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Rubro-Negro fica sem fogo, cai nos pênaltis e dá adeus ao sonho do penta da Libertadores

23/10/2026 • 06:06 • Por Leo Pinheiro

O Flamengo entrou em campo sonhando com o pentacampeonato, mas saiu sem marcar um único gol nos 180 minutos da semifinal

Foto: Divulgação/CRF

Diante de mais de 72 mil torcedores no Maracanã, Flamengo não consegue marcar nem com um jogador a mais, perde por 3 a 2 nos pênaltis para o Estudiantes e vê argentinos avançarem à final contra o Palmeiras

O Maracanã estava lotado, a torcida fez sua parte, mas o Flamengo esqueceu de colocar fogo no jogo. Em uma noite que prometia festa e terminou em frustração, o Rubro-Negro foi eliminado da Copa Libertadores de 2026 pelo Estudiantes, da Argentina, após novo empate sem gols e derrota por 3 a 2 na disputa de pênaltis, nesta quinta-feira, 22. Diante de 72.492 torcedores, a equipe comandada por Leonardo Jardim desperdiçou a oportunidade de disputar mais uma final continental e buscar o quinto título de sua história. O resultado foi especialmente doloroso porque o Flamengo atuou com um jogador a mais durante quase todo o segundo tempo, depois da expulsão de Baltasar Rodríguez, mas não conseguiu transformar a superioridade numérica em gols. O time teve maior posse de bola, pressionou o adversário e acumulou cruzamentos, porém encontrou dificuldades para criar oportunidades realmente perigosas. Do outro lado, o Estudiantes demonstrou organização defensiva, resistiu à pressão e levou a decisão para as penalidades. O Flamengo entrou em campo sonhando com o pentacampeonato, mas saiu sem marcar um único gol nos 180 minutos da semifinal. E, quando chegou a hora de decidir a classificação na marca da cal, o goleiro uruguaio Fernando Muslera transformou a esperança rubro-negra em pesadelo.

A partida começou com o Flamengo tentando assumir o controle das ações, mas a ansiedade e a falta de criatividade comprometeram as jogadas ofensivas. Mesmo atuando em casa, o time carioca encontrou dificuldades para superar a marcação argentina, que fechava os espaços e explorava as oportunidades de contra-ataque. O Estudiantes chegou a assustar com uma cabeçada de González Pírez, defendida por Rossi, e um chute de Baltasar Rodríguez que acertou a trave. Pelo lado rubro-negro, Pedro participou das principais tentativas de ataque, mas as finalizações não foram suficientes para alterar o placar. A situação parecia mudar no início da segunda etapa, quando Baltasar recebeu o segundo cartão amarelo após cometer falta em Samuel Lino e deixou os visitantes com dez jogadores. Com a vantagem numérica, o Flamengo passou a dominar territorialmente o confronto, mas continuou esbarrando na defesa adversária. Leonardo Jardim promoveu as entradas de Arrascaeta, Bruno Henrique e Gonzalo Plata na tentativa de aumentar a presença ofensiva. Mesmo assim, as chances claras foram escassas. Plata obrigou Muslera a realizar uma defesa importante após passe de Lucas Paquetá, enquanto o próprio Paquetá cabeceou rente à trave nos minutos finais. O Flamengo tinha a bola, o apoio das arquibancadas e um jogador a mais, mas faltou justamente o essencial: transformar o domínio em gol. Com dois empates por 0 a 0 na semifinal, a classificação precisou ser definida nos pênaltis.

Muslera apaga o sonho rubro-negro

Na disputa decisiva, o goleiro Fernando Muslera assumiu o protagonismo e se tornou o grande personagem da classificação argentina. O Flamengo começou com Arrascaeta convertendo sua cobrança, mas viu a situação se complicar quando Jorginho desperdiçou o segundo pênalti, defendido pelo uruguaio. O Estudiantes também perdeu uma cobrança com Cetré, que precisou repetir a batida após um toque duplo e mandou a bola para fora. A oportunidade de recuperação, entretanto, foi desperdiçada pelo Rubro-Negro. Lucas Paquetá também parou em Muslera, enquanto os argentinos seguiram aproveitando suas chances. Léo Pereira ainda manteve o Flamengo vivo ao converter sua penalidade, mas Bruno Henrique, responsável pela cobrança seguinte, voltou a encontrar o goleiro adversário pela frente. Com três defesas, Muslera garantiu a vitória do Estudiantes por 3 a 2 e silenciou o Maracanã. O desfecho ampliou a frustração de uma torcida que esperava uma atuação mais convincente de um elenco repleto de jogadores experientes e acostumados a grandes decisões. A eliminação também levantou questionamentos sobre as escolhas de Leonardo Jardim, especialmente pela dificuldade da equipe em encontrar alternativas ofensivas diante de um adversário fechado. Após o jogo, o treinador reconheceu a decepção e afirmou que, apesar do domínio territorial, o Flamengo não conseguiu produzir a presença necessária na área para transformar a posse de bola em oportunidades de gol.

Com a eliminação, o Flamengo encerra sua participação na Libertadores sem conseguir repetir a conquista da temporada anterior e terá agora o Campeonato Brasileiro como principal objetivo até o fim de 2026. O Rubro-Negro lidera a competição nacional e precisa recuperar rapidamente o desempenho ofensivo para não permitir que a frustração continental comprometa sua campanha. O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, na segunda-feira, 26, às 20h, no Maracanã, pela 32ª rodada. Enquanto isso, o Estudiantes comemora o retorno à decisão da Libertadores pela primeira vez desde 2009 e se prepara para enfrentar o Palmeiras no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, no fim de novembro. A classificação argentina também confirma uma final entre representantes de Brasil e Argentina, depois de o Palmeiras eliminar o Fluminense na outra semifinal. Para o Flamengo, a derrota deixa uma lição incômoda: investimento, tradição e superioridade técnica não garantem classificação quando faltam eficiência e capacidade de decisão. O time que sonhava em conquistar a América terminou eliminado sem balançar as redes em dois jogos, mesmo contando com o apoio de mais de 72 mil torcedores no Maracanã. No fim, o Estudiantes precisou de organização, resistência e um goleiro inspirado para alcançar a final. Já o Flamengo descobriu da maneira mais amarga que, na Libertadores, ter a bola não basta: é preciso saber o que fazer com ela.

Leo Pinheiro