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Política

Flávio dispara na corrida: em apenas três dias, vantagem sobre Lula cresce quase 1,5 milhão de votos

08/10/2026 • 21:13 • Por Leo Pinheiro

Flávio Bolsonaro, que venceu o primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos, aparece agora com uma diferença projetada próxima de 3,6 milhões de votos sobre Lula

Imagem: Carlos Moura/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR

Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula; diferença entre os candidatos salta de 2,2 milhões no primeiro turno para cerca de 3,6 milhões na projeção da pesquisa

Em apenas três dias, o cenário da disputa presidencial ganhou novos contornos, e os números acenderam o sinal vermelho na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro (PL), que venceu o primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos, aparece agora com uma diferença projetada próxima de 3,6 milhões de votos sobre o Presidente, considerando os percentuais da nova pesquisa Datafolha e o universo de votos válidos da primeira votação. Isso representa um crescimento estimado de quase 1,5 milhão de votos na distância entre os adversários, em um intervalo de apenas três dias após a eleição de domingo, 4. O levantamento divulgado nesta quinta-feira, 8, coloca o senador com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, consolidando uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na corrida pelo Palácio do Planalto. O resultado ganha relevância porque Flávio já havia surpreendido ao terminar a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista recebeu 45,16%. Agora, a pesquisa sugere que o candidato do PL conseguiu preservar sua posição à frente e ampliar a diferença percentual sobre o adversário. Embora os números estejam no limite do empate técnico, considerando a margem de erro, a fotografia eleitoral representa um desafio para Lula, que busca conquistar seu quarto mandato presidencial e precisa reverter a desvantagem numérica antes da votação decisiva de 25 de outubro.

A comparação entre o resultado das urnas e as intenções de voto registradas pelo Datafolha mostra uma mudança importante na dinâmica da campanha. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro conquistou a liderança com uma diferença de 1,87 ponto percentual sobre Lula. Na nova pesquisa, essa distância aparece ampliada para quatro pontos percentuais entre os votos válidos, mais que o dobro da vantagem percentual registrada no domingo. Quando considerados todos os entrevistados, incluindo aqueles que pretendem votar em branco ou anular o voto, Flávio alcança 49% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 45%. Outros 5% declaram intenção de votar em branco ou nulo, e 1% permanece indeciso. A mudança também fica evidente na comparação com o levantamento anterior do instituto, realizado antes do primeiro turno, quando Lula registrava 47% das intenções de voto e Flávio aparecia com 46% em uma simulação de segundo turno. Desde então, o senador avançou três pontos percentuais, enquanto o Presidente recuou dois, produzindo uma inversão na liderança numérica. O desempenho do candidato do PL ganha peso político porque ocorre justamente no início da etapa em que os dois finalistas procuram conquistar eleitores que apoiaram outras candidaturas, reduzir suas rejeições e ampliar alianças. Para o governo e seus aliados, os dados indicam a necessidade de uma reação eleitoral capaz de recuperar espaço entre segmentos decisivos do eleitorado, especialmente aqueles que ainda podem mudar de preferência nas próximas semanas.

Vantagem ampliada e pressão sobre Lula

O detalhamento do Datafolha revela que a disputa pelo comando do país está marcada por diferenças expressivas entre regiões, faixas de renda, escolaridade e grupos religiosos. Flávio Bolsonaro apresenta uma vantagem de 69% a 25% entre os eleitores evangélicos, segmento que representa uma parcela importante do eleitorado brasileiro e tem demonstrado forte identificação com candidaturas conservadoras. Na região Sul, o senador também aparece à frente, com 58% das intenções de voto, contra 35% do Presidente. Lula, por sua vez, continua encontrando no Nordeste seu principal reduto eleitoral, onde registra 61% das preferências, diante de 35% do adversário. O petista também mantém desempenho mais favorável entre os eleitores de menor renda, os menos escolarizados e os católicos, grupos tradicionalmente importantes para sua sustentação eleitoral. Outro aspecto relevante envolve o comportamento dos brasileiros que escolheram outros presidenciáveis no primeiro turno. Entre os eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, e Romeu Zema, 46% manifestam preferência por Flávio Bolsonaro, enquanto 32% declaram apoio a Lula. Essa distribuição sugere que o candidato do PL possui uma vantagem inicial na disputa por parte dos votos que ficaram fora da polarização principal na primeira rodada. A capacidade de transformar essa preferência em apoio efetivo, contudo, dependerá da atuação das campanhas, das alianças políticas e da participação dos eleitores no segundo turno. Para Lula, o desafio não se limita a mobilizar sua base tradicional: será necessário também conquistar uma parcela dos brasileiros que rejeitaram sua candidatura na primeira votação e impedir que o adversário amplie sua presença em regiões onde a disputa permanece competitiva.

A divulgação do levantamento ocorre em um momento especialmente delicado para o Presidente, quando as campanhas se reorganizam para a reta final e a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão está prestes a ser retomada, nesta sexta-feira, 9. Flávio Bolsonaro chega a essa fase impulsionado pela vitória no primeiro turno e pela vantagem numérica apresentada na primeira pesquisa Datafolha posterior à votação, fatores que podem fortalecer sua estratégia de comunicação e sua articulação com lideranças políticas de diferentes regiões. Lula, por outro lado, enfrenta a necessidade de reconstruir sua capacidade de atração eleitoral, responder às críticas dos adversários e apresentar argumentos capazes de convencer os indecisos e os eleitores que apoiaram outras candidaturas. O Datafolha ouviu 2.520 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02949/2026. É importante destacar que a diferença projetada de aproximadamente 3,6 milhões de votos não corresponde a votos efetivamente depositados nas urnas, mas a uma estimativa obtida pela aplicação dos percentuais da pesquisa ao total de votos válidos do primeiro turno. Além disso, o empate técnico impede afirmar que a vantagem estatística esteja consolidada. Ainda assim, a comparação política é significativa: a distância percentual entre Flávio e Lula mais que dobrou em relação ao primeiro turno, e a projeção indica uma ampliação de quase 1,5 milhão de votos na vantagem do senador. Com pouco mais de duas semanas até a decisão, a campanha petista terá de buscar uma recuperação, enquanto Flávio tentará transformar a liderança apontada pelos números em uma vitória definitiva nas urnas.

 
Leo Pinheiro