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Visita rara: Ave ameaçada de extinção reaparece em área preservada de Mato Grosso

22/09/2026 • 07:22 • Por Redação NTD

A ave foi registrada por profissionais que realizavam monitoramento ambiental em uma área de conservação entre os municípios de Nova Canaã do Norte e Colíder, no norte de Mato Grosso

Foto: Divulgação/AXIA Energia

Marianinha-de-cabeça-amarela foi fotografada durante monitoramento ambiental no Nortão; espécie amazônica enfrenta risco de desaparecer da natureza

Em meio ao verde das copas das árvores, uma pequena explosão de cores entregou uma presença difícil de encontrar na natureza. Uma marianinha-de-cabeça-amarela (Pionites leucogaster), ave amazônica considerada ameaçada de extinção, foi registrada por profissionais que realizavam monitoramento ambiental em uma área de conservação entre os municípios de Nova Canaã do Norte e Colíder, no norte de Mato Grosso. O flagrante ocorreu na região de influência de um empreendimento hidrelétrico e ganhou importância justamente pela situação da espécie, classificada em categoria que indica elevado risco de desaparecimento na natureza. Além de documentar a presença do animal, o registro fornece informações sobre a biodiversidade ainda encontrada na região e reforça a relevância da manutenção de ambientes capazes de servir como refúgio para espécies vulneráveis.

Com aproximadamente 23 centímetros, a marianinha chama atenção pela plumagem: cabeça em tons alaranjados, face amarelada, ventre branco e asas predominantemente verdes. A espécie pertence à família dos psitacídeos (a mesma de papagaios, araras e periquitos) e também é conhecida popularmente como periquito-d'anta, referência à vocalização característica que produz. Apesar das cores chamativas, encontrá-la não é uma tarefa simples. A ave costuma permanecer nas partes mais altas das árvores da Floresta Amazônica, o que dificulta sua observação. Sua alimentação inclui frutos, néctar e pétalas, enquanto a reprodução normalmente ocorre em cavidades de árvores de grande porte.

Cores que dão esperança

A importância da marianinha-de-cabeça-amarela vai muito além da beleza. Ao consumir frutos e transportar sementes, a ave participa do processo de dispersão e renovação da vegetação, contribuindo para a dinâmica natural da floresta. Por isso, o aparecimento de um exemplar em uma área monitorada também pode fornecer aos pesquisadores pistas sobre as condições ambientais existentes naquele território. O acompanhamento sistemático da fauna permite identificar quais animais continuam presentes, observar eventuais mudanças nas populações e produzir informações que podem orientar estratégias de conservação. Para os profissionais envolvidos no monitoramento, registros de espécies ameaçadas ajudam a demonstrar a importância dos refúgios naturais mantidos na região.

O flagrante também chama atenção para a necessidade de preservar os ambientes dos quais essas espécies dependem. A perda e a fragmentação de habitats estão entre as pressões enfrentadas por diversos animais amazônicos, tornando áreas conservadas importantes corredores e refúgios para a fauna. Nesse cenário, cada novo registro ajuda a montar uma espécie de mapa vivo da biodiversidade e permite acompanhar a permanência de animais difíceis de observar. A aparição da marianinha-de-cabeça-amarela, portanto, representa mais do que uma fotografia incomum: para uma espécie ameaçada, ser encontrada voando livre pela floresta é também um pequeno sinal de que ainda existe espaço para permanecer no mapa da natureza.