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Furacão Isaías mata quatro, arranca telhados e deixa milhares no escuro nos EUA

11/10/2026 • 10:35 • Por João Vieira

Na Flórida, mais de 430 mil consumidores chegaram a permanecer sem energia elétrica, enquanto o Alabama, a Geórgia e outros estados do sudeste também registraram interrupções

Foto: Library of Congress

Tempestade de categoria 2 atinge a Flórida com ventos de quase 170 km/h, provoca mortes também no Alabama, interrompe o fornecimento de energia e mantém o sudeste americano sob ameaça de enchentes e tornados

O céu escureceu, os ventos ganharam força e, em poucas horas, cidades do sudeste dos Estados Unidos se transformaram em cenários de destruição. O furacão Isaías deixou pelo menos quatro mortos após atingir a costa americana na noite de sexta-feira, 9, com ventos de aproximadamente 169 quilômetros por hora, arrancando telhados, derrubando árvores e provocando apagões que afetaram centenas de milhares de consumidores. A tempestade chegou à região de Destin, no noroeste da Flórida, classificada como furacão de categoria 2 na escala Saffir-Simpson, antes de avançar pelo interior do território americano e perder intensidade. Duas mortes foram registradas no condado de Escambia, na Flórida, e outras duas no Alabama, segundo informações das autoridades locais. Na Flórida, uma das vítimas morreu depois que uma árvore caiu sobre sua residência, enquanto outra foi encontrada sem vida em uma garagem onde havia um gerador de energia funcionando. O episódio também deixou quatro familiares hospitalizados, sem risco de morte, e chamou atenção para os perigos da utilização de geradores em ambientes fechados, devido à possibilidade de intoxicação por monóxido de carbono. Mesmo depois de enfraquecer e ser reclassificado como ciclone pós-tropical, Isaías continuou representando uma ameaça para milhões de moradores, especialmente em regiões sujeitas a inundações repentinas, ventos intensos e formação de tornados. As autoridades alertaram que a diminuição da velocidade dos ventos não significa o fim dos riscos, já que chuvas volumosas e enchentes podem provocar novos danos mesmo após a passagem do centro da tempestade.

A destruição provocada pelo furacão atingiu residências, estabelecimentos comerciais e redes de distribuição de eletricidade em diferentes estados americanos. Na Flórida, mais de 430 mil consumidores chegaram a permanecer sem energia elétrica, enquanto o Alabama, a Geórgia e outros estados do sudeste também registraram interrupções significativas no fornecimento. Nas primeiras horas deste domingo, 11, o serviço de monitoramento PowerOutage.com indicava que aproximadamente 323 mil consumidores ainda estavam sem eletricidade na Flórida, além de mais de 80 mil no Alabama, cerca de 11 mil na Geórgia e outros 11 mil na Carolina do Norte. Os números representam registros em diferentes momentos da passagem da tempestade e demonstram a dimensão do trabalho necessário para recuperar a infraestrutura atingida. O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou que a força dos ventos foi um dos principais fatores de destruição, provocando quedas de árvores, danos estruturais e espalhamento de destroços pelas ruas. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram chuvas torrenciais, estabelecimentos comerciais destruídos e edifícios que tiveram parte de seus telhados arrancada. Na região de Pensacola, próxima ao local onde o furacão chegou à costa, os danos também atingiram instalações e comprometeram atividades de transporte. Cerca de 16 mil profissionais de empresas de energia foram mobilizados ou colocados em prontidão para atuar na recuperação do sistema elétrico, enquanto equipes de emergência iniciaram levantamentos dos prejuízos e trabalharam para liberar vias obstruídas. A situação exigiu cautela adicional porque árvores instáveis, fios elétricos caídos e áreas alagadas continuavam oferecendo riscos aos moradores e às equipes de atendimento. Embora as autoridades tenham iniciado a reabertura de rodovias, pontes e aeroportos, a normalização das atividades depende das condições de segurança e da conclusão das avaliações de danos.

Perigo ainda não passou

A perda de força do furacão não eliminou a preocupação dos meteorologistas com as consequências de sua passagem. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) manteve alertas para chuvas intensas, enchentes repentinas, inundações urbanas e possibilidade de tornados em áreas da Geórgia e das Carolinas. O deslocamento da tempestade para o interior do continente aumentou o risco de transbordamento de rios e alagamentos em regiões que não sofreram diretamente o impacto inicial dos ventos mais fortes. As autoridades também advertiram sobre as condições perigosas do mar, especialmente ao longo das costas do Golfo do México, onde as ondas produzidas pelo sistema continuavam atingindo áreas dos Estados Unidos, do México e do oeste de Cuba. Segundo o NHC, a agitação marítima poderia provocar ondas perigosas e correntes de retorno potencialmente fatais, capazes de arrastar banhistas mesmo em locais aparentemente distantes do centro da tempestade. No Alabama, a queda de árvores e postes levou autoridades a restringir a circulação em determinadas áreas, diante do risco de novos acidentes. O condado de Houston chegou a anunciar o fechamento de suas estradas em razão das condições provocadas pelo furacão. Os serviços de emergência orientaram moradores a evitar deslocamentos desnecessários, não atravessar ruas inundadas e manter distância de estruturas danificadas. A preocupação também alcançou comunidades próximas a rios e regiões mais baixas, onde o acúmulo de água poderia continuar aumentando mesmo após a redução das chuvas. Para especialistas em meteorologia, esse tipo de situação demonstra que os impactos de um ciclone tropical não se limitam à intensidade dos ventos registrada no momento em que atinge a costa. A combinação de chuvas prolongadas, infraestrutura danificada e solo encharcado pode prolongar a emergência por vários dias, exigindo monitoramento constante e medidas preventivas mesmo depois de o fenômeno perder sua classificação de furacão.

Além das mortes, dos apagões e da destruição de imóveis, Isaías também provocou impactos importantes na produção de petróleo e gás natural no Golfo do México, uma das principais regiões energéticas dos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas, aproximadamente 69% da produção de petróleo e 57% da produção de gás natural da região permaneciam interrompidas no sábado (10), enquanto cerca de 113 plataformas haviam sido evacuadas preventivamente. A paralisação representa uma medida de segurança para proteger trabalhadores e instalações marítimas diante de ventos intensos e condições adversas no oceano. Para reduzir os riscos de interrupções no abastecimento, o Departamento de Energia dos Estados Unidos autorizou uma operação emergencial envolvendo até 4 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica, destinada a enfrentar dificuldades temporárias na cadeia de fornecimento. O impacto econômico se soma aos prejuízos provocados pela destruição de residências, estabelecimentos comerciais, estradas e redes elétricas. A passagem de Isaías também ocorreu em um momento de preocupação com outros sistemas meteorológicos, incluindo a tempestade Rachel, no Pacífico, que provocou elevação das marés e interrupções de energia na Califórnia. Com quatro mortes confirmadas, centenas de milhares de consumidores afetados por apagões e danos ainda em avaliação, o sudeste dos Estados Unidos enfrenta uma corrida para restabelecer serviços essenciais e proteger a população de novos riscos. A experiência reforça a importância de sistemas de alerta, planos de evacuação, manutenção da infraestrutura e preparação das comunidades para eventos meteorológicos extremos. Embora Isaías tenha perdido intensidade ao avançar sobre o continente, suas consequências continuam exigindo atenção das autoridades. O furacão passou, mas o perigo permanece: entre casas destruídas, famílias enlutadas e cidades tentando recuperar a normalidade, a região ainda enfrenta os efeitos de uma tempestade que deixou um rastro de mortes e prejuízos.

João Vieira