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Vasco brigou para jogar no Maracanã, passou vergonha em campo e deixou um rastro de destruição nas arquibancadas

21/10/2026 • 10:17 • Por Leo Pinheiro

A derrota vascaína terminou com denúncias de cadeiras quebradas e banheiros danificados nas dependências do estádio

Imagem: Fotos: Reprodução/Facebook

Após ironizar os rivais e vencer a disputa judicial pelo estádio, Cruzmaltino perde para o Boca Juniors, dá adeus à Sul-Americana e vê festa terminar sob denúncias de vandalismo

Dizem que quem ri por último ri melhor, mas o Vasco resolveu inverter o ditado: riu primeiro, provocou os rivais, e acabou chorando por último. Depois de uma intensa batalha judicial contra Flamengo e Fluminense para disputar a semifinal da Copa Sul-Americana no Maracanã, o clube cruzmaltino conseguiu o estádio que tanto desejava, mas não o resultado que esperava. A derrota por 3 a 1 para o Boca Juniors, diante de mais de 60 mil torcedores, transformou o sonho da classificação em um pesadelo. E a frustração não ficou restrita ao gramado.  A partida terminou com denúncias de cadeiras quebradas e banheiros danificados nas dependências do estádio. A ironia ganhou força porque, horas antes da eliminação, torcedores vascaínos haviam chegado ao Maracanã em clima de festa, fazendo provocações justamente aos dois clubes responsáveis pela concessão e administração do complexo. O Vasco venceu a briga para entrar no estádio, mas saiu eliminado, com a torcida frustrada, e uma nova polêmica sobre os danos ao patrimônio.

O clima de provocação começou antes mesmo da entrada dos torcedores no estádio. Torcedores do Vasco ironizaram Flamengo e Fluminense na chegada ao Maracanã, utilizando faixas, gritos e mensagens para debochar dos rivais, que integram o consórcio responsável pela concessão do estádio. Expressões como “Síndico não é dono” e “São Januário é meu, o Maraca é nosso” resumiam o sentimento de vitória dos cruzmaltinos depois da disputa judicial que garantiu a realização da partida no local. A escolha do Maracanã havia provocado uma longa controvérsia, com Flamengo e Fluminense apresentando objeções relacionadas às condições de utilização do estádio, ao calendário esportivo e à preservação de suas instalações. O Vasco, por sua vez, insistiu que tinha o direito de disputar uma semifinal internacional em um palco capaz de receber um público maior, transformando a questão em uma demonstração de força institucional. A decisão favorável ao clube foi comemorada como uma vitória sobre os rivais cariocas. Entretanto, quando a bola rolou, o cenário mudou rapidamente. O Boca Juniors abriu o placar logo aos três minutos, ampliou ainda no primeiro tempo e colocou o Vasco em situação desesperadora. A vantagem obtida com a vitória por 1 a 0 na Bombonera desapareceu diante de uma equipe argentina mais organizada e eficiente. A festa de quem havia chegado ao estádio rindo dos adversários começou a perder o brilho antes mesmo do intervalo.

Riram na entrada, choraram na saída

O Vasco ainda tentou reagir no segundo tempo, quando Puma Rodríguez diminuiu a diferença e devolveu momentaneamente a esperança à torcida. Com o placar agregado empatado, a possibilidade de decidir a vaga nos pênaltis voltou a empolgar as arquibancadas. Mas a reação terminou de maneira amarga: aos 42 minutos, Leandro Paredes arriscou um chute de longa distância, e Léo Jardim falhou ao permitir o terceiro gol argentino. A eliminação provocou enorme frustração entre os vascaínos, que haviam transformado a disputa pelo estádio em parte importante da mobilização para a semifinal. O que deveria ser uma noite de afirmação esportiva terminou com a classificação do Boca Juniors e com relatos de depredação das instalações do Maracanã.  Cadeiras foram quebradas e banheiros apresentaram danos causados por integrantes da torcida vascaína. As imagens divulgadas nas redes sociais mostram estragos que deverão ser avaliados pelos responsáveis pela administração do estádio. Até o momento, não há confirmação independente de um balanço definitivo dos prejuízos nem identificação pública de todos os envolvidos. A eventual responsabilização deverá considerar as provas disponíveis e os autores dos atos, sem generalizar o comportamento de uma parcela dos torcedores para as mais de 60 mil pessoas presentes. Ainda assim, as denúncias acrescentaram um componente de constrangimento à derrota, e reacenderam a discussão sobre a preservação de um dos principais patrimônios esportivos do país.

A sequência de acontecimentos transformou a semifinal em uma história de ironias difíceis de ignorar. O Vasco enfrentou o consórcio Fla-Flu, conseguiu autorização judicial para utilizar o Maracanã, mobilizou sua torcida e viu seus torcedores chegarem ao estádio provocando os rivais que administram o espaço. Entretanto, a comemoração antecipada não resistiu aos 90 minutos. Além da eliminação, o clube passou a conviver com as denúncias de vandalismo, e com uma controvérsia envolvendo a utilização de camarotes reservados às diretorias de Flamengo e Fluminense. O diretor comercial do consórcio, Dilson Motta, registrou uma ocorrência policial relacionada à presença de pessoas ligadas ao Vasco em uma dessas áreas, episódio que também deverá ser esclarecido. Para Flamengo e Fluminense, que haviam sido alvos das provocações antes da partida, o resultado representou uma inversão simbólica do clima de festa criado pelos adversários. Para o Vasco, restaram a frustração esportiva e a necessidade de lidar com as consequências de uma noite que prometia ser histórica. No fim, o velho ditado ganhou uma versão especialmente cruel para os cruzmaltinos: quem ri por último ri melhor, mas quem provoca primeiro corre o risco de chorar por último. O Vasco fez questão de jogar no Maracanã para celebrar diante de mais gente, e acabou transformando o estádio em palco de uma derrota monumental.

Leo Pinheiro