Criada para celebrar a chegada dos dias mais quentes, data encontra cariocas de casaco e uma temperatura pouco convidativa para a sobremesa
Era para ser uma comemoração de derreter. Mas, neste 23 de setembro, quem parece ter entrado no freezer foi o próprio Rio de Janeiro. O Dia Nacional do Sorvete, celebrado nesta quarta-feira, chega em meio a temperaturas baixas, numa daquelas ironias que nem a melhor combinação de sabores conseguiria produzir. Criada em 2002 pela Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), a data foi pensada justamente para marcar a transição para a época mais quente do ano e estimular o consumo de uma das sobremesas preferidas dos brasileiros. Desta vez, porém, o clima resolveu trocar a casquinha pelo casaco.
A comemoração acontece tradicionalmente em 23 de setembro, período associado à chegada da primavera (0ficialmente 22 de setembro, no Hemisfério Sul) e ao início da elevação das temperaturas em boa parte do país. No Rio, onde calor e sorvete costumam formar uma dupla difícil de separar, o cenário deste ano é bem diferente: o frio diminuiu o apelo por picolés, casquinhas e potes gelados justamente na data criada para colocá-los em evidência. E o reflexo aparece no comportamento dos consumidores, que parecem menos dispostos a enfrentar uma sobremesa gelada quando a própria temperatura já se encarrega de provocar arrepios.
Vendas no freezer
Para sorveterias e comerciantes, a temperatura é uma variável importante do negócio. Quanto mais o termômetro sobe, maior tende a ser a procura por produtos refrescantes; quando o frio aparece, o movimento costuma perder força. Assim, uma data promocional criada para aproveitar a mudança de estação acabou encontrando neste ano uma adversária difícil de contornar: a meteorologia. Nas ruas cariocas, o cenário de temperaturas mais baixas contrasta com a imagem tradicional de praias cheias, calçadas movimentadas e consumidores buscando no sorvete uma forma de escapar do calor.
A situação, naturalmente, pode mudar tão rapidamente quanto o tempo no Rio. Com a primavera avançando e o verão se aproximando, a expectativa do setor é de que os dias quentes devolvam o movimento às sorveterias. Até lá, o Dia Nacional do Sorvete de 2026 ficará marcado por uma coincidência curiosa: justamente quando a sobremesa ganhou uma data para chamar de sua, São Pedro resolveu servir o Rio na mesma temperatura... Bem gelada.