Candidato à Presidência não abre mão da disputa (ainda), mas autoriza correligionários a declarar voto em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno; integrantes da legenda começam a aderir ao candidato do PL
Romeu Zema vai continuar na corrida presidencial, mas decidiu não exigir que todos dentro do Novo corram na mesma raia. Mesmo mantendo sua candidatura ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Minas Gerais autorizou correligionários do partido a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno das eleições. A liberação criou uma situação incomum na reta final da campanha: Zema continua pedindo votos para si enquanto integrantes de sua própria legenda passam a defender publicamente outro candidato à Presidência. Uma das primeiras a assumir essa posição foi Marina Helena, candidata do Novo a deputada federal por São Paulo. Antes de anunciar sua decisão, ela afirmou ter conversado diretamente com Zema e recebido autorização para tornar público o apoio a Flávio. Em Minas Gerais, Marco Antônio “Superman” Costa, candidato do Novo ao Senado, também passou a defender o voto no candidato do PL. Apesar dessas movimentações, Zema sustenta que permanecerá na disputa presidencial, posição que já vinha manifestando publicamente ao longo da campanha.
A autorização dada por Zema permite que candidatos do Novo façam uma escolha diferente daquela apresentada oficialmente pelo próprio partido para a Presidência, sem que isso represente uma mudança formal na candidatura nacional da legenda. Marina Helena explicou que procurou Zema antes de anunciar sua posição e relatou ter recebido liberdade para seguir o caminho que considerasse adequado. Marco Antônio Costa foi além e passou a defender publicamente que o próprio candidato presidencial do Novo apoiasse Flávio. Ao mesmo tempo, outras lideranças da legenda mantêm a defesa da candidatura própria. O movimento ocorre poucos dias antes do primeiro turno e evidencia a discussão sobre concentração de votos entre candidaturas situadas no campo da direita. O Novo registrou oficialmente Zema no Tribunal Superior Eleitoral em agosto e apresentou o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a Vice-Presidente. A chapa permanece formalmente na disputa, e não houve anúncio oficial de retirada. Assim, a liberação concedida aos correligionários deve ser diferenciada de uma aliança partidária: Zema continua candidato, o Novo continua com candidatura própria, mas determinados nomes da sigla receberam aval para pedir votos para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Zema fica, aliados escolhem Flávio
A decisão também se encaixa na posição que Zema vem apresentando sobre um eventual segundo turno. Nesta semana, o candidato afirmou que apoiará Flávio Bolsonaro caso o senador enfrente o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda etapa da eleição. Ao ser questionado sobre o cenário, Zema reiterou sua oposição ao PT e disse que apoiaria quem estivesse contra o partido. A declaração, porém, dizia respeito especificamente ao segundo turno e não representava uma retirada de sua candidatura na primeira votação. Meses antes, em entrevista à CNN, Zema já havia afirmado que pretendia levar sua candidatura até o fim e defendido a presença de diferentes nomes de direita no primeiro turno, argumentando que haveria união posteriormente. Agora, a novidade é que parte dos integrantes do Novo decidiu antecipar individualmente esse movimento: em vez de esperar pelo resultado das urnas, alguns candidatos da legenda passaram a declarar apoio a Flávio já na primeira votação; e fizeram isso com autorização do próprio presidenciável do partido.
O resultado é uma configuração eleitoral peculiar dentro do Novo. Zema continua oficialmente candidato à Presidência, Eduardo Girão permanece como seu vice e a chapa segue registrada, mas o candidato liberou integrantes de seu partido para trabalhar politicamente por Flávio Bolsonaro. Isso não significa que toda a legenda tenha aderido ao candidato do PL: a autorização permite manifestações individuais e convivem dentro do partido posições diferentes sobre a estratégia para o primeiro turno. Também não houve anúncio de coligação ou retirada formal da candidatura de Zema. Na prática, o ex-governador mineiro tenta manter seu projeto presidencial sem impedir que correligionários façam uma opção distinta na reta final. Com isso, a eleição produz uma cena pouco convencional: Zema segue pedindo votos para continuar na disputa, enquanto alguns candidatos do próprio Novo, com seu aval, já pedem votos para Flávio Bolsonaro.