Datafolha e Quaest apontam empate técnico entre os dois líderes, enquanto AtlasIntel registra vantagem de Lula; projeções para eventual segundo turno reforçam cenário de disputa voto a voto
A eleição chegou ao domingo com a urna aberta e uma distância mínima separando os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entram no primeiro turno separados por apenas um ponto percentual na pesquisa Quaest e por três pontos no Datafolha, considerando os votos válidos, um retrato que coloca a corrida presidencial em terreno de forte equilíbrio. Na Quaest, Lula aparece com 46% contra 45% de Flávio, enquanto o Datafolha registra 45% para o petista e 42% para o candidato do PL. Como a margem de erro dos dois levantamentos é de dois pontos percentuais, ambos apresentam os adversários tecnicamente empatados. É uma fotografia que ajuda a dimensionar o clima de incerteza na reta final: depois de meses de campanha, debates, viagens, confrontos políticos e sucessivas rodadas de pesquisas, os dois chegam ao momento decisivo sem uma vantagem confortável que permita antecipar com segurança o tamanho da diferença que poderá aparecer nas urnas. A disputa, que durante boa parte da campanha foi acompanhada por oscilações nas intenções de voto, termina sua última rodada de levantamentos nacionais com Lula e Flávio concentrando a maior parte das preferências, e deixando para o eleitor a definição do verdadeiro placar.
A fotografia final das pesquisas também mostra uma corrida significativamente mais apertada do que aquela registrada às vésperas do primeiro turno presidencial de 2022. Naquela ocasião o Datafolha indicava 14 pontos percentuais de vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro, distância que acabou diminuindo de maneira expressiva quando as urnas foram abertas: no resultado oficial, Lula terminou o primeiro turno 5,23 pontos à frente do então Presidente. Quatro anos depois, o cenário captado pelos institutos é diferente desde a largada para o dia decisivo, porque Flávio Bolsonaro chega à votação muito mais próximo do petista nas principais sondagens. Além da diferença mínima registrada pela Quaest, o Datafolha mantém os dois dentro da margem de erro. Os demais presidenciáveis aparecem em um segundo bloco e bem mais distantes da dupla que lidera a corrida. No Datafolha, Ronaldo Caiado soma 4%, Renan Santos e Augusto Cury aparecem com 3% cada, enquanto Romeu Zema registra 1% dos votos válidos. Essa concentração das intenções de voto nos dois primeiros colocados aumenta o peso de cada movimento nas últimas horas e transforma eventuais mudanças de preferência, abstenções e decisões de eleitores ainda indecisos em componentes relevantes para a composição do resultado final.
Segundo turno no limite
Se a disputa já chega apertada ao primeiro turno, as simulações para uma eventual decisão direta entre Lula e Flávio Bolsonaro tornam o cenário ainda mais dramático. O Datafolha aponta Lula com 47% e Flávio com 46% no segundo turno, uma diferença de somente um ponto percentual e, portanto, insuficiente para colocar qualquer um dos dois isoladamente à frente considerando a margem de erro. A AtlasIntel desenha um quadro ainda mais estreito no confronto direto: 47,6% para Lula e 47,4% para Flávio, separados por apenas 0,2 ponto percentual. No levantamento de primeiro turno da AtlasIntel, porém, o Presidente aparece em situação um pouco mais favorável do que nas pesquisas Quaest e Datafolha: Lula registra 47% dos votos válidos, contra 44,1% de Flávio, uma vantagem de 2,9 pontos percentuais que supera a margem de erro de um ponto do levantamento. A diferença entre os números dos institutos não elimina, contudo, o elemento comum às pesquisas divulgadas na véspera da eleição: a polarização entre os dois candidatos domina a reta final e um eventual segundo turno começaria, de acordo com essas projeções, sob forte equilíbrio. Nesse cenário, a transferência dos votos dos candidatos eliminados, a capacidade de reduzir rejeições e a mobilização dos eleitores poderiam ganhar importância decisiva em uma nova etapa da campanha.
Os últimos levantamentos deixam, portanto, uma mensagem política clara na abertura das urnas: a eleição presidencial chega ao primeiro turno fortemente concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, mas sem uma larga distância separando os dois principais adversários. Quaest e Datafolha colocam os candidatos em empate técnico, enquanto a AtlasIntel registra vantagem estatística para o Presidente na primeira rodada, ao mesmo tempo em que mostra praticamente igualdade absoluta quando simula um confronto direto entre os líderes. Mais do que indicar simplesmente quem aparece alguns pontos à frente, os números revelam uma eleição em que pequenas variações podem alterar a leitura política do resultado e definir as condições de uma possível segunda etapa da disputa. A comparação com 2022 acrescenta outro ingrediente de cautela, já que naquele pleito a distância registrada pelas pesquisas na véspera acabou sendo consideravelmente maior do que a diferença efetivamente encontrada nas urnas. Depois de semanas de pesquisas, oscilações, estratégias para conquistar indecisos, e tentativas de estimular o voto útil, a margem de erro deixa de ser a protagonista: agora são os votos depositados nas urnas que determinarão quem realmente cruzará a linha na frente, e com qual vantagem.