Notícia Todo Dia NTD
Esporte

Entendeu as regras? Nem precisava: Ravens vencem no último segundo e levam Maracanã à loucura

27/09/2026 • 21:33 • Por Leo Pinheiro

Tyler Loop com um chute certeiro , no último segundo, leva o Maracanã à loucura

Foto: Divulgação/Baltimore Ravens

Mesmo sem dominar todos os detalhes do futebol americano, brasileiros entram no clima e vibram com field goal de 56 jardas que dá ao Baltimore vitória por 34 a 31 sobre Dallas

O Maracanã está acostumado a gols nos acréscimos, mas desta vez a explosão veio quando uma bola oval passou entre duas traves. O Baltimore Ravens venceu o Dallas Cowboys por 34 a 31 neste domingo, 27, com um field goal de 56 jardas de Tyler Loop quando restava apenas um segundo no relógio, encerrando de maneira cinematográfica o primeiro jogo da história da NFL disputado no Rio de Janeiro. E se parte dos brasileiros presentes ainda tentava entender por que o relógio parava, quantas jardas faltavam para uma primeira descida ou exatamente quando entrava em campo a equipe de especialistas, o final dispensou manual de instruções. Com o placar empatado, poucos segundos no cronômetro e uma cobrança longa capaz de decidir tudo, o Maracanã entendeu perfeitamente o que estava em jogo. A tensão tomou conta das arquibancadas e virou festa quando a bola passou entre as traves. Antes disso, Dallas havia aberto 10 a 0, Baltimore reagiu e foi para o intervalo vencendo por 17 a 13, preparando o cenário para um segundo tempo de sucessivas reviravoltas.

A partida ganhou ainda mais emoção depois do intervalo. Baltimore ampliou com touchdown de Chris Moore após passe de Lamar Jackson, mas Dallas respondeu com Dak Prescott encontrando Jake Ferguson e ainda converteu dois pontos para diminuir a diferença. No último quarto, os Cowboys viraram para 28 a 24 com Kavontae Turpin, colocando os Ravens novamente sob pressão. Lamar Jackson, porém, conduziu Baltimore a outra reação e encontrou Matt Hibner para o touchdown que fez 31 a 28 quando faltava 1min34s. Dallas ainda teve tempo para avançar pelo campo e colocar Brandon Aubrey em posição para um field goal curto. O kicker acertou quando restavam apenas dez segundos e empatou a partida em 31 a 31. Foi justamente nesse momento que até quem havia passado boa parte da noite perguntando ao vizinho de cadeira o significado das marcações começou a fazer as contas: tudo indicava que a partida caminhava para a prorrogação. Só que sete segundos seriam suficientes para mudar completamente o roteiro.

Sete segundos e nenhuma tradução necessária

Na jogada seguinte, Lamar Jackson encontrou Zay Flowers em um passe de 27 jardas, levando Baltimore até a linha de 38 jardas do campo de Dallas. Restava uma última oportunidade. Tyler Loop entrou para tentar um field goal de 56 jardas e, com apenas um segundo no relógio, acertou a cobrança que decretou o 34 a 31. Foi aí que o futebol americano deixou de precisar de legenda: braços para o alto, gritos nas arquibancadas e uma comemoração que lembrava muito mais um gol decisivo no velho Maracanã. Lamar terminou a noite com 186 jardas aéreas e dois touchdowns, enquanto Derrick Henry correu para 89 jardas e também marcou duas vezes. Pelo lado dos Cowboys, Dak Prescott lançou para 276 jardas e um touchdown, e CeeDee Lamb somou 112 jardas em recepções. Os números ajudaram a contar a história técnica da partida, mas o que conquistou definitivamente o público foi a sequência final, quando um empate aparentemente encaminhado para a prorrogação virou vitória de Baltimore praticamente no estouro do cronômetro. 

O desfecho completou uma noite em que o próprio Maracanã parecia estar aprendendo futebol americano em tempo real. Muitos brasileiros podem não dominar completamente conceitos como down, touchback, conversão de dois pontos ou interferência de passe, mas reconheceram imediatamente aquilo que o estádio conhece como poucos: a emoção de uma partida decidida quando já não parecia haver mais tempo para nada. A estreia da NFL no Rio misturou o ritual americano com a maneira brasileira de torcer, com comemorações cada vez mais intensas conforme o público percebia o equilíbrio do confronto. E o roteiro colaborou. Depois de touchdowns, viradas, empate nos segundos finais e a perspectiva de prorrogação, bastou um passe de Lamar para Flowers e um chute certeiro de Tyler Loop para transformar a curiosidade inicial em explosão coletiva. No fim, ninguém precisou decorar o livro de regras; quando a bola passou entre as traves no último segundo, o Maracanã soube exatamente o que fazer: comemorar.

Leo Pinheiro