Notícia Todo Dia NTD
MT

Deputada federal do PL de Mato Grosso lidera ofensiva no Congresso e apresenta pedido de CPMI para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger

20/10/2026 • 05:17 • Por Redação NTD

A proposta, de autoria da parlamentar mato-grossense, já contabiliza 86 assinaturas de deputados e senadores

Foto: Reprodução/Instagram

Coronel Fernanda é autora do requerimento que reúne 86 assinaturas, mobiliza a oposição e amplia a pressão sobre o governo Lula em meio à disputa presidencial

A investigação sobre as relações entre o filho do Presidente Lula e a lobista Roberta Luchsinger pode ganhar um novo capítulo no Congresso Nacional, desta vez por iniciativa de uma parlamentar de Mato Grosso. A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) assumiu o protagonismo da articulação ao apresentar o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger. A proposta, de autoria da parlamentar mato-grossense, já contabiliza 86 assinaturas de deputados e senadores, nesta segunda-feira, 19, e ganhou repercussão por atrair apoios de diferentes partidos, inclusive de integrantes da base governista. A iniciativa surge após novas declarações de Roberta sobre supostas relações com autoridades federais e sua disposição de negociar uma colaboração premiada. Em plena reta final da eleição presidencial, marcada para domingo, 25, a movimentação coloca Coronel Fernanda no centro de uma articulação política que pretende levar ao Parlamento a apuração de possíveis irregularidades envolvendo pessoas próximas ao Palácio do Planalto.

A deputada Coronel Fernanda é a autora do requerimento e responsável pela iniciativa parlamentar, que também conta com a participação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) na mobilização de apoios. Para que a CPMI possa ser formalmente requerida, são necessárias pelo menos 198 assinaturas, sendo 171 de deputados federais e 27 de senadores. Entre os nomes citados na articulação aparecem Flávio Bolsonaro, Sergio Moro, Magno Malta, Marcos Rogério, Hamilton Mourão, Rogério Marinho, Jorge Seif, Sóstenes Cavalcante, Bia Kicis, Carlos Jordy e Gustavo Gayer, além de representantes de partidos como Republicanos, PP, Novo, União Brasil, MDB, PSDB e Podemos. A relação divulgada também menciona parlamentares do PT, como Teresa Leitão, Jaques Wagner, Humberto Costa, Paulo Paim, Rogério Carvalho, Fabiano Contarato, Beto Faro, Helder Salomão, Padre João, Nilto Tatto, Alfredinho, Dimas Gadelha e Pedro Uczai. A eventual participação de integrantes da base aliada chama a atenção para a amplitude da mobilização, embora seja necessário distinguir o apoio à abertura de uma investigação da concordância com as suspeitas apresentadas. Ao assumir a autoria da proposta, Coronel Fernanda busca transformar as denúncias e declarações públicas em objeto de apuração parlamentar, com possibilidade de convocação de testemunhas, solicitação de documentos e aprofundamento das informações disponíveis.

Coronel Fernanda amplia pressão por investigação

A iniciativa da parlamentar do PL de Mato Grosso ganhou força depois que Roberta Luchsinger declarou, em entrevista à CNN Brasil, no sábado, 17, que pretende negociar um acordo de colaboração premiada e possui informações sobre encontros de Lulinha com integrantes do governo federal. A empresária é investigada em procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes e descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Entre os pontos que despertam o interesse dos investigadores estão possíveis práticas de tráfico de influência, favorecimento de interesses privados e relações comerciais envolvendo pessoas próximas ao poder público. As declarações da lobista também foram exploradas por Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial da Band, no domingo, 18, quando o candidato do PL questionou Lula sobre as suspeitas relacionadas ao filho. O Presidente respondeu que as investigações devem seguir seu curso na Polícia Federal e afirmou que Fábio Luís deverá prestar esclarecimentos caso seja convocado. Roberta, por sua vez, reagiu às declarações presidenciais nas redes sociais, acusando Lula de mentir sobre o conhecimento que teria de suas relações pessoais e políticas. As acusações ainda dependem de comprovação, e a existência de investigações ou a manifestação de interesse em uma delação premiada não representa demonstração de culpa. Para Coronel Fernanda, a criação da CPMI seria um instrumento institucional para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades.

Apesar da repercussão, a comissão ainda depende do cumprimento das exigências regimentais para ser instalada. Caso Coronel Fernanda consiga reunir os apoios necessários, o requerimento deverá ser submetido aos procedimentos do Congresso Nacional, incluindo sua leitura em sessão conjunta, sob a presidência do senador Davi Alcolumbre (União-AP). A proposta busca investigar possíveis irregularidades nas relações entre agentes públicos e particulares, além de esclarecer se houve utilização indevida de influência política ou de estruturas governamentais para favorecer interesses privados. O avanço da articulação também ocorre em meio à disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro, circunstância que amplia a repercussão política do pedido e exige que eventuais investigações sejam conduzidas com respeito ao devido processo legal. Enquanto a oposição defende a necessidade de aprofundar as apurações, o governo sustenta que os órgãos competentes devem trabalhar com autonomia e que eventuais responsabilidades precisam ser demonstradas por provas. Com a autoria do requerimento, Coronel Fernanda coloca Mato Grosso em destaque no debate nacional e assume a linha de frente de uma iniciativa que poderá levar ao Congresso as suspeitas envolvendo Lulinha e Roberta Luchsinger. O próximo desafio da deputada será transformar a mobilização política em assinaturas suficientes para viabilizar a CPMI e permitir que as acusações sejam examinadas no âmbito parlamentar.