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Mato Grosso dá um voto de confiança às urnas e registra menor abstenção em quatro eleições presidenciais

21/10/2026 • 06:03 • Por Redação NTD

Segundo o TRE-MT, na votação de 4 de outubro de 2026, 77,80% dos eleitores compareceram às urnas, enquanto 22,20% deixaram de votar

Foto: Divulgação/TRE-MT

Levantamento do TRE-MT revela comparecimento de 77,80% dos eleitores em 2026, destaca participação das mulheres e aponta diferenças expressivas entre jovens e pessoas mais velhas

Em uma eleição na qual cada voto pode fazer a diferença, Mato Grosso mostrou que a participação democrática continua mobilizando milhões de cidadãos. O estado registrou a menor taxa de abstenção dos últimos quatro primeiros turnos de eleições presidenciais, segundo levantamento divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na votação de 4 de outubro de 2026, 77,80% dos eleitores compareceram às urnas, enquanto 22,20% deixaram de votar. Dos 2.638.230 cidadãos aptos a participar do pleito, 2.052.599 exerceram o direito ao voto e 585.631 não compareceram. Embora o número de ausentes ultrapasse meio milhão, os dados revelam uma tendência positiva: proporcionalmente, menos eleitores ficaram fora da votação do que nas eleições de 2014, 2018 e 2022. O resultado contraria a percepção de que a ausência nas urnas estaria aumentando continuamente e demonstra que, apesar da polarização política e dos desafios enfrentados pelo processo eleitoral, a participação dos mato-grossenses permanece expressiva. A redução da abstenção ganha ainda mais relevância diante do crescimento do eleitorado estadual, que passou de aproximadamente 2,19 milhões de pessoas em 2014 para 2,64 milhões em 2026, uma ampliação de quase 449 mil cidadãos.

A análise histórica mostra que a abstenção em Mato Grosso atingiu 22,91% em 2014, subiu para 24,55% em 2018, recuou para 23,38% em 2022 e chegou aos atuais 22,20% em 2026. Isso significa uma redução de 2,35 pontos percentuais em relação a 2018, ano que apresentou o maior índice de ausência entre os quatro pleitos analisados. Apesar da queda proporcional, o número absoluto de eleitores que não votaram aumentou ao longo do período, passando de 501.621 em 2014 para 585.631 neste ano, fenômeno explicado principalmente pelo crescimento da população eleitoral. Na comparação nacional, Mato Grosso também apresentou números próximos à média brasileira. Considerando os eleitores residentes no país e no exterior, a abstenção nacional no primeiro turno de 2026 foi de 21,08%, com 33.468.233 ausências entre 158.745.463 pessoas aptas a votar. O percentual mato-grossense ficou 1,12 ponto percentual acima da média nacional. Quando considerados exclusivamente os eleitores residentes no Brasil, a taxa nacional foi de 20,84%, ampliando a diferença para 1,36 ponto percentual. Os números indicam que o estado acompanha de perto o comportamento eleitoral do país, embora ainda apresente um índice ligeiramente superior de não comparecimento.

Mulheres e eleitores mais velhos puxam a participação

O levantamento do TRE-MT também revela diferenças importantes entre gerações e gêneros. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, para quem o voto é facultativo, a participação alcançou 77,76%, praticamente o mesmo percentual registrado no conjunto do eleitorado estadual. Dos 41.787 jovens aptos nessa faixa etária, 32.492 compareceram às urnas. O comportamento muda entre os jovens adultos: a abstenção foi de 20,14% aos 18 anos, subiu para 27,17% aos 19 e chegou a 29,39% aos 20. O maior índice entre os grupos com menos de 70 anos apareceu na faixa de 21 a 24 anos, com 30,80% de ausência. Nesse segmento, 59.056 dos 191.730 eleitores não participaram da votação. Entre 25 e 29 anos, a abstenção foi de 26,98%. Somadas, as ausências dos eleitores de 18 a 29 anos chegaram a 160.119, representando aproximadamente 27,34% de todas as faltas registradas no estado. Em contrapartida, os eleitores mais velhos apresentaram participação significativamente maior. Na faixa de 55 a 59 anos, o comparecimento chegou a 85,57%, enquanto entre 60 e 64 anos atingiu 85,71%, o maior percentual de todas as idades analisadas. Nesse último grupo, apenas 14,29% deixaram de votar, menos da metade da taxa observada entre os jovens de 21 a 24 anos. A diferença evidencia um contraste geracional que poderá orientar futuras campanhas de conscientização sobre a importância do voto.

As mulheres também se destacaram pelo maior comparecimento eleitoral em Mato Grosso. Entre as 1.355.774 eleitoras aptas, 1.076.284 participaram do primeiro turno, o equivalente a 79,39% de presença, enquanto 279.490 não votaram. Já entre os homens, o comparecimento foi de aproximadamente 76,13%, com 976.312 votantes e 306.123 ausentes. A abstenção masculina atingiu 23,87%, contra 20,61% entre as mulheres, uma diferença de 3,26 pontos percentuais. O resultado demonstra que o eleitorado feminino, além de representar a maior parcela dos cidadãos aptos a votar no estado, também apresentou maior disposição para participar da escolha dos representantes políticos. Para a Justiça Eleitoral, os indicadores oferecem informações importantes sobre os grupos que mais comparecem às urnas e aqueles que ainda enfrentam dificuldades ou demonstram menor participação. Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, os dados ganham relevância adicional, pois a mobilização dos eleitores poderá influenciar o resultado da disputa. Quem não compareceu ao primeiro turno poderá votar normalmente no segundo, desde que esteja com o título eleitoral regular, mesmo que ainda não tenha justificado a ausência anterior. Ao registrar a menor abstenção proporcional em quatro eleições presidenciais, Mato Grosso demonstra que o eleitorado está longe de abandonar as urnas. O desafio agora é ampliar essa participação, especialmente entre os jovens adultos, para que a democracia continue ganhando força a cada eleição.