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Escola do crime? Operação explode esquema suspeito e põe educação do Rio na mira

01/10/2026 • 08:40 • Por João Vieira

Foto: Divulgação/Seeduc RJ

Polícia Civil e Ministério Público deflagram Operação Escola de Papel para investigar suspeitas de fraudes e irregularidades envolvendo unidades de ensino

A sirene tocou antes da primeira aula; e, desta vez, quem chegou à porta da residência da ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira foram agentes da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Munidas de mandados de busca e apreensão, as equipes deflagraram, nesta quinta-feira, 1º de outubro, a Operação Escola de Papel, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos destinados à rede estadual de ensino. Um dos endereços da ofensiva foi a casa da ex-secretária, no bairro 25 de Agosto, em Duque de Caxias. As buscas abrem uma nova etapa de uma investigação que tenta descobrir o que havia por trás de contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) que somam cerca de R$ 1,6 bilhão e estão sob auditoria diante de indícios de fraude, contratações irregulares e possível formação de cartel.

O tamanho da cifra ajuda a dimensionar o caso. Auditorias conduzidas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo estadual apontaram suspeitas de irregularidades em contratações realizadas na rede pública, especialmente durante o período em que Roberta Barreto esteve à frente da Seeduc. Levantamentos divulgados sobre a apuração indicam que dez empresas concentraram R$ 540,8 milhões dos R$ 1,6 bilhão contratados sem licitação para reformas de escolas entre 2023 e 2025. Também existem suspeitas envolvendo contratações realizadas em grande parte das 1.241 unidades da rede estadual. Uma das linhas examinadas pelas autoridades é a possibilidade de direcionamento de prestadores de serviços para as escolas. Reportagens sobre as auditorias mencionam o relato de que um diretor teria recebido um pendrive com nomes de empresas que deveriam ser indicadas, enquanto o GSI identificou indícios de possível cartel em três contratos que passaram a ser investigados pelo Ministério Público. Os R$ 1,6 bilhão, porém, correspondem ao universo de contratos colocado sob escrutínio e não representam um valor de desvio já comprovado.

O mapa do dinheiro

A investigação procura agora reconstruir o caminho percorrido pelos recursos públicos, identificar quem teria interferido nas contratações e verificar se determinadas empresas foram favorecidas. Durante as diligências da Operação Escola de Papel, documentos e outros materiais considerados relevantes foram alvo das buscas e deverão ser cruzados com contratos, pagamentos e registros financeiros. Nesse contexto, Yuri André também é citado nas informações relacionadas à apuração como possível participante da operação do suposto esquema. As informações públicas disponíveis até o momento, entretanto, não permitem confirmar de maneira independente sua relação familiar com Roberta Barreto, eventual vínculo com a Secretaria de Educação nem o papel específico que lhe é atribuído. Esses pontos deverão ser esclarecidos pelas autoridades a partir da análise do material apreendido e do avanço das investigações.

O próprio nome da operação resume uma das principais perguntas que os investigadores tentam responder: se aquilo que existia no papel correspondia ao que efetivamente era realizado nas unidades de ensino. Polícia Civil e Ministério Público pretendem identificar quem teria participado das operações investigadas, como elas teriam sido estruturadas e qual seria a dimensão de eventuais prejuízos aos cofres públicos. A ofensiva aumenta a pressão sobre a antiga gestão da Educação justamente quando auditorias estaduais já apontam suspeitas sobre contratações em larga escala. Agora, documentos, registros financeiros e outras evidências poderão determinar se os indícios encontrados se confirmam e quais responsabilidades poderão ser atribuídas aos envolvidos. Se as irregularidades forem comprovadas, a Escola de Papel poderá mostrar que o problema ia muito além dos documentos, e revelar quem movimentava as peças por trás de contratos que colocaram R$ 1,6 bilhão da educação pública fluminense sob a lupa das autoridades.

João Vieira