Operação Magen investiga policiais e ex-policiais suspeitos de negociar armas, vazar informações sigilosas e integrar esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões
O luxo da hospedagem contrastou com o armamento encontrado dentro do quarto. Um fuzil foi apreendido em um hotel de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante a Operação Magen, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026. No local, os agentes prenderam um policial militar que, segundo a reportagem do Tempo Real RJ, era lotado na presidência do Detran-RJ. A apreensão tornou-se um dos episódios de maior destaque da ofensiva contra suspeitos de abastecer o crime organizado com armas e informações restritas da segurança pública.
A força-tarefa saiu às ruas para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, com diligências na capital e em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. Também foram determinadas medidas cautelares contra investigados vinculados à estrutura financeira e patrimonial do grupo, incluindo monitoramento eletrônico. Conforme as apurações, os suspeitos mantinham uma rede de obtenção, transporte e revenda clandestina de fuzis de uso restrito, pistolas, revólveres, carregadores e munições. A investigação aponta ainda que armas e equipamentos policiais eram recebidos como pagamento ou comissão pelas transações.
Armas e acesso privilegiado
O esquema investigado teria fornecido dez fuzis AR-15 a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como líder do Terceiro Comando Puro e do grupo criminoso que atua no Complexo de Israel, na Zona Norte. Além do comércio de armamento, agentes de segurança são suspeitos de utilizar credenciais funcionais para consultar sistemas restritos e repassar informações sigilosas. A denúncia também levou a Justiça a determinar o bloqueio de mais de R$ 250 milhões em bens e valores, além do sequestro de três imóveis e 31 veículos. Essas medidas buscam atingir o patrimônio associado à organização enquanto a participação de cada acusado é examinada no processo.
Na frente financeira, a investigação identificou mais de R$ 100 milhões movimentados em quatro anos, entre contas pessoais e empresas de fachada. Os investigados já foram denunciados pelo MPRJ e poderão responder, conforme as condutas atribuídas individualmente, por organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais. A apreensão no hotel da Barra acrescenta uma imagem marcante à operação, mas o alcance da apuração vai além daquele quarto: as autoridades procuram esclarecer como armamentos, acesso a sistemas oficiais e recursos financeiros teriam sido utilizados para favorecer uma organização criminosa.