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Operação aplica R$ 86,8 milhões em multas e aperta o cerco contra crimes ambientais em Mato Grosso

21/10/2026 • 20:16 • Por Redação NTD

Participaram da força-tarefa a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Dema, Politec, Ciopaer, e Sema-MT

Foto: Divulgação/Sema-MT

Força-tarefa fiscaliza mais de 10 mil hectares em Aripuanã e Colniza, apreende armas e munições e identifica ocupação irregular em área embargada no noroeste do estado

O cerco contra os crimes ambientais está se fechando no noroeste de Mato Grosso, e a conta para os infratores pode ser milionária. A Operação Abafa Amazônia II, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, terminou com R$ 86,8 milhões em multas ambientais, após 13 dias de fiscalização em uma das regiões mais pressionadas pelo desmatamento ilegal e pelas queimadas. Encerrada no sábado, 17, a força-tarefa percorreu 10.397,08 hectares nos municípios de Aripuanã e Colniza, com atenção especial ao distrito de Guariba, área que concentra indícios de exploração florestal irregular, ocupações clandestinas e uso indevido do fogo. Além das autuações, os agentes apreenderam três armas de fogo e munições, identificaram sinais de ocupação recente em uma área embargada e utilizaram aeronaves para alcançar localidades de difícil acesso. O resultado evidencia a dimensão das irregularidades investigadas e a necessidade de manter a fiscalização em uma região estratégica para a preservação da Amazônia mato-grossense. Embora o valor das penalidades impressione, os R$ 86,8 milhões representam multas aplicadas, e não dinheiro já arrecadado pelos cofres públicos, uma vez que os procedimentos administrativos ainda podem envolver recursos e outras etapas legais.

A operação reuniu diferentes órgãos estaduais e federais em uma ação integrada para combater atividades ilegais e ampliar a presença do poder público em áreas consideradas prioritárias. Participaram da força-tarefa a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A escolha dos locais fiscalizados foi orientada por levantamentos de geomonitoramento e informações sobre possíveis infrações ambientais. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontavam uma concentração elevada de focos de calor no noroeste mato-grossense, mesmo durante o período de proibição do uso do fogo. Segundo o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, tenente-coronel Heitor Alves de Souza, a integração entre as instituições permitiu direcionar as equipes para regiões de maior risco, identificar situações que exigiam intervenção imediata e ampliar a capacidade de fiscalização. A atuação combinou patrulhamento terrestre, reconhecimento aéreo e inspeções em áreas desmatadas ou com suspeitas de ocupação irregular, buscando impedir a continuidade de práticas capazes de provocar danos à vegetação, à biodiversidade e à segurança das comunidades locais.

Armas escondidas e ocupações clandestinas

Um dos episódios que mais chamaram a atenção ocorreu em Colniza, município apontado no balanço oficial como aquele com maior número de focos de calor em Mato Grosso. Durante a fiscalização de uma área embargada, os agentes encontraram sinais de ocupação recente e localizaram um barraco aparentemente utilizado pouco antes da chegada das equipes. No interior da construção havia um aparelho celular, um fogão e uma panela ainda quentes, indicando movimentação recente no local. Ao revistar o imóvel, os militares encontraram, escondida sob um colchão, uma garrucha calibre .22, com dois canos, além de um recipiente contendo dez munições do mesmo calibre. Em Aripuanã, outras duas armas foram apreendidas: espingardas dos calibres .32 e .20. As apreensões reforçaram a necessidade de apurar as circunstâncias das ocupações identificadas e a eventual relação entre as armas e as atividades investigadas, sem que sua simples presença permita concluir, isoladamente, quem seria responsável pelas infrações ambientais. Para ampliar o alcance da operação, o Ciopaer disponibilizou apoio aéreo, permitindo o transporte de agentes, o sobrevoo de áreas suspeitas e a identificação de possíveis invasões, queimadas e pontos de desmatamento. A utilização das aeronaves foi especialmente importante diante das dificuldades de acesso a regiões remotas, onde a distância e as condições das estradas podem comprometer a rapidez das ações de fiscalização.

O balanço da Operação Abafa Amazônia II também reacende o alerta sobre o uso irregular do fogo em Mato Grosso. Desde 1º de julho, está proibida a utilização de fogo para limpeza e manejo de áreas rurais em todo o estado, restrição que permanece em vigor até 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, a proibição vale durante o ano inteiro. A medida busca reduzir os riscos de incêndios florestais, especialmente durante períodos de vegetação seca e temperaturas elevadas, quando pequenos focos podem se espalhar rapidamente e provocar prejuízos ambientais, econômicos e à saúde da população. Apesar dos resultados expressivos da fiscalização, o desafio não termina com a aplicação das multas. O balanço divulgado não detalha quantos autos de infração foram lavrados, a distribuição dos valores entre os municípios nem o montante efetivamente recolhido, informações fundamentais para acompanhar a responsabilização dos envolvidos. Também será necessário avaliar a recuperação das áreas degradadas e a continuidade da presença dos órgãos de fiscalização após o encerramento da operação. A população pode denunciar queimadas e outras situações de risco pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros, e 190, da Polícia Militar. Mais do que aplicar multas milionárias, o verdadeiro desafio é impedir que a destruição continue. A Operação Abafa Amazônia II demonstra que o combate aos crimes ambientais exige vigilância permanente, integração entre as forças de segurança e medidas capazes de transformar autuações em proteção efetiva das florestas.