Pesquisa escancara uma realidade brutal dentro de casa e revela que muitas vítimas sequer reconhecem que foram agredidas
A violência doméstica não bate à porta; muitas vezes, ela já está dentro de casa. Em Mato Grosso, 33% das mulheres afirmam ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar praticada por um homem ao longo da vida, segundo a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado. O dado coloca em números uma realidade que permanece escondida atrás de portas fechadas, relacionamentos abusivos e anos de silêncio. O levantamento também mostra que 29% das mato-grossenses passaram por situações concretas de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas não se identificaram espontaneamente como vítimas.
O cenário fica ainda mais pesado quando os tipos de agressão são analisados. Entre as mulheres que declararam ter sido vítimas, 88% sofreram violência psicológica, 84% violência física e 70% violência moral. Em 59% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima na época da ocorrência. E o ciclo nem sempre termina com a denúncia: 10% das mulheres continuam convivendo com o homem que as agrediu, sendo que, entre elas, 79% ainda moram com o agressor.
O perigo mora ao lado
Os números também revelam os gatilhos apontados pelas vítimas para as agressões mais graves. Ciúme aparece em 59% dos relatos, enquanto 52% mencionam a inconformidade do agressor com o fim ou a tentativa de terminar o relacionamento. O consumo de álcool foi citado em 43% dos casos. Para 82% das mulheres que conseguiram romper com o agressor, a violência teve influência direta na decisão de colocar fim à relação. As consequências ultrapassaram as marcas físicas: 72% relataram impactos na rotina, 68% no convívio social, 45% nos estudos e 43% na vida profissional.
Mesmo com ampla familiaridade com os serviços de proteção, o conhecimento sobre os instrumentos legais ainda deixa a desejar. Noventa e sete por cento das mato-grossenses conhecem ou já ouviram falar da Defensoria Pública e 93% conhecem a Delegacia da Mulher, mas 70% dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 8% afirmam não conhecer nada sobre a legislação. Quando o assunto são medidas protetivas, 84% possuem conhecimento superficial ou nenhum conhecimento. Para completar o alerta, 82% perceberam aumento da violência doméstica contra mulheres, enquanto 73% afirmam conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já foi vítima.