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Política

Aposta digital de Lula vira alvo da Justiça e da Polícia Federal: Ana Elisa apaga perfil, mas postagens permanecem

14/10/2026 • 21:38 • Por Leo Pinheiro

Entre as publicações atribuídas à petista está uma mensagem de março de 2024 com a expressão “odeio branco” (detalhe)

Imagem: Fotos: Reprodução/Instagram e X (antigo Twitter)

Eleita com cerca de 524 mil votos em Minas Gerais, petista apontada como reforço da comunicação digital do PT enfrenta inquérito eleitoral após repercussão de mensagens antigas e acusações de divulgação de informações falsas

O que deveria representar um reforço para a comunicação digital do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou-se em uma controvérsia política e judicial. A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), que conquistou aproximadamente 524 mil votos em Minas Gerais e era apontada como uma das apostas de Lula para fortalecer a presença do PT nas redes sociais, tornou-se alvo de um inquérito determinado pela Justiça Eleitoral após pedido da defesa de Flávio Bolsonaro (PL). A parlamentar desativou seu perfil no X, antigo Twitter, na quinta-feira, 8, em meio à repercussão de mensagens atribuídas a ela. Entretanto, a retirada da conta não encerrou a circulação do material: dezenas de publicações teriam sido preservadas por usuários antes da desativação e continuaram sendo compartilhadas. Entre os registros divulgados estão declarações consideradas ofensivas sobre pessoas brancas, manifestações envolvendo igrejas evangélicas e católicas, e ataques verbais a adversários políticos. O episódio ganhou repercussão justamente quando a parlamentar começava a receber maior projeção nacional por sua atuação digital.

A repercussão das mensagens antigas acrescentou uma nova dimensão à controvérsia. Entre as publicações atribuídas à petista está uma mensagem de março de 2024 com a expressão “odeio branco”, cuja existência foi relatada a partir de registros arquivados da plataforma. Também circulam capturas de uma postagem de outubro de 2020 em que ela teria manifestado satisfação em ridicularizar pessoas brancas por sua cor, além de conteúdos envolvendo críticas a instituições religiosas e adversários políticos. A autenticidade e o contexto de todas essas capturas, entretanto, não foram comprovados de maneira independente. A desativação do perfil ocorreu em meio à divulgação desses registros e a denúncias de ameaças contra a parlamentar, sem que seja possível atribuir sua decisão exclusivamente à repercussão das postagens.

Das redes à investigação

A situação ganhou consequências judiciais nesta quarta-feira, 14, quando o juiz Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis, determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar Ana Elisa por suspeita de divulgação de informações falsas contra Flávio Bolsonaro. A decisão atendeu a uma notícia-crime apresentada pela defesa do candidato do PL e contou com manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral. O procedimento está relacionado a publicações mentirosas que associavam Flávio a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A Justiça também determinou a preservação dos registros de postagens realizadas no X entre 24 de setembro e 8 de outubro. O inquérito trata dessas acusações eleitorais específicas, não constituindo uma conclusão judicial sobre as demais mensagens antigas atribuídas à deputada.

A investigação coloca sob escrutínio uma das figuras escolhidas para ampliar o alcance digital da campanha de Lula no segundo turno. Com mais de meio milhão votos, Ana Elisa tornou-se a segunda candidata mais votada para deputada federal em Minas Gerais, e participou de discussões sobre a estratégia de comunicação do Presidente, defendendo maior presença nas plataformas digitais. Ana Elisa declarou a imprensa que ainda não havia tido acesso ao processo, que tramita em sigilo, mas classificou a iniciativa como uma tentativa de silenciá-la. Paralelamente, a parlamentar denunciou supostas ameaças de morte e violência sexual, que motivaram um pedido do Ministério da Justiça para investigação pela Polícia Federal. Assim, o episódio reúne duas apurações distintas: uma sobre a divulgação de informações falsas durante a campanha por parte da deputada e outra sobre ameaças dirigidas à ela. Caberá às autoridades esclarecer os fatos e eventuais responsabilidades, sem antecipar conclusões sobre as acusações.

Leo Pinheiro