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Paulão Sete Cordas estreia roda quinzenal no Catete em pleno feriado

07/10/2026 • 18:24 • Por Waleria de Carvalho

O Glorioso Cultural recebe a estreia do “Samba Livre, Leve e Solto”, novo ponto de encontro quinzenal da Zona Sul carioca

Foto: Divulgação

“Samba Livre, Leve e Solto” chega ao Glorioso Cultural no dia 12 de outubro com clássicos, raridades, pedidos do público e encontros entre diferentes gerações do samba

Segunda-feira pode ter cara de domingo quando o calendário marca feriado, e, no Catete, vai ganhar também cavaquinho, sete cordas, bandolim, percussão e muito samba. No dia 12 de outubro, o Glorioso Cultural recebe a estreia do “Samba Livre, Leve e Solto”, projeto que nasce com a proposta de se tornar um novo ponto de encontro quinzenal da Zona Sul carioca. Sob a direção musical de Paulão Sete Cordas, maestro, arranjador e referência da música brasileira, a roda aposta justamente na espontaneidade para fazer com que cada apresentação seja diferente da anterior. Ao lado dele estará o cantor Agenor Oliveira, parceiro de Nelson Sargento em composições e responsável por puxar sambas em coro com o público. “É tradição viva, emoção sem ensaio”, resume Agenor. A casa abre às 18h00 e a roda começa às 20h00.

A proposta combina liberdade musical com respeito às raízes. Paulão Sete Cordas reúne Agenor Oliveira na voz, Léo Pereira no cavaquinho e voz, Ramón Araújo no violão de sete cordas, Tiago Souza no bandolim e Bidu Campeche e Valdir Ribeiro na percussão. O repertório poderá mudar a cada encontro, incorporando raridades recuperadas dos “baús” dos mestres, pedidos feitos pelo público e arranjos experimentados durante a própria apresentação. “O samba de raiz precisa respirar e se renovar a cada encontro”, afirma Paulão. Segundo ele, os grandes clássicos serão a base da roda, mas a liberdade será uma característica permanente do projeto. “Nenhuma segunda-feira será igual à outra”, promete o músico.

Raiz que ganha novos galhos

Do virtuosismo do choro à cadência do samba de raiz, o repertório atravessa diferentes épocas da música brasileira. Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Paulinho da Viola, Cartola, Nelson Cavaquinho, Monarco, Silas de Oliveira, Wilson Moreira, Ney Lopes, Zé Ketti e Ary Barroso estão entre as referências que alimentam a roda, ao lado de sucessos contemporâneos como Quando a Gira Girou e Seu Balancê. A ancestralidade das escolas de samba e dos terreiros também ocupa espaço central, com canções como Amor Proibido, Tive Sim, A Flor e o Espinho, Juízo Final, Só o Tempo, Leva o Recado, Coração em Desalinho, Apoteose ao Samba e Senhora Tentação. A intenção é colocar diferentes gerações lado a lado, mostrando que preservar a tradição não significa congelá-la no tempo, mas permitir que ela continue circulando, encontrando novos músicos e conquistando novos públicos.

A obra de Nelson Sargento ganhará atenção especial, reforçando a ligação afetiva e musical de Agenor Oliveira com o compositor. Os dois foram parceiros em trabalhos como Sinfonia Imortal e Saudade, enquanto a emblemática Samba Agoniza, Mas Não Morre ajuda a traduzir o espírito de resistência que inspira o projeto. Produzido por Paulo Cesar Figueiredo, da Orum Produções Artísticas, com coordenação artística de Elfi Kürten Fenske, o “Samba Livre, Leve e Solto” passa a acontecer quinzenalmente, às segundas-feiras, no Glorioso Cultural, na Rua do Catete, 97. Os ingressos custam R$ 50 e são vendidos pela plataforma Sympla. Entre memória e improviso, passado e presente, a nova roda chega com uma certeza que já está no próprio nome: o samba pode carregar séculos de história e, ainda assim, continuar livre, leve e solto.

Waleria de Carvalho