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Volta por cima nas urnas: Deltan conquista vaga no Senado e retorna ao caminho de Brasília

04/10/2026 • 19:16 • Por Leo Pinheiro

O resultado representa uma expressiva retomada política para Deltan três anos depois de perder o mandato de deputado federal por decisão do TSE

Foto: Divulgação/CBN

Ex-procurador supera uma campanha marcada por batalhas judiciais, garante a segunda cadeira do Paraná e chega fortalecido ao julgamento definitivo de sua candidatura pelo TSE

Depois de enfrentar decisões judiciais, recursos e uma reviravolta a poucas horas da votação, Deltan Dallagnol (Novo) encontrou nas urnas a resposta que buscava: conquistou uma das duas vagas do Paraná para o Senado e voltou a abrir seu caminho político rumo a Brasília. O ex-procurador da República garantiu neste domingo, 4, a segunda cadeira destinada ao estado, enquanto Filipe Barros (PL) conquistou a primeira. O resultado representa uma expressiva retomada política para Deltan três anos depois de perder o mandato de deputado federal por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo com sua situação jurídica ainda dependendo de uma manifestação definitiva da Corte, o candidato atravessou uma das campanhas mais turbulentas da eleição paranaense e saiu dela respaldado pelo voto popular, conquistando nas urnas um mandato de oito anos no Senado. 

A conquista ganha ainda mais peso diante da sequência de obstáculos enfrentados nos últimos dias da campanha. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná havia aprovado, por quatro votos a três, o registro da candidatura de Deltan, permitindo que ele permanecesse normalmente na corrida. PT e PDT, entretanto, recorreram ao TSE questionando sua elegibilidade. Na noite de sábado, véspera da eleição, o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu individualmente pelo indeferimento do registro e determinou que os votos destinados à chapa fossem considerados nulos. A situação sofreu nova e decisiva reviravolta poucas horas depois: na manhã deste domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e restabeleceu a condição que permitiu a contabilização dos votos de Deltan. A medida garantiu que a vontade manifestada pelos eleitores paranaenses aparecesse no resultado da eleição enquanto o plenário não dá a palavra final sobre o caso.

Resposta veio das urnas

Com o caminho novamente aberto para a contabilização dos votos, Deltan transformou a incerteza jurídica em desempenho eleitoral e terminou a disputa entre os dois vencedores da corrida ao Senado. Com 94,06% das seções apuradas, ele registrava 25,31% dos votos, ficando atrás apenas de Filipe Barros, com 27,29%, e abrindo vantagem sobre Alexandre Curi (Republicanos), que aparecia com 16,68%. O resultado reforça a força eleitoral demonstrada pelo ex-procurador em sua passagem anterior pelas urnas. Em 2022, Deltan havia sido eleito deputado federal pelo Paraná com 344.917 votos, tornando-se o candidato mais votado do estado para a Câmara naquele pleito. Agora, já filiado ao Novo e disputando pela primeira vez uma cadeira no Senado, voltou a conquistar apoio suficiente para figurar entre os vencedores, desta vez em uma eleição majoritária e com um mandato de oito anos em jogo.

A disputa jurídica ainda terá novos capítulos, mas Deltan chega à próxima etapa politicamente fortalecido por uma vitória concreta nas urnas. A decisão de Kassio Nunes Marques permitiu que os votos fossem contabilizados e preservou os efeitos do registro deferido pelo TRE do Paraná enquanto o plenário do TSE não conclui a análise do processo. Assim, depois de atravessar uma campanha marcada por dúvidas sobre sua permanência na disputa, o ex-procurador encerra o domingo eleitoral com uma cadeira conquistada pelo voto dos paranaenses e com seu retorno ao Congresso novamente no horizonte. O julgamento definitivo ainda determinará a situação jurídica do mandato, mas a primeira resposta já foi dada diretamente pelo eleitor. Depois de perder uma cadeira por decisão da Justiça Eleitoral, Deltan voltou às urnas e conquistou outra; agora no Senado. Para ele, a eleição deste domingo ganhou contornos de volta por cima e recolocou Brasília novamente no caminho.

Leo Pinheiro