Na Costa Rica, descobri que a natureza também sabe surpreender quem nasceu acostumada ao mar, ao sol e às belezas do Rio de Janeiro
A vida está sempre me presenteando com experiências diferentes. Algumas são inesperadas, outras parecem saídas de um filme. Uma delas foi ficar frente a frente com o imponente Vulcão Poás, na Costa Rica. Acostumada às praias, montanhas e paisagens exuberantes do Rio de Janeiro, descobri que a natureza tem muitas outras maneiras de nos deixar sem palavras. E lá estava eu, diante de um estratovulcão ativo, com nada menos que 2.708 metros de altitude, localizado na província de Alajuela, a cerca de 40 quilômetros de San José, capital do país. Confesso que a sensação é uma mistura de encantamento, respeito, e aquela pontinha de receio que surge quando percebemos que estamos diante de uma força da natureza que continua bem viva.
O Poás não faz questão de esconder sua personalidade. Suas fumarolas liberam gases e vapor de água, formando uma paisagem que parece pertencer a outro planeta. Em alguns momentos, o cheiro forte e os gases provocam uma leve tosse, mas nada que consiga roubar a atenção daquele espetáculo. Afinal, não é todo dia que uma carioca troca a brisa do mar pelo vapor de um vulcão! A cratera principal, com aproximadamente 1,5 quilômetro de diâmetro e 300 metros de profundidade, impressiona pela grandiosidade. É impossível não se sentir pequena diante de tanta força e beleza reunidas em um só lugar.
Um mergulho? Só na imaginação!
Depois de conhecer o vulcão, resolvi fazer uma pequena trilha e fui surpreendida por outra paisagem encantadora: um lago de águas azuladas, em tons de turquesa, cercado por uma natureza exuberante. E foi aí que meu espírito carioca e praiano falou mais alto. A primeira vontade foi dar um mergulho! Mas bastou lembrar que estava em uma região vulcânica para perceber que aquela não seria exatamente uma boa ideia. O Poás possui duas crateras principais: uma abriga um lago extremamente ácido, impróprio para qualquer banho, enquanto a outra, conhecida como Lagoa de Botos, guarda um lago de água fria cercado por vegetação. São paisagens muito diferentes das praias do Rio, mas igualmente capazes de despertar aquela vontade de ficar ali, contemplando tudo por mais alguns minutos.
Viajar também é isso: descobrir que o mundo oferece belezas que vão muito além daquelas com as quais estamos familiarizados. No Rio de Janeiro, tenho o privilégio de conviver com o mar, as montanhas e o verde da Mata Atlântica. Na Costa Rica, encontrei crateras, fumarolas, paisagens vulcânicas e uma natureza que parece estar em permanente transformação. O Vulcão Poás me mostrou que nem toda água azul é um convite ao mergulho e que nem toda fumaça significa que devemos sair correndo. Algumas paisagens foram feitas simplesmente para serem admiradas, respeitadas e guardadas na memória. E, cá entre nós, para uma carioca apaixonada pelo mar, descobrir que um lago turquesa pode ser lindo mesmo sem permitir um mergulho já é uma experiência e tanto!