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Esporte

Deu sono: Brasil faz torcedor acordar cedo para cochilar diante da Austrália

25/09/2026 • 10:00 • Por Leo Pinheiro

Raphinha desperdiça gol enquanto o jogo ainda estava 0 a 0 e revolta torcedores

Foto: Reprodução/Sportv

Seleção decepciona no primeiro jogo depois da Copa, fica no 1 a 1 e transforma expectativa de um novo começo em manhã de pouco futebol

O despertador tocou cedo, mas a Seleção Brasileira parece ter continuado na cama. Quem encarou o sono para acompanhar o primeiro jogo do Brasil depois da decepcionante Copa do Mundo de 2026 esperava encontrar uma equipe renovada, disposta a mostrar serviço no início da caminhada rumo a 2030. Encontrou, porém, uma partida arrastada, de pouca inspiração e que fez o horário das 7h00 da manhã parecer ainda mais cruel. Brasil e Austrália empataram por 1 a 1, em Townsville, num amistoso que começou cercado pela curiosidade em torno das novidades escolhidas por Carlo Ancelotti, mas terminou deixando uma sensação de frustração. Se antes da bola rolar as redes sociais estavam tomadas por brincadeiras de torcedores reclamando que precisariam abandonar a cama para assistir à Seleção, depois do apito inicial o roteiro ganhou uma ironia involuntária: o Brasil fez muita gente perder o sono para, em seguida, oferecer futebol suficiente para recuperá-lo. O empate só foi garantido nos acréscimos, quando Rayan marcou aos 49 minutos do segundo tempo e evitou que o recomeço do ciclo terminasse com derrota. 

A expectativa era especialmente grande porque Ancelotti havia montado uma equipe com várias caras novas, e uma formação ofensiva. Hugo Souza começou no gol; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis e Douglas Santos formaram a defesa; Danilo e Bruno Guimarães ficaram no meio, enquanto Raphinha, Estêvão, Endrick e Vinicius Junior compuseram o setor ofensivo. Matheuzinho e Vitor Reis faziam suas primeiras partidas pela Seleção principal, e Endrick recebia a oportunidade de começar entre os titulares num momento em que tenta recuperar espaço também no futebol europeu. No papel, havia juventude, velocidade e jogadores capazes de produzir um jogo agressivo. Em campo, entretanto, a combinação demorou a funcionar. A renovação anunciada para o primeiro compromisso do ciclo pós-Copa ainda não se traduziu em uma atuação convincente, especialmente diante de uma Austrália que historicamente costuma encontrar dificuldades contra o Brasil: antes desta partida, eram oito confrontos, com seis vitórias brasileiras, um empate e apenas uma derrota, além de 21 gols marcados pela Seleção contra somente um sofrido.

Cochilo amarelo

E foi justamente quando o torcedor poderia imaginar que a Seleção aumentaria o ritmo que veio o susto capaz de despertar até quem já estava cochilando no sofá. Irankunda abriu o placar para a Austrália aos 22 minutos do segundo tempo, colocando os donos da casa em vantagem e aumentando a pressão sobre um Brasil que havia viajado para o outro lado do mundo tentando começar uma nova história depois da eliminação nas oitavas de final da última Copa. Ancelotti recorreu ao banco e promoveu mudanças, com as entradas de jogadores como Jair, Mauro Júnior, Douglas Luiz, Pedro e Rayan. Foi justamente um dos reservas que evitou um resultado ainda mais frustrante: Rayan, que substituiu Estêvão, marcou aos 49 minutos e arrancou o empate brasileiro praticamente no último lance. O gol serviu para impedir a derrota, mas não apagou uma atuação abaixo da expectativa criada em torno de um time que inicia um processo de reformulação. Para uma Seleção que entrou nesta Data Fifa tentando recuperar confiança e experimentar jogadores pensando no futuro, o primeiro teste terminou mais como alerta do que como demonstração de evolução.

O mais curioso é que, antes da partida, havia até listas de motivos para convencer o brasileiro a vencer o despertador e acompanhar o amistoso. Estreias, jovens talentos, Endrick entre os titulares e o começo oficial da reconstrução após a Copa eram alguns dos atrativos para justificar o sacrifício matinal. No fim, quem levantou às 7h00 ganhou poucos motivos para comemorar e vários para bocejar. E o torcedor terá uma segunda oportunidade de testar sua resistência ao sono: Brasil e Austrália voltam a se enfrentar na terça-feira, 29, novamente às 7h00 de Brasília, desta vez no Suncorp Stadium, em Brisbane. Depois, a Seleção segue para Calcutá, onde enfrenta a Índia em 3 de outubro, às 11h00. Para Ancelotti, serão novas oportunidades de observar jogadores e começar a encontrar a formação que pretende desenvolver para os próximos anos. Para quem acompanha do Brasil, resta programar novamente o alarme e torcer para que, no segundo encontro, a Seleção acorde junto com o torcedor... Porque, no primeiro, o despertador trabalhou bem mais do que os jogadores da seleção brasileira.

Leo Pinheiro