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Madeira de lei: Força Nacional volta a terra indígena de MT após histórico de invasões e extração ilegal

30/09/2026 • 16:25 • Por Redação NTD

Ação realizada em Brasnorte terminou com a apreensão de 2.863 toras de madeira nativa, além de caminhões e outros veículos

Foto: Divulgação/Ibama

Agentes permanecerão por 45 dias na Terra Indígena Menkü, em Brasnorte, onde operações anteriores encontraram estruturas clandestinas e milhares de toras de madeira nativa

Onde a floresta deveria ser protegida, o rastro deixado nos últimos anos inclui invasões, desmatamento e estruturas usadas para retirar madeira ilegalmente. Agora, a resposta volta a chegar acompanhada de agentes federais. O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública por 45 dias na Terra Indígena Menkü, em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso. A medida, publicada no Diário Oficial da União, determina que os agentes atuem em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), responsável por solicitar o reforço. A operação terá caráter episódico e planejado e deverá se concentrar em ações consideradas necessárias à preservação da ordem pública, da segurança das pessoas e do patrimônio. O número de integrantes que serão enviados para a região não foi divulgado e a portaria também não especifica um episódio recente como motivo para a nova mobilização. A presença federal, entretanto, ocorre em um território que acumula registros de pressão sobre a floresta e de entrada irregular de terceiros. 

A Terra Indígena Menkü já entrou anteriormente no radar das autoridades por causa de crimes ambientais. Em novembro de 2024, uma operação conjunta da Funai e do Ibama encontrou estruturas utilizadas para a extração ilegal de madeira. No ano seguinte, a própria Funai voltou a relatar presença irregular de terceiros no território e informou que a área permanecia sob fiscalização. Mais recentemente, outra ação realizada em Brasnorte terminou com a apreensão de 2.863 toras de madeira nativa, além de caminhões e outros veículos, depois que alertas de alta resolução indicaram desmatamento na área indígena. A sucessão de episódios ajuda a explicar a atenção permanente dedicada à região, embora não seja possível afirmar, a partir da portaria, que uma ocorrência específica tenha provocado o novo envio dos agentes. A Funai ficará responsável por garantir a infraestrutura logística necessária para as equipes, enquanto o tamanho do contingente e o planejamento operacional serão definidos pela Diretoria da Força Nacional, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Cerco aos invasores

A Força Nacional também não chega pela primeira vez à Menkü neste ano. Em janeiro, o Ministério da Justiça já havia autorizado outra operação no território em apoio à Funai, sinalizando que a presença federal se tornou uma das ferramentas utilizadas para reforçar a proteção da área. Desta vez, os agentes trabalharão em articulação com os órgãos de segurança pública de Mato Grosso e a operação fará parte do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), programa federal voltado à atuação integrada na Amazônia Legal. A nova mobilização ocorre ainda em meio a uma longa discussão sobre o território do povo Myky. Um relatório da Funai publicado em 2012 propôs a ampliação dos limites da terra indígena, sob o argumento de corrigir problemas da primeira demarcação. O processo passou por decisões administrativas e judiciais ao longo dos anos e voltou a avançar em 2026, enquanto produtores rurais e o município de Brasnorte contestam a ampliação. A portaria que autorizou a Força Nacional, porém, não relaciona expressamente a operação a essa disputa territorial.

Localizada em Brasnorte, a Terra Indígena Menkü é território tradicional do povo Myky e integra uma região próxima às cabeceiras de rios que fazem parte da bacia do Tapajós, na Amazônia mato-grossense. Documentos oficiais reconhecem a área entre as terras indígenas regularizadas de Mato Grosso, enquanto estudos da Funai registram a ocupação histórica do povo Myky naquele território. É justamente sobre essa área que as sucessivas operações tentam ampliar a proteção diante da presença de atividades clandestinas e da pressão sobre os recursos naturais. Durante os próximos 45 dias, a Força Nacional deverá funcionar como reforço às ações da Funai e dos órgãos estaduais, num território em que fiscalizações anteriores já encontraram sinais concretos de exploração ambiental irregular. Depois de estruturas clandestinas, alertas de desmatamento e milhares de toras apreendidas, o governo federal volta a colocar agentes no terreno para tentar impedir que a madeira continue saindo antes que a fiscalização consiga chegar.