Senador acusa Presidente de fugir do debate para evitar o confronto direto com adversários; Lula rejeita formato tradicional e corre para podcast amigável
Os púlpitos ficaram sem candidatos, mas o embate que não aconteceu no estúdio migrou rapidamente para as telas. Depois do cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) transformou sua live em uma ofensiva contra Lula (PT) pela ausência nos confrontos eleitorais, enquanto o Presidente concedia entrevista ao Flow Podcast, pré-agendada para o mesmo horário. O senador afirmou que vinha desafiando Lula a comparecer ao debate da Globo, e voltou a acusá-lo de evitar o enfrentamento direto com os adversários. Do outro lado, Lula justificou a decisão de não participar, criticou o modelo dos encontros com vários concorrentes e defendeu debates mais seletivos. Se não houve cara a cara, houve disputa por audiência: a aguardada entrevista de Lula alcançou pico de 1,7 milhão de espectadores simultâneos, enquanto a transmissão decúltima hora de Flávio chegou a 900 mil, segundo os números registrados no YouTube. Os dados representam o máximo de usuários conectados simultaneamente, e não o total de visualizações acumuladas posteriormente.
Flávio concentrou parte de sua transmissão justamente na ausência de Lula dos debates durante a campanha. Segundo o senador, o eleitor deveria ter a oportunidade de assistir aos principais candidatos frente a frente, respondendo perguntas, e confrontando propostas e acusações. O candidato do PL afirmou que havia desafiado publicamente o Presidente a participar do encontro da Globo, e reiterou sua acusação de que Lula estaria evitando esse confronto direto. A crítica ocorreu em uma noite marcada por uma ironia política: o próprio Flávio também desistiu de comparecer ao debate da emissora poucas horas antes do início previsto, contudo atribuiu sua retirada às decisões judiciais que alteraram as regras do programa. O senador classificou como “censura” a determinação do TSE que impediu a Globo de exibir o púlpito vazio destinado a Lula e de permitir perguntas dirigidas ao petista ausente. A emissora posteriormente cancelou o encontro, citando “insegurança jurídica” após decisões que modificaram as regras e a composição do debate.
Debate vira batalha digital
Sem o palco da televisão, Flávio reuniu na transmissão aliados como Nikolas Ferreira, Carlos Bolsonaro, Carol de Toni e Deltan Dallagnol, que também comentaram as decisões judiciais envolvendo o debate. O senador aproveitou a live para convocar seus apoiadores, pedir um “voto de revolta”, e afirmar que pretende derrotar Lula já no primeiro turno. Durante a transmissão, Flávio também tentou levar a audiência à marca simbólica de 1 milhão de pessoas simultâneas, e pediu ajuda aos seguidores para atingir o número. O pico registrado ficou em pouco mais de 900 mil espectadores, cerca de meia hora antes do encerramento. A mobilização ocorreu enquanto Lula acumulava uma audiência maior no Flow, e transformava a entrevista escolhida para substituir sua participação no debate em uma das transmissões políticas de maior alcance da campanha. Ainda assim, a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro considerou os números excelentes, por se tratar de uma live “surpresa”.
Lula, por sua vez, respondeu indiretamente às críticas ao explicar por que decidiu ficar longe do debate da Globo. No Flow, afirmou considerar os atuais encontros com cinco ou seis candidatos pouco produtivos e criticou a participação de concorrentes com baixos percentuais nas pesquisas ao lado daqueles que aparecem com índices maiores. O petista defendeu algum tipo de seleção que permitisse confrontos mais concentrados e disse considerar os debates atuais “infrutíferos”, avaliação feita pelo próprio Presidente. Durante a entrevista, Lula também atacou Flávio, falou sobre a proibição das bets e mais uma vez afirmou que não conhece Roberta Luchsinger, e ainda xingou a lobista: “é uma pilantra e se assemelha ao Vorcaro”. No fim da noite, o debate cancelado produziu uma disputa eleitoral em dois palcos digitais: Flávio usou sua transmissão para cobrar de Lula o confronto que, segundo ele, o Presidente evitou durante a campanha; Lula rejeitou o formato dos debates e escolheu uma entrevista individual, e, na batalha paralela pela audiência, registrou 1,7 milhão de espectadores simultâneos contra 900 mil do adversário.