Ocupação hoteleira chega a 77,9% na cidade e passa de 95% em Copacabana durante semana do jogo no Maracanã; evento movimenta hospedagem, bares, restaurantes, comércio e serviços
A bola oval atravessou as traves no Maracanã, mas o placar positivo para o turismo carioca começou a ser construído dias antes. A estreia da NFL no Rio ajudou a movimentar hotéis, restaurantes, bares, comércio, transporte e atrações turísticas durante uma semana em que Dallas Cowboys e Baltimore Ravens transformaram a cidade em ponto de encontro de torcedores brasileiros e estrangeiros. Pesquisa do HotéisRIO realizada para o período do NFL Rio Game apontou ocupação média de 77,90% nos hotéis da capital, acima dos 73,58% registrados na primeira prévia, divulgada dez dias antes. Na Zona Sul, onde se concentrou boa parte das ativações e dos visitantes, os números foram ainda maiores: Leme e Copacabana chegaram a 95,72% de ocupação, Ipanema e Leblon a 94,24% e a região entre Glória e Botafogo a 92,77%. O Centro registrou 69,31%, enquanto Barra, Recreio e São Conrado ficaram em 60,09%. Os dados mostram como um único grande evento esportivo pode ajudar a espalhar consumo pela cidade muito antes de o público chegar às arquibancadas.
O efeito econômico não ficou restrito às diárias dos hotéis. Quem veio ao Rio para acompanhar a NFL também consumiu em bares e restaurantes, utilizou transporte, visitou pontos turísticos, fez compras e participou das ações promovidas pela liga entre os dias 20 e 27 de setembro. A dimensão desse mercado pode ser observada nos números gerais do turismo carioca: nos seis primeiros meses de 2026, os visitantes movimentaram R$ 17,2 bilhões na economia da cidade, e hospedagem e alojamento responderam sozinhos por 40% desse valor, cerca de R$ 7,1 bilhões. Bares e restaurantes representaram outros 24,9%, ou R$ 4,3 bilhões, enquanto entretenimento e lazer ficaram com 15,9%, aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Para setembro, um levantamento do Visit Rio Convention Bureau estimou que o conjunto de eventos programados para o mês tinha potencial para movimentar R$ 637,4 milhões em receita e R$ 31,9 milhões em ISS. Esse valor inclui todo o calendário de eventos do período, e não apenas a NFL, mas ajuda a dimensionar a importância econômica de atrações capazes de trazer visitantes e elevar a ocupação hoteleira.
Da end zone para o caixa
A NFL tratou de manter esse público circulando pelo Rio durante praticamente uma semana inteira. Uma bola gigante apareceu diante do Pão de Açúcar, um enorme capacete inflável ocupou a Lagoa Rodrigo de Freitas, Copacabana recebeu uma camisa temática esculpida na areia e o Cristo Redentor ganhou uma projeção alusiva à liga. Também houve corrida temática, exposição do Troféu Vince Lombardi e dos 60 anéis do Super Bowl, lojas oficiais e experiências destinadas aos torcedores. A programação oficial começou em 20 de setembro e só terminou no dia do confronto, criando oportunidades de consumo para além das poucas horas de partida no Maracanã. O HotéisRIO relacionou o bom desempenho da rede hoteleira ao período do jogo e destacou que a diversificação do calendário de grandes eventos ajuda a atrair novos públicos, gerar investimentos e movimentar empregos em toda a cadeia turística. Para uma cidade em que hospedagem, alimentação e lazer concentram mais de 80% do impacto econômico estimado dos gastos dos turistas, manter milhares de visitantes circulando por vários dias significa espalhar a receita muito além das bilheterias do estádio.
O ponto máximo da semana veio neste domingo, 27, quando Baltimore Ravens e Dallas Cowboys levaram 72.792 pessoas ao Maracanã, numa partida decidida literalmente no último segundo, com vitória dos Ravens por 34 a 31. Mas, para o turismo, a importância do NFL Rio Game começou antes do kickoff e continuou além do apito final. A própria Prefeitura afirmou, durante a preparação do evento, que esperava ganhos para a cidade em audiência e atração de turistas, enquanto a rede hoteleira já apresentava ocupação superior a 90% em três importantes regiões da Zona Sul. E a aposta não termina nesta edição: o acordo prevê pelo menos três partidas de temporada regular da NFL no Rio ao longo de cinco anos. Se dentro do Maracanã o touchdown vale seis pontos, fora dele a conta é outra: mais quartos ocupados, mesas cheias, turistas circulando e dinheiro entrando na cadeia de serviços. A bola pode até ser oval, mas o impacto econômico se espalha pela cidade inteira.