirar. Esses sintomas podem indicar emergências veterinárias e exigem atendimento imediato, principalmente quando associados à exposição a temperaturas extremas.

Conforto também é proteção

Um dos erros mais comuns é imaginar que, se a temperatura está agradável para as pessoas, também estará adequada para os animais. Na prática, cada pet possui necessidades térmicas específicas, determinadas por fatores como espécie, raça, idade, tipo de pelagem, porte físico e condições de saúde. Cães de focinho achatado, como buldogues e pugs, por exemplo, apresentam maior dificuldade para dissipar calor e podem sofrer complicações em temperaturas elevadas. Animais com pouca pelagem, idosos e filhotes, por outro lado, podem ser especialmente sensíveis ao frio. A observação do comportamento é tão importante quanto a medição da temperatura ambiente, pois mudanças na disposição, na respiração e na procura por locais mais frescos ou aquecidos podem indicar desconforto. Garantir condições adequadas exige atenção constante, sobretudo durante ondas de calor, frentes frias e mudanças bruscas no clima.

Além de uma demonstração de cuidado, proteger os animais contra temperaturas extremas é uma responsabilidade que também encontra respaldo na legislação brasileira. A Lei nº 9.605/1998 estabelece punições para práticas de abuso e maus-tratos contra animais, enquanto a Lei nº 14.064/2020 ampliou as penas nos casos envolvendo cães e gatos, prevendo reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. A exposição prolongada ao calor ou ao frio, quando associada à negligência e à ausência de proteção adequada, pode caracterizar maus-tratos, conforme as circunstâncias. Mais do que oferecer alimentação, água e carinho, os tutores precisam assegurar condições ambientais compatíveis com as necessidades de seus animais. Afinal, quem ama não deixa o pet passar calor, frio ou sofrimento: cuidado de verdade também se mede pela temperatura do ambiente.

Elaine Ribeiro