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Política

Virada numérica: Flávio Bolsonaro ultrapassa Lula no segundo turno, aponta Quaest

22/09/2026 • 08:15 • Por Leo Pinheiro

O levantamento divulgado nesta segunda-feira foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo

Imagem: Arte: Lagoa Comunicação

Senador aparece com 42% contra 41% do Presidente na nova rodada; diferença é de apenas um ponto e mantém os dois candidatos tecnicamente empatados

A disputa pelo Palácio do Planalto ganhou um número de forte peso político na reta final antes do primeiro turno: Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual decisão direta pela Presidência. A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 21, mostra o senador com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% do atual Presidente. A diferença é de apenas um ponto percentual e, portanto, está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o que mantém os dois em situação de empate técnico. Ainda assim, a posição numérica de Flávio chama atenção quando observada a evolução da série: em agosto, uma rodada da Quaest mostrava Lula com 43% e Flávio com 40%; no levantamento de 7 de setembro, os dois apareceram rigorosamente empatados, com 41% cada; uma semana depois, Flávio passou numericamente à frente, com 42%, diante de 40% de Lula. Agora, o senador conserva os mesmos 42%, enquanto o Presidente oscila para 41%, reduzindo de dois para um ponto a diferença entre eles. Como todas essas variações precisam ser interpretadas considerando as respectivas margens de erro, os levantamentos registram mudanças numéricas, e não uma vantagem estatisticamente comprovada de um candidato sobre o outro. 

O contraste entre primeiro e segundo turno é outro aspecto do levantamento. Na primeira rodada da eleição, Lula registra 37% e Flávio Bolsonaro, 33%, enquanto os demais candidatos aparecem com percentuais menores. Na eventual disputa direta entre os dois, porém, essa ordem numérica se inverte: Flávio chega aos 42% e Lula aos 41%. Entre os entrevistados, 14% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam, enquanto 3% permanecem indecisos. A pesquisa anterior, divulgada em 14 de setembro, já havia colocado Flávio numericamente à frente no confronto direto, quando marcou 42% contra 40% de Lula. Na rodada atual, portanto, o senador mantém seu percentual, enquanto Lula ganha um ponto, estreitando a diferença. O dado não permite afirmar quem venceria uma eventual eleição, mas registra que, na fotografia atual da Quaest, Flávio tem um ponto percentual a mais do que Lula na simulação de segundo turno.

Flávio passa, mas há empate

A inversão numérica ganha perspectiva quando comparada às pesquisas anteriores. Em agosto, Lula aparecia numericamente à frente no confronto direto; no início de setembro, os dois chegaram aos mesmos 41%. Na rodada seguinte, divulgada no dia 14, Flávio marcou 42% e Lula, 40%, colocando o senador numericamente à frente. O levantamento do dia 21 mantém essa ordem, mas reduz a distância para apenas um ponto, porque Lula passa de 40% para 41%, enquanto Flávio permanece em 42%. A sequência mostra, portanto, uma mudança na posição numérica dos candidatos ao longo das últimas rodadas, mas não autoriza tratar a diferença atual como liderança estatística. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os intervalos possíveis dos dois candidatos se sobrepõem. É por essa razão que o resultado tecnicamente correto continua sendo classificado como empate, mesmo com Flávio ocupando a primeira posição nos percentuais apresentados. A própria Quaest já vinha descrevendo a disputa entre os dois campos como acirrada, com percentuais próximos nas simulações de segundo turno.

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06004/2026. A proximidade dos percentuais torna especialmente importante separar duas informações: no resultado nominal apresentado pelo levantamento, Flávio Bolsonaro tem 42% e Lula, 41%; do ponto de vista estatístico, entretanto, a distância de um ponto não permite afirmar que exista vantagem efetiva de um sobre o outro. A pesquisa representa uma fotografia das intenções de voto durante o período de coleta, e oscilações dentro da margem de erro não demonstram necessariamente transferência real de eleitores. Ainda assim, a sequência dos números registra uma mudança em relação às rodadas nas quais Lula aparecia numericamente à frente: Flávio Bolsonaro passou para a primeira posição nos percentuais do segundo turno e permanece nela na pesquisa mais recente, enquanto a diferença entre os dois caiu para apenas um ponto.

Leo Pinheiro