Dois nomes do PL conquistam as maiores votações já registradas para deputado federal no Brasil, superam Eduardo Bolsonaro e reforçam a força da nova geração conservadora na Câmara
A barreira dos 3 milhões caiu duas vezes na mesma noite; e colocou dois jovens nomes da direita no topo da história eleitoral da Câmara dos Deputados. Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) foram eleitos neste domingo, 4, com as duas maiores votações nominais já registradas por candidatos a deputado federal no Brasil. Nikolas terminou a apuração em Minas Gerais com 3.119.314 votos, equivalentes a 27,2% dos votos válidos, garantindo a reeleição e assumindo o primeiro lugar no ranking histórico. Pavanato veio logo atrás: em sua primeira eleição para a Câmara, recebeu 3.038.438 votos em São Paulo, ou 12,82% dos válidos. Juntos, os dois candidatos do PL reuniram mais de 6,1 milhões de votos e derrubaram com folga uma marca que permanecia de pé desde 2018. Até este domingo, o recordista era Eduardo Bolsonaro, eleito naquele ano por São Paulo com 1.843.735 votos. Antes dele, a referência histórica havia sido Enéas Carneiro, que conquistou 1.573.642 votos em 2002. A dimensão dos novos números mostra que não houve apenas uma troca de recordista: Nikolas e Pavanato elevaram para outro patamar a votação individual para a Câmara e transformaram a noite eleitoral em uma demonstração da capacidade de mobilização da direita nas urnas.
Para Nikolas, o resultado representa também uma expansão impressionante de uma força eleitoral que já havia chamado atenção quatro anos antes. Em 2022, então com 26 anos, ele foi eleito deputado federal com 1.492.047 votos e terminou aquela eleição como o candidato à Câmara mais votado do país. Agora, ultrapassou os 3,1 milhões e mais do que dobrou a própria marca. Influenciador digital antes mesmo de chegar ao Congresso, o parlamentar mineiro consolidou durante o mandato uma atuação fortemente identificada com a oposição ao governo Lula, pautas conservadoras e defesa do ex-Presidente Jair Bolsonaro. Pavanato percorreu caminho ainda mais rápido. Em 2024, foi eleito vereador de São Paulo com 161.386 votos, tornando-se o candidato mais votado para a Câmara Municipal paulistana. Apenas dois anos depois, saltou para mais de 3 milhões de votos na disputa federal. Aliado de Nikolas e também identificado com o bolsonarismo, o paulista ganhou projeção pelas redes sociais e construiu sua campanha em torno de bandeiras conservadoras. A ascensão dos dois revela ainda a crescente importância das plataformas digitais na formação de novas lideranças capazes de transformar milhões de seguidores e visualizações em votos efetivos nas urnas.
Recorde em dose dupla
Os números ganham dimensão ainda maior quando comparados aos recordes anteriores. Eduardo Bolsonaro precisou de 1,84 milhão de votos para estabelecer, em 2018, a marca que permaneceu por duas eleições; neste domingo, tanto Nikolas quanto Pavanato ultrapassaram os 3 milhões. Enéas Carneiro, cuja votação de 1,57 milhão em 2002 permaneceu durante 16 anos como referência nacional, também foi superado por larga distância. Em São Paulo, Pavanato terminou com quase o dobro da votação da segunda colocada, Erika Hilton (PSOL), enquanto em Minas Gerais a distância aberta por Nikolas para os demais concorrentes foi ainda mais expressiva. O desempenho dos dois também fortalece a estratégia do PL de apostar em candidatos com enorme capacidade de mobilização individual, os chamados “puxadores de votos”, importantes em uma eleição proporcional porque ajudam a ampliar a votação total da legenda. Mais do que conquistar suas próprias cadeiras, candidaturas dessa dimensão podem contribuir para a eleição de outros integrantes da chapa partidária. O resultado coloca ainda dois políticos com menos de 31 anos entre os maiores fenômenos eleitorais da história recente do país e indica uma renovação geracional dentro do campo conservador.
A votação histórica também projeta Nikolas e Pavanato para além da próxima legislatura. Os dois chegam à Câmara fortalecidos justamente no momento em que Flávio Bolsonaro (PL) avança para o segundo turno da eleição presidencial contra Lula, e Pavanato já afirmou que pretende concentrar seus esforços nas próximas semanas na campanha do candidato do partido ao Palácio do Planalto. Depois da eleição, ele atribuiu parte de seu desempenho ao apoio de Nikolas e Jair Bolsonaro, e relacionou sua votação à insatisfação de parte do eleitorado com a esquerda. Nikolas, por sua vez, deixa as urnas não apenas reeleito, mas com mais que o dobro dos votos obtidos em 2022 e ocupando definitivamente o primeiro lugar no ranking histórico da Câmara. Pavanato estreia em Brasília logo atrás dele, depois de transformar os 161 mil votos conquistados para vereador em mais de 3 milhões para deputado federal em apenas dois anos. Se Eduardo Bolsonaro e Enéas Carneiro estabeleceram durante décadas as marcas usadas para medir grandes fenômenos eleitorais para a Câmara, a eleição de 2026 produziu dois novos parâmetros: Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato passaram juntos dos 6 milhões de votos e colocaram a direita nas duas primeiras posições da história das eleições para deputado federal no Brasil.