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Política

Senado vira o jogo: Direita cresce e STF entra na nova matemática do poder

05/10/2026 • 09:33 • Por Felipe Masid

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis a cara do PL Mulher no Senado Federal

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Avanço do PL e fortalecimento da direita e centro-direita redesenham a correlação de forças no Congresso e aumentam o poder de pressão da Casa sobre o Supremo a partir de 2027

As urnas mexeram nas cadeiras e também no tabuleiro do poder em Brasília. As eleições de 2026 produziram uma mudança expressiva na composição do Senado Federal, com avanço do PL e fortalecimento das forças de direita e centro-direita. O PL, que atualmente possui 15 cadeiras, passará a contar com 28 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa. No levantamento apresentado, direita e centro-direita chegam, juntas, a 50 dos 81 senadores, enquanto centro e esquerda perdem espaço. O resultado não significa a formação automática de um bloco homogêneo, mas altera de maneira significativa a correlação de forças em uma Casa que possui atribuições constitucionais capazes de influenciar diretamente os rumos do Executivo e do Judiciário.

Os 50 senadores classificados nesse campo político não necessariamente votarão juntos, já que partidos, interesses regionais e posições individuais podem produzir divisões. Ainda assim, o tamanho desse grupo amplia sua capacidade de articulação em votações estratégicas e coloca a relação com o Supremo Tribunal Federal no centro das atenções para a próxima legislatura. Cabe ao Senado, entre outras atribuições, analisar indicações para a mais alta Corte do país e processar e julgar ministros do STF nos casos previstos constitucionalmente. Com uma maioria política diferente da atual, essas prerrogativas ganham novo peso no equilíbrio entre os Poderes.

STF na conta do novo Senado

É nessa matemática que um dos números mais sensíveis aparece: 54 votos. Esse é o quórum de dois terços dos 81 senadores necessário para uma eventual condenação de ministro do STF em processo de impeachment. Em um cenário hipotético no qual os 50 parlamentares classificados como direita e centro-direita votassem juntos, faltariam apenas quatro votos para alcançar esse patamar. Isso, por si só, não significa que haverá votos suficientes para afastar qualquer ministro, nem que pedidos de impeachment necessariamente avançarão, mas reduz numericamente a distância entre esse campo político e o quórum constitucional exigido, dando outra dimensão às disputas entre Senado e Supremo.

A nova composição também poderá pesar diretamente sobre quem ocupará futuras cadeiras do STF. Ministros da Corte são indicados pelo Presidente da República, mas precisam ser aprovados pela maioria absoluta do Senado — 41 dos 81 votos — antes da nomeação. Dessa forma, independentemente de quem estiver no Palácio do Planalto, o Senado que assume em 2027 terá poder decisivo sobre eventuais mudanças na composição do Supremo. O resultado das urnas não antecipa impeachments, rejeições ou aprovações de ministros, mas estabelece uma nova equação institucional para Brasília: o Presidente continuará com a caneta da indicação, mas o novo Senado terá força para dizer sim ou não.

Felipe Masid