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Malévola vira manchete no Egito: Prisão de brasileira provoca escândalo internacional

21/10/2026 • 09:44 • Por João Vieira

A influenciadora brasileira Mariana Alves Gadelha Pereira, de 22 anos, conhecida como Malévola Alves, foi presa no Egito e virou assunto nos jornais do país

Foto: Reprodução/Instagram

Influenciadora e amiga são detidas após vídeos considerados obscenos pelas autoridades egípcias; jornais locais repercutem o caso, e defesa tenta garantir a libertação das brasileiras

O nome é Malévola, mas a viagem que deveria render boas histórias para as redes sociais acabou se transformando em um pesadelo internacional. A influenciadora brasileira Mariana Alves Gadelha Pereira, de 22 anos, conhecida como Malévola Alves, foi presa no Egito e virou assunto nos jornais do país, depois que vídeos publicados durante sua viagem provocaram a reação das autoridades locais. A brasileira e sua amiga Bruna Mercatelli, ambas mulheres trans, foram detidas na terça-feira, 20, na cidade de Alexandria, sob acusações relacionadas a comportamentos considerados obscenos, insinuações sexuais, e suposto assédio a pedestres. As imagens, que circularam pelas redes sociais, mostram interações das turistas com homens em espaços públicos, incluindo beijos e contatos físicos. O episódio ganhou repercussão na imprensa egípcia, que destacou as acusações e o comportamento das visitantes. Enquanto as autoridades sustentam que as gravações violaram normas locais, a defesa das brasileiras busca esclarecimentos e medidas para garantir sua segurança. O caso também levantou preocupações sobre o tratamento dispensado a pessoas LGBTQIA+ no país.

A repercussão ganhou força depois que o Ministério do Interior do Egito divulgou um comunicado oficial confirmando a detenção das duas turistas. Segundo a pasta, as brasileiras teriam produzido vídeos com gestos de conotação sexual e abordagens inadequadas a pessoas que circulavam pelas ruas, publicando posteriormente o material para aumentar o número de visualizações. O governo egípcio afirmou que ambas admitiram ter gravado e divulgado os conteúdos, versão que ainda depende de avaliação no âmbito da investigação. A imprensa local reproduziu as informações oficiais e adotou diferentes abordagens para apresentar o episódio. O jornal Al-Wafd destacou as acusações de movimentos exibicionistas e assédio a transeuntes, enquanto o portal Al-Raees News classificou os vídeos como ofensivos aos padrões de comportamento locais. Já o site Newsroom chamou a atenção por utilizar uma manchete transfóbica sobre a identidade de gênero da influenciadora. A cobertura também repercutiu críticas de internautas egípcios, que questionaram a conduta das turistas e cobraram respeito aos costumes do país. A dimensão alcançada pelo episódio transformou uma controvérsia nas redes sociais em um caso acompanhado pela imprensa internacional.

Das redes sociais à delegacia

Antes da confirmação oficial da prisão, Malévola havia relatado momentos de desespero durante a abordagem policial. Segundo a influenciadora, agentes interromperam um passeio em Alexandria, recolheram os passaportes das integrantes do grupo e as conduziram a uma delegacia. Ela também afirmou que os policiais fizeram perguntas sobre sua identidade de gênero e a de sua amiga. As mensagens publicadas nas redes sociais despertaram preocupação entre seguidores e pessoas próximas, que passaram a compartilhar pedidos de ajuda e informações sobre o paradeiro das brasileiras. O caso ganhou contornos ainda mais delicados porque o Egito possui um histórico de repressão a pessoas LGBTQIA+, embora sua legislação não criminalize expressamente a homossexualidade ou a identidade transgênero. Organizações de direitos humanos apontam que dispositivos relacionados à moralidade pública e aos costumes sociais são utilizados pelas autoridades em investigações envolvendo essa população. Uma amiga das influenciadoras, Bruna Tivo, contestou a versão oficial sobre o caráter sexual dos vídeos e afirmou acreditar que as duas estejam sendo perseguidas por serem mulheres trans. As alegações de comportamento inadequado e a suspeita de discriminação são questões distintas que ainda precisam ser esclarecidas, sem que a divulgação de vídeos ou a prisão constituam prova definitiva de crime.

A defesa de Malévola informou que mantém contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com as autoridades egípcias para acompanhar a situação e assegurar o respeito aos direitos da influenciadora. O advogado Jonatha Carvalho Matos afirmou que o caso está sendo tratado como prioridade e que trabalha para viabilizar a libertação da brasileira. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, 21, a defesa demonstrou expectativa de que Malévola pudesse ser solta nas horas seguintes, mas não havia confirmação oficial das autoridades egípcias sobre sua libertação até a atualização das reportagens consultadas. O Ministério Público local ficou responsável pela investigação, enquanto permanecem dúvidas sobre as acusações formais, os procedimentos judiciais e as condições de eventual liberação. Com aproximadamente 900 mil seguidores no TikTok, a influenciadora ganhou popularidade produzindo conteúdos de humor, moda e cotidiano, mas agora enfrenta uma situação muito diferente daquela que costuma compartilhar com seu público. O caso mostra como uma publicação feita para conquistar visualizações pode provocar consequências inesperadas ao atravessar fronteiras culturais e jurídicas. Entre acusações de desrespeito aos costumes egípcios e denúncias de possível discriminação, a prioridade é esclarecer os fatos e garantir que as brasileiras tenham acesso à defesa e a um tratamento compatível com seus direitos fundamentais.

João Vieira