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Gastronomia e Turismo

Muito além do Pantanal: Turismo de eventos levam R$ 32,9 milhões para a economia de Cuiabá

30/09/2026 • 16:13 • Por Waleria de Carvalho

Os eventos realizados no Centro de Eventos do Pantanal movimentaram R$ 32,9 milhões na economia cuiabana em 2025

Foto: Divulgação/Sebrae/MT

Centro de Eventos do Pantanal recebeu 162,5 mil visitantes em 2025 e movimentou mais de 50 setores, transformando feiras e congressos em combustível para turismo, comércio e serviços

Quem desembarca em Cuiabá para participar de uma feira ou congresso pode chegar de crachá no pescoço, mas nem sempre volta para casa apenas com negócios fechados na bagagem. Os eventos realizados no Centro de Eventos do Pantanal movimentaram R$ 32,9 milhões na economia cuiabana em 2025, espalhando seus efeitos por hotéis, restaurantes, transportes, comércio e dezenas de outras atividades. No mesmo período, 162,5 mil pessoas passaram pelo complexo, sendo mais de 20 mil visitantes vindos de fora de Cuiabá e da região. Os números ajudam a mostrar como o turismo de eventos ultrapassa os limites dos pavilhões: quem viaja para trabalhar, participar de encontros profissionais ou visitar feiras também se hospeda, faz refeições, utiliza transporte, compra produtos e, em muitos casos, aproveita a passagem pelo estado para conhecer seus atrativos naturais e culturais. 

O impacto alcançou mais de 54 setores da economia local, reforçando a importância do chamado turismo de negócios para uma cadeia que vai muito além dos organizadores de eventos. O Centro de Eventos do Pantanal também se beneficia da localização: está a aproximadamente 12 quilômetros do Aeroporto Internacional Marechal Rondon e a cinco quilômetros do Terminal Rodoviário. Em 2025, o espaço recebeu 195 eventos e consolidou-se como um dos principais pontos para feiras, congressos, encontros empresariais e outras programações de Mato Grosso. Desde sua inauguração, em 2000, mais de seis milhões de pessoas já passaram pelo complexo. Para o gerente do CEP, Charles Padilha, cada evento representa também uma oportunidade de apresentar o estado a quem muitas vezes desembarca em Cuiabá inicialmente por motivos profissionais e acaba descobrindo uma oferta turística que pode estimular uma nova viagem, desta vez dedicada exclusivamente ao lazer.

Do crachá ao passeio

A geografia ajuda a transformar essa circulação profissional em oportunidade turística. Mato Grosso reúne três dos principais biomas brasileiros — Pantanal, Cerrado e Amazônia — e oferece experiências bastante diferentes a poucas horas da capital. Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá, reúne trilhas, cachoeiras e paisagens naturais; Nobres, a aproximadamente 150 quilômetros, é conhecida por atividades como flutuação e boia-cross; e o Pantanal pode ser acessado a partir de cerca de 20 quilômetros da capital. O cardápio de possibilidades inclui ainda turismo rural e gastronômico, afroturismo em comunidades quilombolas de Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade e experiências de etnoturismo em Campo Novo do Parecis. A lógica é aproveitar uma viagem originalmente motivada por um compromisso profissional para apresentar outros destinos e estimular o visitante a prolongar a permanência ou retornar posteriormente acompanhado da família.

Para sustentar esse movimento, o Centro de Eventos do Pantanal aposta também na infraestrutura. O complexo possui mais de 12 mil metros quadrados de área construída, enquanto o Pavilhão das Nações oferece 4,2 mil metros quadrados e climatização — um diferencial importante diante das altas temperaturas de Cuiabá. A estrutura conta ainda com cinco salas e cinco auditórios modulares e capacidade total para receber até sete mil pessoas simultaneamente em eventos de diferentes portes. Mais do que concentrar público em um único endereço, porém, os números indicam que a movimentação se espalha pela cidade. Cada visitante atraído por uma feira, congresso ou encontro pode representar uma diária de hotel, uma corrida de aplicativo, refeições, compras e passeios, fazendo com que o dinheiro dos eventos circule por diferentes negócios. É nessa combinação entre grandes encontros e atrações naturais que Mato Grosso busca transformar quem chega com compromisso marcado em turista — e o turismo em mais uma engrenagem da economia estadual.

Waleria de Carvalho