Notícia Todo Dia NTD
Gastronomia e Turismo

Primavera de bilhões! Turismo aquece o Rio e deve movimentar R$ 8,4 bilhões

05/10/2026 • 14:40 • Por João Vieira

Na primavera Carioca muitos turistas são atraídos pelos belos parques e cachoeiras

Foto: Felipe Vieira/Unsplash

Projeção da Prefeitura aponta força crescente dos visitantes brasileiros e estrangeiros, com dinheiro circulando por hotéis, bares, restaurantes, transportes, comércio, lazer e atrações cariocas

Se a primavera colore o Rio, em 2026 ela também promete deixar a economia da cidade mais verde. O turismo deve movimentar aproximadamente R$ 8,4 bilhões na capital fluminense entre 22 de setembro e 21 de dezembro, impulsionando uma extensa cadeia que começa nos hotéis, mas se espalha por restaurantes, bares, transportes, comércio, atrações turísticas e diferentes atividades de entretenimento. A estimativa foi elaborada pela Prefeitura do Rio, por meio da Riotur, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e a Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR-Rio). Mais do que uma projeção para uma única estação, o número reforça a transformação do turismo em um dos motores permanentes da economia carioca, reduzindo a antiga dependência de períodos tradicionalmente associados à alta temporada, como verão, Réveillon e Carnaval. A expectativa é que a combinação de praias, natureza, gastronomia e uma agenda intensa de eventos culturais e esportivos mantenha elevado o fluxo de visitantes até dezembro. 

O cálculo toma como referência o movimento observado na primavera de 2025, quando 3,24 milhões de turistas passaram pelo Rio, segundo o Observatório do Turismo Carioca. Desse total, aproximadamente 2,7 milhões eram brasileiros e 509,9 mil vieram do exterior. Para chegar à projeção econômica deste ano, foram considerados também os gastos médios identificados pelo estudo Panorama Turístico – Turismo doméstico e internacional 2025, elaborado pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ). Atualizado para valores de agosto de 2026, o gasto médio utilizado para cada visitante brasileiro foi de R$ 2.206, enquanto entre os estrangeiros chegou a R$ 4.647. Entram nessa conta despesas com hospedagem, restaurantes e bares, alimentos e bebidas, combustíveis, deslocamentos, lazer, atrações, telecomunicações e compras. O resultado ajuda a mostrar como cada visitante produz efeitos que se espalham por diferentes setores: do funcionário de hotel ao motorista, do comerciante ao garçom, do produtor de eventos aos profissionais que trabalham nos principais pontos turísticos da cidade.

Turismo o ano inteiro

Os números de 2026 indicam que esse movimento já vem acontecendo antes mesmo da chegada da primavera. Entre janeiro e agosto, cerca de 8,5 milhões de turistas visitaram a cidade e movimentaram aproximadamente R$ 22,5 bilhões na economia carioca. Foram 6,9 milhões de visitantes brasileiros e 1,6 milhão de estrangeiros, desempenho que reforça a importância econômica de um setor cada vez menos limitado às grandes datas do calendário. Para o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, a diversidade de atrações culturais, gastronômicas, esportivas e de entretenimento oferece motivos para visitar o Rio durante diferentes épocas do ano. A secretária municipal de Turismo, Daniela Maia, também relaciona o crescimento à variedade da oferta carioca, que reúne belezas naturais, florestas, gastronomia, história e cultura. A primavera entra nessa estratégia justamente como uma ponte entre o inverno e a temporada de verão, aproveitando uma agenda capaz de manter hotéis, restaurantes, comércio e atrações movimentados antes da chegada das festas de fim de ano.

A projeção de R$ 8,4 bilhões representa movimentação econômica associada ao consumo dos visitantes e não arrecadação direta dos cofres municipais, uma diferença importante para compreender a dimensão do levantamento. O dinheiro se distribui por milhares de negócios e trabalhadores ligados direta ou indiretamente à atividade turística, fazendo com que os efeitos da presença de visitantes cheguem muito além de Copacabana, Ipanema, Cristo Redentor e Pão de Açúcar. No ano passado, a Prefeitura havia estimado em R$ 8 bilhões a movimentação durante a primavera de 2025; agora, a nova projeção eleva essa marca para R$ 8,4 bilhões. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, o desempenho evidencia que o turismo deixou de ser apenas uma atividade sazonal e passou a integrar de forma permanente a dinâmica econômica da cidade. No Rio, portanto, a primavera de 2026 promete muito mais do que dias maiores, praias cheias e temperaturas em alta: a estação chega com bilhões de reais circulando e reforça o turismo como uma das engrenagens da economia carioca.

João Vieira