Seminário gratuito nos dias 20 e 21 de outubro reúne debates, oficinas e exposições sobre o protagonismo feminino na arte e na ciência, dentro da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Se durante séculos muitas mulheres tiveram seus nomes apagados dos livros de história, das descobertas científicas e das grandes obras de arte, chegou a hora de colocá-las sob os holofotes. Nos dias 20 e 21 de outubro, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Centro do Rio de Janeiro, será palco de um encontro que promete dar voz, visibilidade e reconhecimento às mulheres que ajudaram a transformar o conhecimento humano. Promovido pela Fundação Cecierj, em parceria com o museu, o seminário “Arte e Ciência: Diálogos Possíveis — Mulheres, Arte e Ciência: Substantivos Feministas” integra a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema é “Ciência delas”. Com entrada gratuita, a iniciativa pretende romper silêncios históricos, questionar desigualdades de gênero e raça e mostrar que a criatividade artística e a investigação científica têm muito mais em comum do que se imagina.
A programação reúne especialistas, artistas, pesquisadores e interessados em discutir a participação feminina na construção do conhecimento. No dia 20 de outubro, a mesa “Sexismo e racismo nas Artes e nas Ciências” abre os debates, abordando obstáculos históricos e contemporâneos enfrentados pelas mulheres. À tarde, oficinas práticas convidam o público a explorar diferentes formas de expressão e preservação da memória, incluindo “As mulheres que nos teceram”, conduzida por Simone Bibian, e “Os gestos inscrevem histórias ancestrais — Arte têxtil e memória”, com Thaes Arruda. Também estão previstas atividades relacionadas ao cinema e à ancestralidade. Para Luiz Fernando Jardim Bento, diretor de Divulgação Científica da Fundação Cecierj, a realização do seminário representa uma oportunidade de fortalecer o intercâmbio entre a instituição e os equipamentos culturais da cidade, ampliando as possibilidades de aproximação entre ciência, arte e sociedade.
O talento que a história tentou apagar
No dia 21 de outubro, o encontro coloca em discussão um fenômeno que atravessa gerações: o chamado efeito Matilda, expressão utilizada para descrever a tendência histórica de minimizar, ignorar ou atribuir a homens as contribuições científicas realizadas por mulheres. A mesa “O efeito Matilda e o apagamento das mulheres nas Artes” abordará os mecanismos responsáveis pela invisibilidade feminina e seus reflexos na produção cultural e científica. A programação também inclui uma visita mediada à exposição “As Abolicionistas brasileiras”, que destaca trajetórias de mulheres ligadas à luta contra a escravidão, além de uma oficina promovida pela Fundação Cecierj. Para a diretora do Museu Nacional de Belas Artes, Daniela Matera Lins, o encontro reafirma a importância da instituição como espaço de reflexão e circulação de ideias. “O museu não é apenas um espaço de contemplação, mas também de reflexão, debate e produção de conhecimento”, destaca.
Mais do que revisitar o passado, o seminário pretende estimular novas perspectivas sobre o presente e o futuro da participação feminina nas artes e nas ciências, valorizando trajetórias frequentemente esquecidas e incentivando o reconhecimento de diferentes saberes. O evento acontece das 9h às 16h, nos dois dias, no Museu Nacional de Belas Artes, localizado na Avenida Rio Branco, 199, no Centro do Rio de Janeiro. A participação é gratuita, com emissão de certificados, e as inscrições gerais podem ser realizadas pela página oficial do evento. Já as inscrições para as oficinas deverão ser feitas presencialmente no local. Ao reunir conhecimento, memória, criatividade e representatividade, a iniciativa reforça uma mensagem fundamental: as mulheres não são apenas personagens da história da arte e da ciência, mas protagonistas de suas maiores transformações.