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Diversão & Arte

Cultura Inglesa Festival faz ponte entre Brasil e Reino Unido em sua 29ª edição

05/10/2026 • 13:09 • Por Waleria de Carvalho

Entre as atrações internacionais está Famehungry, da artista britânica Louise Orwin

Foto: Divulgação

Evento ocupa São Paulo e chega à Baixada Santista de 21 a 31 de outubro com Agnes Nunes, teatro simultâneo no TikTok Live, Shakespeare ao som de Roberto Carlos, Slam no MASP e cinema ao ar livre

Do algoritmo do TikTok aos versos de Shakespeare, passando pela poesia em Libras, pelas canções de Roberto Carlos e até por uma viagem De Volta para o Futuro: a cultura britânica encontra diferentes sotaques brasileiros na 29ª edição do Cultura Inglesa Festival, que acontece de 21 a 31 de outubro, em São Paulo, com atividades também na Baixada Santista. Às vésperas de completar três décadas de história, o evento espalha música, teatro, cinema, debates, oficinas e ações formativas por espaços como o Vão Livre do MASP, Sesc 24 de Maio, Casa Natura Musical, Cinemateca Brasileira e Centro Brasileiro Britânico (CBB), além do Sesc Santos, e de uma programação especial em Paraisópolis. Nesta edição, a esperança aparece como eixo conceitual, mas não como simples expectativa pelo futuro: a proposta é tratá-la como ação coletiva e ponto de partida para discutir juventude, saúde mental, redes sociais, educação, identidade, emergência climática e as possibilidades de intercâmbio cultural entre Brasil e Reino Unido.

Entre as atrações internacionais está Famehungry, da artista britânica Louise Orwin, que leva para o palco uma provocação bastante contemporânea: como a arte performática pode sobreviver em um mundo dominado pelas redes sociais e pela disputa permanente por atenção? A montagem acontece simultaneamente diante da plateia e no TikTok Live, enquanto Louise executa tarefas inspiradas em tendências da plataforma e tenta conquistar a audiência virtual, colocando público presencial, espectadores digitais e algoritmo no mesmo jogo. O espetáculo será apresentado no Sesc Santos, no dia 24, e no Sesc 24 de Maio, nos dias 30 e 31. A artista também participa de gravações de podcast e das discussões do CIF Talks, que aborda juventude, saúde mental e redes sociais. Outra frente do festival olha para a emergência climática: A Citizens’ Assembly, do britânico Andy Smith, transforma o próprio público em uma assembleia encarregada de debater problemas ambientais, enquanto o projeto Create for Change mobiliza jovens em torno das mudanças climáticas. No dia 21, o CBB recebe ainda conversas sobre os efeitos da vida digital e sobre a participação das novas gerações nas decisões relacionadas ao futuro do planeta.

Da tela para a rua

A programação também deixa os palcos tradicionais para ocupar alguns dos espaços mais conhecidos da cidade. No dia 23, o Vão Livre do MASP recebe o Slam do Corpo, apresentado como a primeira batalha de poesia entre poetas surdos e ouvintes do Brasil. Criado em 2014, o projeto reúne duplas que se apresentam simultaneamente em Libras e português, acompanhadas por intérpretes, DJ e um júri escolhido na hora. Já no dia 24, o CIF Paraisópolis promove atividades gratuitas para crianças e adultos, incluindo oficina de autorretrato com o artista e arte-educador Samuel Silva e atividades de Passinho com o NGKS (Negroskis). No dia 30, a programação muda novamente de cenário: a área externa da Cinemateca Brasileira vira sala de cinema para uma sessão gratuita de De Volta para o Futuro, clássico dirigido por Robert Zemeckis e lançado em 1985. A exibição começa às 20h00, com distribuição dos ingressos uma hora antes e direito a pipoca gratuita.

O encerramento, no dia 31, resume a mistura de linguagens que marca a edição. Agnes Nunes sobe ao palco da Casa Natura Musical com repertório do álbum O Amor e Suas Variáveis e interpretações de músicas em inglês; a renda da bilheteria será destinada a ações em Paraisópolis, onde a Cultura Inglesa mantém uma unidade social com cursos gratuitos de inglês. No mesmo dia, a Cia. Cênica, de São José do Rio Preto, apresenta no CBB Cheese and Guava or Romeo and Juliet, montagem bilíngue que promove um encontro improvável entre William Shakespeare e Roberto Carlos para revisitar Romeu e Julieta e discutir também colonialismo e divisões culturais. Depois de participar do Fringe de Edimburgo, na Escócia, o espetáculo volta ao Brasil justamente em um festival criado para aproximar os dois países. Assim, prestes a chegar à histórica 30ª edição, o Cultura Inglesa Festival mostra que sua ponte cultural pode começar em Shakespeare, atravessar o TikTok, passar pelo funk, pelo Cinema e pela música brasileira, e desembarcar em praticamente qualquer lugar.

Waleria de Carvalho