Medicamento da fabricante do Mounjaro recebe parecer favorável na Europa, apresenta perda de até 12,4% do peso corporal em estudo e pode chegar ao Brasil em 2027
A guerra contra a obesidade está prestes a ganhar uma nova arma, e desta vez ela cabe em um comprimido! Depois da revolução provocada pelas famosas canetas emagrecedoras, uma nova geração de medicamentos promete tornar o tratamento mais simples, dispensando agulhas, aplicações, e até a necessidade de jejum. Desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, o Foundayo (orforglipron) acaba de receber parecer favorável da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A novidade já foi autorizada nos Estados Unidos e no Reino Unido e representa um avanço na busca por alternativas mais práticas para milhões de pessoas que precisam controlar o peso e a glicose. Diferentemente de outros medicamentos orais da mesma classe, o comprimido pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, eliminando restrições que dificultam a rotina de muitos pacientes.
Os resultados dos estudos clínicos ajudam a explicar o entusiasmo em torno da novidade. Na pesquisa internacional ATTAIN-1, que acompanhou 3.127 adultos durante 72 semanas, os participantes que receberam a dose mais elevada do orforglipron e permaneceram no tratamento apresentaram uma redução média de 12,4% do peso corporal, equivalente a aproximadamente 12 quilos, enquanto o grupo que recebeu placebo perdeu apenas 0,9%. Entre pacientes com diabetes tipo 2, outro estudo registrou emagrecimento de até 10,5%. Além de favorecer a perda de peso, o medicamento atua sobre o hormônio GLP-1, responsável por aumentar a sensação de saciedade e estimular a liberação de insulina, contribuindo para o controle do açúcar no sangue. Pesquisas também demonstraram reduções importantes da hemoglobina glicada, indicador utilizado para acompanhar o diabetes. Apesar dos resultados promissores, o tratamento não está livre de efeitos adversos, como náuseas, vômitos, diarreia e desconfortos digestivos, que levaram parte dos voluntários a interromper o uso.
Uma revolução que pode chegar ao Brasil
A principal inovação do Foundayo está na composição química. Ao contrário de medicamentos à base de moléculas peptídicas, que podem exigir aplicações injetáveis ou cuidados específicos para a absorção oral, o orforglipron utiliza uma pequena molécula capaz de resistir ao processo digestivo. Essa característica permite a administração diária sem restrições de horário, alimentação ou quantidade de água. O medicamento também apresentou resultados favoráveis em avaliações cardiovasculares envolvendo pacientes com diabetes e maior risco de complicações cardíacas, demonstrando segurança em comparação com a insulina glargina, embora ainda não esteja comprovado que reduza eventos cardiovasculares graves. Na Europa, o parecer favorável contempla tanto o controle do peso quanto o tratamento do diabetes tipo 2, mas a autorização definitiva para comercialização na União Europeia ainda depende de decisão da Comissão Europeia. A expectativa é de que a apresentação em comprimidos amplie as alternativas disponíveis, especialmente para pessoas que têm resistência ao uso de medicamentos injetáveis.
No Brasil, entretanto, os pacientes ainda precisarão esperar. O Foundayo não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, portanto, não está autorizado para comercialização no país. A Eli Lilly já apresentou o pedido de aprovação e trabalha com a possibilidade de disponibilizar o medicamento no mercado brasileiro até o segundo semestre de 2027, dependendo da análise regulatória. O preço também permanece indefinido, e precisará passar pelos procedimentos nacionais de regulação antes do início das vendas. Especialistas ressaltam que, apesar da praticidade e dos resultados expressivos, a nova pílula não representa uma solução milagrosa: o tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde, e associado a hábitos alimentares adequados e atividade física. Ainda assim, o avanço sinaliza uma transformação importante no combate à obesidade e ao diabetes, abrindo caminho para uma realidade em que o tratamento medicamentoso poderá ser mais simples, sem depender de injeções e sem a obrigação de tomar o remédio de estômago vazio.