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Do Brasil para o mundo: Flávio surpreende, passa Lula e vira manchete internacional

05/10/2026 • 13:27 • Por Leo Pinheiro

O espanhol El País afirmou que a onda conservadora observada em países latino-americanos chegou com força ao Brasil

Foto: Reprodução/El País

Jornais dos Estados Unidos, Europa e América Latina destacam resultado acima das pesquisas, avanço da direita e vantagem do senador na largada para o segundo turno

As urnas brasileiras atravessaram fronteiras; e a surpresa estampou manchetes pelo mundo. A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial ganhou ampla repercussão na imprensa internacional, que destacou principalmente o desempenho acima do previsto do senador e a força demonstrada pela direita nas eleições deste domingo. Com a apuração praticamente concluída, Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, contrariando a maior parte dos levantamentos divulgados antes da votação, que indicava o Presidente numericamente à frente. A Reuters afirmou que o candidato do PL “superou as expectativas”, enquanto o francês Le Monde classificou sua liderança como uma surpresa diante do cenário projetado anteriormente. O britânico The Guardian também ressaltou que Flávio teve desempenho mais forte do que o esperado e chega ao confronto decisivo em posição favorável. A diferença de menos de dois pontos percentuais levou a eleição para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, mas produziu uma mudança importante no roteiro da campanha: durante boa parte da corrida Lula ocupou a dianteira nas pesquisas; depois da abertura das urnas, é Flávio quem inicia a etapa final com mais votos. 

Nos Estados Unidos, o The New York Times colocou o resultado brasileiro dentro de um movimento mais amplo de fortalecimento da direita na América Latina, e observou que uma eventual vitória de Flávio representaria mais um avanço conservador na região. O Washington Post também chamou atenção para a força dos candidatos ligados ao bolsonarismo em diferentes disputas realizadas no país e para as possíveis consequências internacionais da eleição. Na Europa, a repercussão seguiu linha semelhante. O espanhol El País afirmou que a onda conservadora observada em países latino-americanos chegou com força ao Brasil e destacou que Flávio terminou o primeiro turno à frente do Presidente. Na França, o Le Monde chamou atenção para a sobrevivência e a força eleitoral do bolsonarismo, enquanto o Les Echos tratou o resultado como uma verdadeira mudança de roteiro depois de uma campanha em que Lula aparecia como favorito. O alemão Der Spiegel avaliou o desempenho como uma demonstração de força política da família Bolsonaro e ressaltou o desafio que se apresenta agora ao Presidente brasileiro. Em Portugal, o Público enfatizou que o candidato bolsonarista entra na segunda rodada carregando a vantagem conquistada diretamente nas urnas.

Surpresa que cruzou fronteiras

Na América Latina, onde a eleição brasileira é acompanhada também pelo peso econômico e político do país, o resultado recebeu atenção especial. O argentino Clarín classificou como uma “reviravolta surpreendente e dramática” o fato de Flávio contrariar as pesquisas e terminar a primeira rodada à frente de Lula, enquanto o La Nación relacionou a votação ao fortalecimento de um perfil mais conservador na política regional. O Presidente argentino Javier Milei comemorou publicamente o desempenho do candidato brasileiro, parabenizou Flávio pela eleição e manifestou expectativa de aproximação entre os dois países caso o senador conquiste o Planalto. Outros nomes da direita latino-americana também se pronunciaram sobre o resultado, entre eles a líder da oposição venezuelana María Corina Machado e o ex-Presidente colombiano Iván Duque. A dimensão internacional da disputa aparece ainda nas análises sobre a relação futura do Brasil com Estados Unidos e China. A Associated Press observou que uma vitória de Flávio poderia aproximar Brasília de Washington, enquanto a permanência de Lula significaria a continuidade de uma política externa mais distante do governo americano e de maior aproximação com Pequim. Assim, uma diferença relativamente pequena nas urnas brasileiras passou a ser interpretada no exterior como parte de uma disputa geopolítica mais ampla sobre os rumos da maior economia da América Latina.

A repercussão externa também evidencia como o resultado mudou a percepção sobre a reta final da eleição. Flávio não apenas garantiu presença no segundo turno: chegou à decisão ocupando uma posição que poucos levantamentos lhe davam antes da abertura das urnas, enquanto Lula reconheceu que esperava vencer já na primeira rodada e classificou o resultado como inesperado. O candidato do PL obteve cerca de 56,1 milhões de votos, contra aproximadamente 53,8 milhões do Presidente, uma diferença superior a 2 milhões de eleitores que agora se transforma no ponto de partida para três semanas de nova campanha. Ao mesmo tempo, a direita obteve resultados importantes em governos estaduais e no Congresso, outro elemento destacado pela imprensa estrangeira ao analisar o tamanho da força política revelada neste domingo. Nada disso define antecipadamente o vencedor do segundo turno, mas altera a dinâmica da corrida: Lula passa a buscar a virada, enquanto Flávio tenta preservar e ampliar a dianteira. Se durante meses as pesquisas colocaram o Presidente como referência da disputa, as urnas produziram outro roteiro — e a surpresa foi grande o suficiente para transformar Flávio Bolsonaro, de Washington a Madri, de Paris a Buenos Aires, em uma das principais manchetes políticas internacionais do dia.

Leo Pinheiro