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Conheça a mulher que criou o Dia das Mães – e saiba por que ela se arrependeu

10/05/2026 1 visualizações

Nem sempre existiu o Dia das Mães – comemorado neste domingo (10). Uma mulher foi a responsável pela criação da data, após muita luta e insistência no início do século 20: Anna Jarvis. Mas o que ela fez – e por que acabou se arrependendo da atitude?

Geralmente celebrado no segundo domingo de maio na América – países como México, Guatemala e El Salvador antecipam a celebração em alguns dias – o Dia das Mães surgiu oficialmente nos Estados Unidos. Em 1905, Anna lamentou a morte da mãe, Ann Reeves Jarvis, e decidiu criar uma campanha para que todas fossem homenageadas ainda em vida.

A motivação veio de uma oração que ouvia da matriarca, cujas palavras eram: “Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que elas prestam à humanidade em todas as áreas da vida”.

Outra inspiração para Anna foi a história da própria mãe que, em 1850, organizou no estado da Virgínia Ocidental, durante a Guerra Civil Americana, um grupo de mulheres para cuidar dos soldados e trabalhar por melhorias na saúde pública. Ela mesma batizou os dias nesse trabalho como “Dia das Mães”.

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Com tudo isso em mente, Anna Jarvis decidiu agir, enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e outras pessoas importantes pedindo que fosse reservado um dia especial para as mães no calendário.

Alguns políticos não levaram a sério sua reivindicação, argumentando que teriam de criar também o  “Dia da Sogra” caso atendessem ao pedido. Em 1908, ainda sem ser ouvida, organizou uma homenagem para Ann.

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Anna não desistiu e, em 1911, todos os Estados reconheceram que o Dia das Mães deveria existir – inicialmente como um feriado e, três anos depois, transferido definitivamente para o segundo domingo de maio. No Brasil, a data chegou em 1932, após um decreto do então presidente Getúlio Vargas.

Arrependimento

Anna Jarvis não gostou do viés comercial que o Dia das Mães ganhou com o passar do tempoGetty Images/Getty Images

Anna Jarvis vibrou com sua conquista, mas a felicidade durou pouco: ao perceber o viés comercial que a data, ela ficou profundamente incomodada, passando a boicotar o Dia das Mães.

No livro “A Comemoração da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães”, a autora Katharine Lane Antolini afirma que “Jarvis considerava o Dia das Mães sua ‘propriedade intelectual e legal’, não parte do domínio público”.

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“Ela aspirava que este dia fosse um ‘dia sagrado’ que homenageasse a mãe que colocava as necessidades de seus filhos acima das suas próprias. Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros, como aconteceu com alguns outros feriados no início do século XX”, diz a publicação.

A revolta fez com que Anna chamasse os comerciantes locais de “violadores de direitos autorais, vândalos comerciais e aproveitadores descarados”. Também protestou contra floriculturas, que aumentaram seus preços nessa época do ano de olho nos lucros, e ameaçou processar muitas empresas que faturavam com o Dia das Mães.

Até os cartões impressos a incomodaram: Anna acreditava que as mães mereciam mensagens escritas à mão. Desgostosa com tudo, com dívidas e depressão, teria dito a um jornalista antes de morrer, em 1948: “Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães.”

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