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Ferida que não fecha acende alerta: Esporotricose ameaça pets e humanos

20/09/2026 • 17:38 • Por Elaine Ribeiro

Entre os sinais mais frequentes estão nódulos, úlceras e feridas na pele, especialmente na cabeça, patas e cauda

Foto: Dev Akabari/Unsplash

Doença causada por fungos pode atingir cães, gatos e pessoas; identificação precoce, tratamento veterinário e cuidados no manejo ajudam a reduzir o risco de transmissão

Uma pequena ferida que insiste em não cicatrizar pode esconder um problema bem maior. A esporotricose, micose provocada por fungos do gênero Sporothrix, pode afetar animais e seres humanos e exige atenção principalmente quando surgem lesões persistentes na pele dos pets. Embora cães também desenvolvam a doença, os gatos têm papel particularmente importante na transmissão zoonótica, que pode ocorrer por arranhaduras, mordidas ou contato com secreções de feridas de animais infectados. Entre os sinais mais frequentes estão nódulos, úlceras e feridas na pele, especialmente na cabeça, patas e cauda. Diante dessas alterações, a recomendação é procurar atendimento veterinário, já que o diagnóstico pode exigir, além da avaliação clínica, exames laboratoriais. O tratamento existe e deve ser estabelecido e acompanhado pelo médico-veterinário, sem interrupção por iniciativa do tutor.

Quando houver suspeita ou confirmação da doença, os cuidados precisam ultrapassar a administração dos medicamentos. O animal deve ser mantido separado de outros pets e o contato direto com as lesões deve ser evitado, especialmente por crianças. Durante o manejo, recomenda-se a utilização de luvas e atenção à higiene. Potes, brinquedos e outros utensílios usados pelo animal precisam ser lavados com água e sabão e desinfetados regularmente, assim como o ambiente onde ele permanece. Essas medidas ajudam a diminuir a exposição ao fungo durante o período de tratamento e devem ser associadas às orientações específicas fornecidas pelo profissional responsável pelo caso. 

Cuidado sem abandono

A prevenção passa também por uma mudança importante na rotina dos gatos: evitar o acesso livre às ruas. Mantê-los em ambiente doméstico reduz a possibilidade de contato com animais infectados e, principalmente, de envolvimento em brigas que terminem em mordidas ou arranhões. A castração e a guarda responsável também são apontadas como medidas que contribuem para o controle da esporotricose. Para os tutores, o alerta é igualmente importante. Quem for mordido ou arranhado por um animal suspeito deve lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar atendimento de saúde para avaliação. A existência da doença, porém, não deve servir de justificativa para abandonar o pet: acompanhamento veterinário, tratamento correto e manejo cuidadoso são fundamentais tanto para a recuperação do animal quanto para reduzir a transmissão.

Os cuidados continuam mesmo em caso de morte de um animal infectado. O corpo não deve ser enterrado, abandonado em terrenos ou descartado no lixo comum, porque esse tipo de destinação pode favorecer a contaminação do ambiente. A orientação é buscar os serviços responsáveis ou assistência veterinária para definir o encaminhamento adequado, com indicação de incineração pelas autoridades de saúde. Informação, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento formam, portanto, uma barreira importante contra o avanço da esporotricose. Quando uma ferida não fecha, fechar os olhos para o problema é justamente o que tutores não devem fazer.

Elaine Ribeiro