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Economia

Flávio promete preservar aposentadorias e diz que ajuste fiscal não atingirá os mais pobres

08/10/2026 • 17:40 • Por Leo Pinheiro

Em ato de adesão do Podemos Flávio Bolsonaro cita aposentados e diz que não vai fazer economia “em cima de quem precisa”

Foto: Divulgação/PL

Após receber apoio oficial do Podemos, candidato do PL garante reajustes acima da inflação, critica declarações do presidente sobre reeleição e anuncia agenda intensa na região nordestina

A disputa pelo Palácio do Planalto entrou também no bolso dos aposentados. Em meio ao embate sobre cortes de gastos públicos, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira, 8, que não pretende fazer economia às custas dos brasileiros mais vulneráveis e prometeu manter reajustes das aposentadorias acima da inflação, caso seja eleito Presidente. A declaração ocorreu durante o anúncio oficial do apoio do Podemos à sua candidatura no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT),  no QG (quartel-general) de sua campanha, localizado no bairro Lago Sul, em Brasília. “Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT”, declarou o senador, ao rebater críticas sobre possíveis mudanças nas regras previdenciárias. Flávio também garantiu que pretende preservar os benefícios de quem depende da Previdência Social e buscar outras alternativas para equilibrar as contas públicas.

O posicionamento surge após a divulgação de informações de que integrantes da equipe econômica de sua campanha estudam medidas para conter o crescimento das despesas obrigatórias, incluindo possíveis alterações na vinculação dos reajustes previdenciários ao salário mínimo. Flávio negou que pretenda acabar com os aumentos reais das aposentadorias ou modificar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para reduzir gastos. O candidato defendeu um governo mais enxuto, com combate à corrupção, revisão de desperdícios e maior eficiência na utilização dos recursos públicos. Lula, por sua vez, afirmou que o ajuste fiscal defendido pelo adversário poderia atingir programas sociais e benefícios destinados à população de menor renda. Apesar das garantias apresentadas pelo senador, as propostas de sua equipe econômica ainda provocam questionamentos sobre como conciliar a redução das despesas públicas com a preservação dos reajustes e investimentos sociais.

Nordeste entra na mira

Além da discussão econômica, Flávio Bolsonaro aproveitou o encontro com o Podemos para intensificar as críticas a Lula e apresentar sua estratégia eleitoral para o Nordeste, região onde o presidente obteve vantagem no primeiro turno. O senador afirmou que o eleitorado nordestino “acordou” e anunciou uma agenda intensa de compromissos nos estados da região durante a campanha do segundo turno. Embora Lula tenha mantido a liderança regional, Flávio conquistou aproximadamente 10,4 milhões de votos no Nordeste, equivalentes a 30,85% dos votos válidos, desempenho superior ao registrado por Jair Bolsonaro na mesma etapa das eleições de 2022. O crescimento ocorreu nos nove estados nordestinos, segundo os resultados eleitorais, e passou a integrar o discurso da campanha do PL sobre a possibilidade de ampliar sua presença entre esses eleitores.

O candidato também reagiu às declarações de Lula sobre a possibilidade de acabar com a reeleição presidencial, inclusive com aplicação da mudança ao próximo mandato. Flávio afirmou que o presidente “aloprou” ao abordar o assunto e voltou a defender uma proposta de emenda à Constituição apresentada por ele para extinguir a reeleição e ampliar as restrições à candidatura de familiares de presidentes em exercício. O senador sustenta que a mudança deveria valer já a partir de 2027, caso seja aprovada pelo Congresso. Com o apoio formal do Podemos, que se soma ao de outras legendas, Flávio busca ampliar sua articulação política e fortalecer a campanha para a votação de 25 de outubro. Entre promessas de proteção aos aposentados, críticas ao adversário e a ofensiva eleitoral no Nordeste, o candidato procura colocar três temas no centro da disputa: renda, alianças políticas e conquista de novos eleitores.

Leo Pinheiro