Fabricante sueca planeja 13 modelos totalmente novos, amplia parceria com a controladora Geely e aposta em elétricos e híbridos para recuperar rentabilidade e ganhar mercado
A Volvo decidiu pisar no acelerador para chegar a 2030 com uma garagem praticamente renovada — e com uma participação chinesa cada vez maior debaixo do capô. A fabricante sueca prepara cerca de 30 novidades e atualizações de produtos nos próximos quatro anos, das quais 13 serão automóveis completamente novos, na maior ofensiva de lançamentos de sua história. O plano faz parte de uma estratégia para ampliar a presença mundial da marca, reduzir custos e recuperar rentabilidade em um mercado pressionado pela concorrência, pelas tarifas comerciais e pelas diferenças no ritmo de adoção dos veículos elétricos. Sob o comando do CEO Håkan Samuelsson, que retornou à liderança da companhia, a Volvo também pretende aprofundar a integração tecnológica e industrial com a Geely, grupo chinês que controla a montadora. Atualmente, aproximadamente 10% dos componentes são compartilhados; a meta é elevar esse índice para cerca de 30% até o fim da década.
A ofensiva terá estratégias distintas para os principais mercados. Dos 13 modelos inéditos previstos, sete serão direcionados aos mercados ocidentais e seis serão desenvolvidos especificamente para a China, refletindo uma indústria automobilística cada vez mais regionalizada. Europa e Estados Unidos deverão receber produtos baseados principalmente nas arquiteturas SPA2 e SPA3, aproveitando investimentos tecnológicos já realizados pela companhia. Na China, a integração com a Geely será ainda mais profunda, incluindo plataformas compartilhadas, software desenvolvido para aquele mercado, cadeia comum de fornecedores e maior utilização de componentes conjuntos. A cooperação envolve áreas como eletrônica, baterias, motores elétricos e compras de peças. A Volvo calcula que o aumento das sinergias poderá proporcionar aproximadamente 5% de economia nos custos de materiais até 2030, além de reduzir o investimento necessário para desenvolver cada novo automóvel.
DNA cada vez mais chinês
A aproximação com a Geely não significa, porém, que todos os futuros Volvo serão iguais em qualquer lugar do planeta. Pelo contrário: a fabricante pretende adaptar sua linha às características de cada região. Os Estados Unidos deverão receber veículos maiores, enquanto a Europa terá maior presença de automóveis pequenos e médios; para a China, a prioridade ficará principalmente nos modelos médios. Outra mudança importante está nas motorizações. Depois de ter estabelecido anteriormente uma estratégia mais agressiva de transição para veículos exclusivamente elétricos, a Volvo agora trabalha com uma combinação mais flexível de tecnologias. Os próximos lançamentos incluirão carros 100% elétricos e uma nova geração de híbridos, permitindo que a companhia acompanhe velocidades diferentes de eletrificação entre seus principais mercados. O compartilhamento com a Geely será uma das ferramentas para tornar essa expansão menos cara, especialmente em um momento no qual fabricantes chineses aumentam rapidamente sua presença internacional e pressionam as marcas tradicionais.
Por trás da avalanche de lançamentos existe uma meta financeira ambiciosa. A Volvo pretende dobrar sua participação no mercado mundial e elevar sua margem para mais de 8%, depois de registrar margem antes dos impostos de 3,5% em 2025. A estratégia também passa pelo melhor aproveitamento das fábricas existentes: a companhia admite produzir veículos de outras montadoras em suas unidades na China e na Bélgica, enquanto a Geely planeja utilizar instalações europeias da Volvo para fabricar modelos desenvolvidos originalmente na China a partir de 2028. A transformação mostra como a tradicional identidade sueca passa a conviver com uma estrutura industrial cada vez mais integrada ao conglomerado chinês. A marca continuará estampando Volvo na grade dianteira, mas plataformas, baterias, eletrônica e outras peças poderão ter cada vez mais DNA compartilhado. Na corrida automobilística até 2030, a Volvo quer continuar sueca no nome e no posicionamento — mas pretende aproveitar cada vez mais a força chinesa para ganhar velocidade.